Marginal Tietê: como a orla que atraia esportes e lazer virou um rio morto

A proposta não foi a que prevaleceu. Durante a gestão do prefeito Prestes Maia, o Plano de Avenidas orientou a expansão viária da cidade. Nesse contexto, foi construída uma nova ponte, acompanhada de um monumento aos bandeirantes.
A Ponte das Bandeiras foi inaugurada em 1942, antes de o novo canal do Tietê ser escavado e de o rio ser deslocado para seu curso retificado. A antiga Ponte Grande acabou demolida.
A retificação, realizada nos anos 1960, alterou profundamente a relação dos paulistanos com o rio. A obra separou clubes que dependiam da água, contribuiu para o fim das atividades de remo e abriu espaço para a implantação das marginais.
Com o avanço da urbanização e da poluição, o Tietê perdeu boa parte de seu papel como espaço de lazer e convivência. Nas margens, instalaram-se armazéns, transportadoras, o Terminal Rodoviário Tietê e estações de metrô. O complexo do Anhembi também passou a integrar essa paisagem, com destaque para os eventos de Carnaval.
Hoje, a Ponte das Bandeiras permanece como uma das marcas dessa transformação. Sua história ajuda a lembrar que, antes de as marginais dominarem a paisagem, o Tietê era parte ativa da vida paulistana — um rio de transporte, esporte e lazer que a cidade foi deixando para trás.
Fontes:
Odette Seabra: "Os meandros dos rios nos meandros do poder. Tietê e Pinheiros: valorização dos rios e das várzeas na cidade de São Paulo", tese de doutorado (USP, 1987); Daniele C. C. de Medeiros: "Entre esportes, divertimentos e competições: a cultura física nos rios Tietê e Pinheiros (São Paulo, 1899-1949)", tese de doutorado (Unicamp, 2021); Janes Jorge: "Tietê: o rio que a cidade perdeu", livro (2ª ed., SVMA, 2017), e "Rios e saúde na cidade de São Paulo, 1890-1940", artigo (2012); Roberto Pompeu de Toledo: "A Capital da Vertigem", livro (Objetiva, 2015); Grupo Hímaco: A enchente de 1929 na cidade de São Paulo: memória, história e novas abordagens de pesquisa (Unesp, FAPESP e CNPq, 2014); Carlos Fioravanti: "Entre paredes de concreto", reportagem (Pesquisa FAPESP, 2013); Diana Zatz e Adolfo Borges: São Paulo, a cidade que enterrou os rios, documentário (Pesquisa FAPESP, 2014); Camilo Tavares: "Sobre Rios e Córregos", documentário (Pequi Filmes e LC Barreto, 2010); Caio Silva Ferraz: "Entre Rios", documentário (Senac-SP, 2009), acervo Folha de S. Paulo e acervo UOL.
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