Extremamente desnecessário

Declaração à mesa: não costumamos acompanhar o trabalho de Joana Marques. Nada pessoal; simplesmente não conhecemos muitas das pessoas de quem fala: personagens de reality shows ou influenciadores, mundos que optamos por não frequentar, mas que merecem, certamente, o direito a serem objeto de humor, como só as figuras públicas ou os tipos sociais podem ser. Mas vimo-la uma vez nuns Globos de Ouro fazer piadas com metade dos presentes na sala e, estando nós próprios na sala, percebemos quanto a outra metade gelava com medo de ser apanhada nas câmaras a rir. Rimos, portanto, nós à gargalhada, de ambas as coisas e aplaudimos a falta de respeitinho, que, justamente, tanta falta nos faz por cá.
Soubemos do caso dos Anjos, como, supomos, quase toda a gente: pelos próprios. Quando processaram Joana Marques por uma “vídeo-montagem”, transformaram uma piada numa notícia de telejornal. Tiveram, um dia, uma interpretação infeliz do Hino Nacional que algumas pessoas viram; puseram, inadvertidamente, o país inteiro a ver. E ainda pediram uma indemnização de mais de um milhão de euros por isso. Tudo mau. Tudo embaraçoso ou, como agora se diz por tudo e por nada, “vergonha alheia”. Assistimos, sem surpresa, mas com contentamento, à decisão do tribunal favorável a Joana Marques, à liberdade de expressão e criação, sobretudo num tempo em que o impulso para os “cancelamentos” parecia estar a querer pegar também por cá. Joana Marques foi absolvida e a dupla de cantores teve de arcar com os custos judiciais, fora a situação humilhante em que se tinha colocado a si própria. Caso encerrado. Ou então, não.
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