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Friday, September 18, 2026

Qual é o custo da incerteza para as PMEs?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sejam bem-vindos. Começamos mais um episódio do podcast Empresas em Transformação. Esta é uma parceria entre o Novo Banco e o Observador. Nesta série falamos do que está a mudar no mundo das empresas com os novos padrões ambientais e sociais. A cada episódio, um novo tema, convidados diferentes também. Hoje falamos de financiamento sustentável, o que está a mudar na relação entre o setor financeiro e as empresas. E vamos fazê-lo com a Joana Carvalho, CEO da SFCO, uma empresa de assessoria financeira para empresas, precisamente, e Alexandre Martins, vice-presidente executivo de Corporate Marketing do Novo Banco. Eu sou o Paulo Ferreira. Antes de mais, duas boas-vindas a ambos. É um gosto recebê-los aqui.

Obrigada.

Igualmente.

Joana, obrigado. Joana, começando por si, pode dizer-se que o financiamento sustentável, de facto, já é uma realidade consolidada ou ainda está reservado para certos nichos de mercado?

Muito bem, antes de mais, muito obrigada. É um gosto estar aqui. Quando falamos de financiamento sustentável, eu tenho uma visão um bocadinho particular do que é o financiamento sustentável, porque para mim, que estive muitos anos na área de risco crédito, para mim, financiamento sustentável são todos os financiamentos.

Porque tem a ver com o facto de financiar.

Exatamente. É impensável falar de um financiamento sem que ele seja sustentável. Aqui a grande questão, penso eu, tem a ver com a finalidade desse financiamento e também com o nível de maturidade das empresas na forma como gerem o seu risco ESG. O que isto quer dizer? Hoje em dia, quando dizemos que uma empresa tem que fazer financiamentos sustentáveis, o que implica que tenha que ter investimento sustentável ou ela própria tenha que estar num caminho que a torne um bocadinho mais sustentável, isto implica que a empresa tenha que, no fundo, fazer a sua transição. E no caminho da transição, obviamente dependerá das empresas, mas umas mais, outras menos, têm que fazer investimentos para conseguir fazer a tal transição para um modelo de negócios mais sustentável, e têm também, muitas delas, de forma significativa, de fazer a adaptação. Isto porque os riscos climáticos são uma realidade. Todas as empresas têm que lidar com eles. As PMEs não são exceção e, na verdade, qualquer empresa, seja ela mais pequena, maior, PME ou grande empresa, esteja ou não sujeita à questão do reporte. Na verdade, se quiser continuar a financiar-se, a financiar a sua atividade, a financiar os seus investimentos, tem que garantir que ela própria é sustentável, é resiliente.

A vários níveis.

A vários níveis, exatamente.

Ambiental, socialmente, financeiramente também.

Exatamente. Hoje em dia, para um banco financiar uma empresa sem ter em consideração os riscos ESG é impensável. Por isso, sem dúvidas.

Alexandre, precisamente neste ponto, e da perspetiva de um banco, neste caso do Novo Banco, como é que tem evoluído, de facto, a procura por linhas de crédito, as ditas verdes, se quisermos, ou indexadas a metas de sustentabilidade?

Sim. Eu diria duas coisas. Em primeiro lugar, que estou completamente de acordo com a visão da Joana. Os bancos têm exatamente a mesma visão, ou seja, o tema da sustentabilidade não é um tema de imposição externa, e eu acho que há dois ou três mitos que é importante tirar de cima da mesa rapidamente, até para que as próprias empresas possam olhar com mais confiança e com mais capacidade de execução para ambições de transição e de sustentabilidade. A sustentabilidade é a sustentabilidade do modelo de negócio. Não é de um objetivo verde ou cor-de-rosa em particular. Isso não é muito relevante. O que é relevante é se o modelo de negócio é sustentável. O que isso quer dizer? Quer dizer que a empresa tem que ter capacidade de continuar a operar, de continuar a crescer, continuar a competir. E para isso vai ter de lidar com uma série de problemas e desafios. Um desafio que se coloca sempre é o da sustentabilidade numa ótica energética ou da transição energética. O que nós estamos a ver nesse domínio, por exemplo, é que na conta de exploração das empresas está claríssimo, um, o aumento de custos energéticos e dois, a volatilidade dos preços desses custos.

Claro.

Eu não consigo ter um negócio sustentável se não souber qual é o meu fator de produção, custo de energia, amanhã, porque não sei que preço é que consigo praticar para ter a minha margem defendida. E, portanto, lidar com esse tema não é uma questão ESG, é uma questão de negócio. Sem isso não há negócio, não há empresa amanhã.

Viabilidade.

Claro. Portanto, as coisas já estão misturadas.

Na visão dos empresários, ao contrário do que às vezes se vai dizendo, que a sustentabilidade já entrou ou não entrou no cotidiano deles, já entrou-lhes pela porta adentro, eles conhecem isto bastante bem. Coisa diferente é falar de imposições regulatórias ou de categorização de financiamentos como verdes. E mesmo aí, há um aumento muito substancial. Para termos uma noção, por exemplo, no universo do Novo Banco, o financiamento a empresas classificado como sustentável, como verde, aumentou para o dobro entre 2024 e 2025.

Portanto, está a crescer a esse ritmo.

Está a crescer a esse ritmo. Este ano, os primeiros seis meses já levam um crescimento de dois dígitos, perto de 20% novamente.

