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Thursday, October 1, 2026

Ronaldo “finish”. O gatilho que dita o fim de CR7 na Seleção

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta é a história do dia, da Rádio Observador. O que levou Cristiano Ronaldo a abandonar a Seleção Nacional?

Não, não se recusou a treinar. O Cris fez trabalho de ginásio, fez um pouco mobilização no campo e depois foi fazer um trabalho de reforço pro hotel. Portanto, foi isso. Não recusou, como hoje vai treinar, se vocês forem ver ele hoje, vai treinar. Porque hoje é o quarto dia, portanto vai treinar. E não se recusou a treinar, isso é impossível. Eu às vezes tenho alguma dificuldade de perceber algumas coisas. Não é o Cris. Vocês acham que algum jogador do nível de uma seleção se recusa a treinar? Não é de Portugal, de outra seleção. Só se eles quiserem ir embora, se estiverem com outras ideias. Ninguém se recusa a treinar.

Cristiano Ronaldo recusou-se a treinar. Na atribulada tarde desta quarta-feira, em Copenhague, deu-se o adeus do capitão da Seleção Nacional. O caso estalou depois do jogo com a Noruega, em que Ronaldo não entrou em campo. CR7 não voltou a treinar com a equipe, mas perante a imprensa, Jorge Jesus ainda garantiu que não existia um caso, nem um problema. E como escutamos, contava até com Cristiano Ronaldo no último treino de preparação para o jogo com a Dinamarca, na Liga das Nações. Minutos depois de acabar a conferência de imprensa do selecionador, Cristiano Ronaldo deixou o estádio em que se iria realizar o treino, afastou-se da comitiva e mandou chamar o jato privado. Os rumores acumularam-se e foi CR7 a esclarecer. Nas redes sociais, escreveu um curto comunicado: "Após a conferência de imprensa do selecionador nacional e no seguimento de uma conversa com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, tomei a decisão de deixar o estágio da Seleção Nacional". Nesse comunicado, Ronaldo acrescenta: "A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipe nacional". Neste episódio, vou conversar com o Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador. Eu sou o Miguel Cordeiro e esta é a história do dia de quinta-feira, 01 de outubro. Bem-vindo, Bruno.

Olá, Miguel.

Este dia a chegar, o dia em que se noticia o fim de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional. Parece que estamos nesse momento?

Tenho poucas dúvidas, até porque perante aquilo que Cristiano Ronaldo escreveu em três parágrafos, hipótese A, aquilo que ele diz no segundo parágrafo é: acabou a seleção, não tem a ver com o estágio, concretamente para esses quatro jogos que contava a Liga das Nações. E dois, a relação com Jorge Jesus tem uma ruptura irreversível. E como nesta altura a hipótese de Jorge Jesus sair da condição de selecionador nacional é um cenário que não se coloca, a hipótese de Cristiano Ronaldo voltar a vestir a camisola da seleção também é um cenário que nesta altura não conseguiria imaginar.

Mas o que está na origem dessa ruptura? É a ausência no jogo com a Noruega, é algo que terá dito Jorge Jesus na conferência de imprensa ou algo que não disse?

