Ao descartar Eduardo do Itamaraty, Flávio acena ao centrão e rifa irmão

Imediatamente antes da declaração de Flávio, ao menos três pessoas do entorno de Eduardo Bolsonaro, diretamente envolvidos na campanha presidencial e ouvidos reservadamente pelo UOL, davam como certo que ele ocuparia o Ministério das Relações Exteriores.
Alguns deles comentavam, inclusive, que o ex-deputado já teria definido os embaixadores que colocaria nos postos de chefe de gabinete e de secretário-geral do Itamaraty, para ajudá-lo a navegar a liturgia do posto mais alto da diplomacia brasileira.
O assunto era tratado como um fato consumado até porque, segundo um desses interlocutores, "nenhum embaixador consegue hoje fazer o que Eduardo faz, de ligar para o [presidente argentino Javier] Milei, de ligar para o [ex-primeiro ministro húngaro Victor] Orban, para o [premiê israelense Benjamin] Netanyahu e ser atendido. Isso é só ele", disse.
Na última quarta, o próprio Eduardo esboçava planos para a pasta. "No que depender de mim, embaixador vai ter meta. A depender do país haverá meta para atrair comércio, investimento, venda de produtos brasileiros etc.", disse ao UOL em uma breve entrevista, na semana passada e sob a ressalva de que o grupo ainda tinha que vencer o pleito.
O grupo político de Eduardo Bolsonaro teria concluído um mapeamento dos quadros do Itamaraty e concluído que haveria uns 30 ou 40 diplomatas com quem "podem contar".
O próprio Eduardo já mencionou em redes sociais que teria uma lista de nomes politicamente vetados. Questionado sobre o assunto pelo UOL, disse: "Para mim, é requisito para entrar no governo uma análise do comportamento da pessoa entre 2022 e 2024. Prestigiar quem ficou quietinho é dar moral para quem amanhã pode asfaltar o caminho para uma nova prisão injusta sua". A declaração é uma referência ao comportamento do ex-chanceler de Jair Bolsonaro, Carlos França, a quem Eduardo vê como tendo traído, por omissão, o movimento político que o alçou a um posto tão prestigioso.
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