Tony Bellotto: 'Não digo que estou curado. Estou convivendo com o câncer'

Tony Bellotto, de 66 anos, falou sobre seu tratamento do câncer de pâncreas em entrevista ao programa Que Dia, comandado pelo jornalista Matheus Leitão, colunista do Metrópoles. "Foi muito difícil receber o diagnóstico de um câncer difícil de tratar, com uma taxa de mortalidade muito grande, o câncer de pâncreas. Mas, quando soube, brotou uma força interna que eu nem sabia que tinha", afirmou o guitarrista do grupo Titãs
Casado com a atriz Malu Mader, o músico contou como lidou com o diagnóstico. "Sou ateu. Não considero que meu câncer seja fruto de nada além do fato de estar vivo e de que isso acontece com pessoas vivas. Pensei: 'O que posso fazer? Minha ideia é continuar vivo, e vivo de verdade, fazendo as coisas de que gosto, tocando, trabalhando o máximo possível'. A médica disse que o tumor ainda tinha um tamanho que permitia operar e retirar. Fiz a cirurgia e me recuperei, o que também foi difícil e trabalhoso."
De acordo com Bellotto, ele conseguiu retomar sua rotina habitual. "Voltei às minhas funções normais, mas continuo em acompanhamento, porque é um câncer muito insidioso, traiçoeiro. Não digo que estou curado, que me livrei dele. Estou convivendo com esse câncer. Até brinquei numa entrevista que implico com essa expressão de que alguém 'luta contra o câncer'. Sou pacifista: não luto contra meu câncer, negocio uma convivência pacífica. Isso já vai ser bastante."
Ele explica não se deixou abater por pessimismo. "Tenho tido sorte, porque os tratamentos têm sido positivos. Sou otimista por natureza. Recorri muito aos estudos de zen-budismo que fiz na adolescência, quando lia os autores da geração beat. Não tenho religião, não acredito em Deus, mas sinto no zen uma sabedoria humana que podemos empregar na vida prática: lidar sem tanta dramaticidade com os problemas, viver um dia de cada vez. Enquanto está legal, vamos em frente."
Recuperação e físico
"Estou muito bem, fazendo shows, escrevendo. Tento engordar, porque perdi muitos quilos na cirurgia. Estou feliz de levar minha vida, convivendo com essa doença difícil sem deixar que vire uma tristeza ou uma preocupação exagerada", afirma Bellotto, que tinha o hábito de praticar atividades físicas ao ar livre e voltou, gradualmente, aos exercícios.
Apoio de Branco Mello
"Tive muita ajuda do Branco, que passou por um câncer de garganta muito difícil, fez cirurgias e tratamentos e está muito bem no palco, inclusive cantando. Brincamos que conseguiu a voz rouca que sempre quis ter, aquela voz de Max Cavalera."
"Quando declarei pela primeira vez que Anitta era rock, antes de Bichos Escrotos, o pessoal mais radical me criticou: 'Você está maluco? Anitta é rock?'. Há muito tempo, rock deixou de ser só uma forma musical. É uma forma de viver e de se manifestar. Nasceu com uma atitude ousada de Elvis Presley, um homem que começou a requebrar nos anos 1950.
Digo que Anitta é rock porque é uma mulher livre, autônoma, que vive como quer. Não precisa de homem para sustentá-la nem para dizer o que deve fazer. Tem uma sexualidade livre, que considero uma atitude rock and roll, no sentido de o direito individual ser respeitado ao máximo."
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