Há aqui um gatilho claro e que tem a ver com o jogo com a Noruega. Mas o jogo com a Noruega tem um contexto, ou seja, é bom perceber que em agosto, à altura em que Jorge Jesus e Pedro Proença, em conversas paradas, já tinham falado com Cristiano Ronaldo e já tinham feito ver que havia espaço para ele continuar, não só na seleção como capitão e imagem forte da seleção, houve também uma conversa, neste caso mais técnica, Jorge Jesus, Cristiano Ronaldo. É uma conversa normal, é uma conversa entre um treinador e um jogador que na última temporada trabalharam juntos, inclusivamente chegaram a ser campeões, que era o grande objetivo, quer de Ronaldo, quer de Jesus, quando aceita trocar o rival do Al-Nassr, o Al-Hilal, pela equipe de Riade. E nessa conversa, Jorge Jesus foi muito pragmático com Cristiano Ronaldo. O primeiro jogo com o País de Gales é pra ti, o último jogo em casa com a Noruega é pra ti, os dois jogos na Noruega e na Dinamarca não serão pra ti. Um, conhecendo Ronaldo depois de ter trabalhado com ele durante a última temporada, Jorge Jesus sabia que nesta altura Cristiano Ronaldo não pode fazer 90 minutos em cima de 90 minutos, três em três dias. Dois, uma questão mais técnica. Qualquer avançado que jogasse, e aqui não é a questão de ser Gonçalo Ramos, podia ser Fábio Silva, podia ser Gonçalo Paciência, André Silva, no limite até poderia ser João Félix como um falso nove. Qualquer jogador que fosse o jogador mais adiantado da seleção nestes jogos, pouco tocaria na bola, tal como nós vimos em relação ao jogo do Gonçalo Ramos com a Noruega. Portanto, seria pra fazer apoios frontais, seria para lançar provavelmente alas na profundidade, seria para surgir na finalização e seria sobretudo para trabalhar sem bola. Porque era muito importante, quer no jogo com a Noruega, quer agora no jogo com a Dinamarca, que o número nove fosse sobretudo o primeiro defesa sem bola. Isso é aquilo que Gonçalo Ramos consegue oferecer à equipe, isso é aquilo que Cristiano Ronaldo já não consegue oferecer com tantas garantias à equipe. E Cristiano Ronaldo aceitou. Não se pode dizer que Cristiano Ronaldo não tenha concordado com a visão, nada. Cristiano Ronaldo aceitou. Qual foi o gatilho que mudou? Por altura do jogo com a Noruega, quando Cristiano Ronaldo estava convencido que iria para a bancada, Jorge Jesus opta por não arriscar e leva Ronaldo pro banco. E a justificação que dá a Ronaldo é: "Eu vou te colocar no banco, porque tu depois ainda podes fazer 20, 30 minutos". E qual era a ideia de Jorge Jesus? Se as coisas não estiverem a correr bem, eu tenho um ás, no sentido em que o próprio jogo vai conhecer características diferentes, que já se poderiam adequar mais a Cristiano Ronaldo. Qual foi o problema desta ideia? O jogo muda, o jogo fala com o treinador, Jorge Jesus não abdica dessa ideia e o jogo, aquilo que lhe disse foi: não é um jogo para Ronaldo. E no meio disso tudo, o Ronaldo esteve 20, 30 minutos a aquecer e a olhar pro branco pra ver se ia ser chamado ou não. E esse foi o gatilho de todo este problema. A partir daí, tratou-se mais de uma questão de gestão de egos, de tentativas de explicação, de justificação e de um final que agora está à vista para todos.

E Jorge Jesus, nós já o escutamos nesta história do dia, me falou na conferência de imprensa, esperava que Ronaldo treinasse, falou da gestão do jogador, mas é disso que estamos a falar. Cristiano Ronaldo é um jogador de futebol e Jorge Jesus tentou sempre colocá-lo como esse jogador de futebol, apesar de reconhecer os estatutos. Em termos práticos, ao Cristiano Ronaldo deixar a seleção nacional, há alguma implicação a nível disciplinar, se é que podemos sequer falar nesse assunto quando falamos de Cristiano Ronaldo?

Acho que não vale a pena. Não vale a pena por uma razão: Ronaldo não sai porque é afastado, o Ronaldo sai porque quer e eventualmente, e potencialmente, até poderia haver uma sanção de não sei quantos jogos, de seis meses, de 10 anos. Não é por aí que Ronaldo poderá voltar ou não à seleção. A questão é: Ronaldo quis abandonar o estágio. Ronaldo, nesta altura, considera que essa decisão é irreversível, não só para este momento, mas também para os momentos seguintes e naquilo que eu acho que é também o mais importante. A relação com Jorge Jesus conheceu um ponto de ruptura, para mim, irreversível. E esse será sempre o problema para um regresso de Ronaldo. Se Jorge Jesus, se Pedro Proença, se Cristiano Ronaldo, se qualquer pessoa e adepto de Portugal gostaria que este fosse o fim, ninguém gostaria que este fosse o fim.

Claro.

Mas as circunstâncias ditaram que menos de 24 horas depois daquilo que foi uma ameaça e que poucos sabiam, porque na véspera Cristiano Ronaldo estava tentado com a ideia de abandonar o estágio, esta quarta-feira, depois da conferência e depois de provavelmente não ter ouvido aquilo que pretendia de Jorge Jesus, só o próprio depois poderá explicar quando decidir falar, Ronaldo tomou a decisão de abandonar o estágio e, neste caso, abandonar a seleção.

Mas o que achas que poderia estar à espera de ouvir? Um pedido de desculpas público de Jorge Jesus?

Eu não sei se propriamente um pedido de desculpas. Aquilo que eu assisti foi um Jorge Jesus, também depois da conferência de Ruben Dias, que eu acho que é uma conferência fantástica de um verdadeiro líder da seleção, com todas as interpretações que esta frase poderá ter pra quem goste mais ou menos do Ronaldo. Jorge Jesus, na conferência, era um treinador que tentou justificar aquilo que era a sua visão, mas era, sobretudo, um treinador confiante e até um treinador insuflado. Mas quando nós vamos ouvir depois as flashes de interview que ele deu às televisões que têm os direitos da transmissão do jogo, já vemos um Jorge Jesus mais receoso com as palavras, menos sorridente, mais cauteloso. O que houve entre um e outro momento? Uma chamada, que foi visível na parte inicial, que é aberta à comunicação social do treino, onde Jorge Jesus andava ao telefone antes de depois vir a correr até ao balneário e depois andar ali também a falar com algumas pessoas da federação. Aquilo que me parece é que Jorge Jesus, quando acaba a conferência, pensa: "Eu resolvi essa situação". E quando agarra no telefone, percebe: afinal, essa situação não vai ter uma solução. Se Ronaldo estava à espera de um pedido de desculpas, se estava à espera que Jorge Jesus explicasse melhor que tinha dito a Ronaldo que ele iria entrar 20, 30 minutos e que ele não cumpriu depois essa situação, acho que só o próprio poderá explicar. Parece-me importante nesta altura uma situação. É bom que todas as partes percebam que um bom resultado na Dinamarca e uma vitória no Dragão com a Noruega permite que Portugal fique muito provavelmente em primeiro do seu grupo desta Liga da Liga das Nações e permite ganhar vantagem em termos de sorteio como cabeça de série. Nesta altura, Portugal, convém recordar também, é o atual detentor do título da Liga das Nações. E, portanto, convém primeiro fechar esta parte e depois, aí sim, cada um dar a sua justificação.

Já vamos falar também de Pedro Proença nesta história do dia, fazemos apenas uma curta pausa. Estamos de regresso a esta história do dia sobre Cristiano Ronaldo e este possível adeus à seleção. Ora, Bruno José, já falamos aqui de Cristiano Ronaldo e de Jorge Jesus. Pedro Proença, que avaliação podemos fazer da gestão que tem feito de todo este processo?

Eu diria que Pedro Proença tentou fazer o possível, ficando a ideia de que poderá ter percebido demasiado tarde Da real proporção que aquilo que alguns até apelidavam de birra, afinal poderia ter. Quando Pedro Proença, na noite de terça-feira, viaja para Malmo, para se juntar à equipa, que não era suposto, ele deveria estar em São Miguel com o sub-21, que acabariam por confirmar a passagem à fase final do Campeonato da Europa da categoria e só iria viajar quinta-feira diretamente para Copenhaga. Pedro Proença, quando percebeu que havia um problema muito maior do que aquilo aparentava, tentou ainda resolver a situação. Há aqui uma dúvida que vai permanecer sempre e que só o próprio é que poderá explicar, eu diria, a seguir ao jogo de Portugal com a Noruega, no Dragão, no domingo. O que é que foi falado na reunião em que Pedro Proença esteve com Jorge Jesus e com Cristiano Ronaldo? Porque uma coisa é, na terça-feira à noite, Jesus e Ronaldo encontrarem-se, reunirem e saírem cá para fora, para a generalidade da comunicação social, digamos assim, informações, pelo menos de um dos lados, de que tudo tinha corrido bem, de que tudo estava, nesta altura, tranquilo. Mas há uma outra nota. Na manhã desta quarta-feira, quando Pedro Proença está com Ronaldo e com Jesus, a informação que vem também para fora é que de fato estava tudo resolvido e não estava. Assim como na terça-feira à noite não estava, na quarta-feira de manhã não estava. E só o próprio Pedro Proença, nesta altura, é que poderá ser o fiel da balança. Ele não precisa dizer: "O lado A tem razão, o lado B não tem razão". Aquilo que ele tem, apenas e só de contar, é: passou-se isto para acontecer isto. E nesta altura, diria que até mais do que as justificações de Ronaldo, essa intervenção de Pedro Proença ajudará e muito a perceber aquilo que se passou.

Bruno, para fecharmos, esta situação afeta a liderança de Jorge Jesus na Seleção Nacional e pode afetar também as ambições da Seleção Portuguesa para o que falta ainda desta Liga das Nações?

Vou dar uma resposta a dois níveis. Vou dar a um nível, que é aquele que eu menos gosto. Se pode afetar a imagem de Jorge Jesus, eu acho que sim. Por quê? Porque aquilo que eu me habituei a ver, sobretudo desde o Mundial 2022 para cá, e com incidência no Mundial 2026, onde tu também estiveste, é que mais do que ser ou não adepto de Portugal, há adeptos do Ronaldo e há não adeptos do Ronaldo. E entrámos nesta espiral que eu sinceramente não consigo perceber, nunca irei conseguir perceber, e muito menos a ver bots na internet e nas redes sociais a fazer campanhas pro ou contra o Ronaldo. É uma coisa que eu nunca irei perceber. Mas, em nota de curiosidade, foi a primeira vez que eu me recordo em Portugal, que houve, em termos de comentário, e já levamos muitas horas a falar do tema Ronaldo Jesus, foi a primeira vez onde eu comecei a ver ataques diretos de pessoas que são de determinado grupo de comunicação social contra outros que não são desse determinado grupo de comunicação social. E tudo porque Ronaldo é, como se sabe, um dos acionistas com 30% do grupo Media Livre. Nunca tinha havido isto, chegámos a este patamar e por aí se vê que a maneira como se vê o futebol e como se vive o futebol mudou tanto que chegámos a este extremo e por aí a imagem de Jesus pode ser beliscada. Eu prefiro olhar para o outro lado, que é aquilo que me interessa, que é em termos de grupo. E em termos de grupo, parece-me até que a imagem de Jorge Jesus sai reforçada. Por quê? Porque para todos aqueles jogadores, e muitos deles já se cruzaram com Roberto Martínez e Fernando Santos, portanto, tiveram outras experiências com o mesmo Ronaldo, mas outros selecionadores, aquilo que eles veem é um selecionador que, naquela altura em específico, podem ou não concordar, podem ou não achar. Se calhar, o mister podia não ter posto o Ronaldo a aquecer se ele não ia entrar. Até se pode dar esse barato. Agora, aquilo que um jogador da seleção nesta altura vê é: havia uma estratégia, havia uma ideia de jogo, havia um jogo que estava a falar com o treinador e ele tomou aquelas que considerou serem as melhores decisões para a equipe ganhar. E a equipe ganhou. É assim que se constroem os grupos. O dano colateral, que é muito mais do que isso, foi Ronaldo abandonar o estágio da seleção. Agora, em termos internos e em termos de grupo, não me parece, em nada, que Jorge Jesus saia fragilizado, antes pelo contrário.

Obrigado, Bruno.

Obrigado.

Bruno Roseiro é editor de desporto d'O Observador. Esta quinta-feira, em Copenhaga, há jogo da Seleção Nacional frente à Dinamarca. Jorge Jesus vai voltar a falar à imprensa. O jogo tem início marcado para às 19h45 e tem relato em direto aqui na Rádio Observador. Esta foi a história do dia. A sonoplastia é do Tomás Ferreira e a música do genérico, do João Ribeiro. Eu sou o Miguel Cordeiro. Até amanhã.

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