Parte de uma base mais baixa também, não é? Mas, de qualquer forma, o peso é cada vez maior.

Sim, mas neste momento, na banca portuguesa, eu diria que o financiamento tradicional, que está alinhado com critérios de financiamento verde, não necessariamente com a taxonomia europeia, que é um pouco mais exigente, mas com o financiamento sustentável pelos critérios da banca, eu diria que neste momento um em cada € 4 financiados na banca já é classificado.

25%, por aí. Joana, olhando agora para as PMEs em concreto, muitas delas olham para estes critérios ESG, de facto, como algo que é exclusivo ou que só as grandes empresas É que podem pôr em prática, porque muitas vezes é preciso, de facto, pessoas qualificadas, departamentos e por aí fora. Como é que no seu caso da SCFK explica para um empresário de uma empresa mais pequena, não de um grande grupo, que ele tem ali uma oportunidade e tem vantagens em adotar uma série de critérios?

Certo. Quando nós olhamos para o nosso tecido empresarial, e de facto Portugal é composto essencialmente por PMEs. E na verdade, eu sou daquelas pessoas que acha que nós temos ótimas empresas, temos empresários brilhantes que conseguiram escalar os seus negócios de uma forma incrível. Agora, o que se passa nas PMEs, que é muito diferente de uma grande empresa, é que os empresários, na maior parte dos casos, estão muito sozinhos, ou seja, não têm uma estrutura de apoio como existe numa grande empresa, em que permite criar um responsável da sustentabilidade, em que permite, no fundo, alocar responsabilidades. Até porque geralmente este tema da sustentabilidade, ou se quisermos, eu gosto mais de chamar de gestão de risco, porque na verdade, para mim, sustentabilidade é gerir risco, é disso que falamos.

Certo. E tudo isto depois se traduz em riscos, não é?

Exatamente. A partir do momento em que as empresas conhecem os riscos a que estão expostas, sejam eles quais forem, e os medem, e os gerem e mitigam, estão a caminhar para maior sustentabilidade, maior competitividade e resiliência no futuro. Mas a questão é que para as PMEs, e que é muito difícil, eu reconheço, é que não têm modelos de governance implementados, ou seja, por isso não têm modelos de gestão de risco que lhes permita, no fundo, sequer fazer esta identificação de que riscos é que nós vamos enfrentar no futuro e como é que podemos preparar-nos para lidar com eles.

Trabalham sem mapa, quase, não é?

Exatamente. Temos muitas empresas e algumas até já com uma grande dimensão, em que temos o empresário, depois temos a equipa mais operacional e há uma grande concentração de competências no empresário. E por isso é muito mais difícil para um empresário que já tem que lidar com o negócio, e obviamente o principal é lidar com o negócio, ter que pensar: "Ok, mas agora há um conjunto de riscos novos, teoricamente, porque não são assim tão novos, que eu tenho que começar a gerir, o que é que eu faço?" E muitas vezes, isto já nos aconteceu, temos empresas que nos dizem: "Bem, os nossos bancos estão nos a pedir agora elementos diferentes. Ajude-nos lá a perceber como é que nós respondemos ao banco, porque nem sabemos como responder". Já tive situações destas.

É que é um mundo novo e critérios novos. Alexandre, esta questão dos bancos, vocês são esse protagonista, não é? Que está do outro lado muitas vezes.

Somos, foi o papel que de alguma maneira nos ficou reservado, eu julgo, por dois fatores essenciais. O primeiro, um movimento global dos nossos decisores políticos e dos nossos reguladores que, percebendo a importância da sustentabilidade do ponto de vista estratégico, até nomeadamente no contexto da União Europeia, precisavam de encontrar mecanismos de passar isto para o terreno. E pode-se passar isto para o terreno de várias maneiras. Há mecanismos que são, por exemplo, criar regras que as empresas diretamente têm de cumprir. Outros mecanismos é usar correias de transmissão, a banca é uma delas, e dizer: "Ok, no âmbito de um processo de financiamento, para lhe aceder é preciso cumprir determinados critérios, é preciso responder a determinadas coisas". Como é que se faz isso? Criando regras para os bancos, que depois acabam por transmitir, qual correia de transmissão, esses critérios às empresas. E daí vêm estes desafios.

São um bocadinho fiscais também.

Eu diria parceiros, na verdade.

Parceiros, claro. Mas aquela ideia de que, de facto, para passar no vosso crivo, começa a ser cada vez mais necessário cumprir uma série de critérios, não é? No vosso crivo de análise de financiamento.

Sim, mas aqui pegando um bocadinho na ideia que a Joana trazia há bocadinho, esses riscos não são propriamente novos. E sempre se mediu os riscos. O banco sempre olhou para uma empresa e uma pergunta fundamental é: quando pede um financiamento, o que é que vai fazer com o financiamento e por que eu devo acreditar que vai ser capaz de ser bem-sucedido no investimento que vai fazer e, como tal, ser capaz de me reembolsar o financiamento que eu vou fazer. Esta é a pergunta básica de qualquer financiamento. Isto implica olhar para todos os riscos. Se há mais riscos numa componente de sustentabilidade, numa componente ambiental, numa componente energética, eu tenho que olhar para isso.

Tens que avaliar.

Como faço todos. Não é por estes serem especiais, é por eles existirem e serem relevantes. Como olharemos para outros riscos quaisquer.

Além disso, a regulação bancária tem evoluído imenso nos últimos cinco anos.

A EBA é a European Banking Authority.

Sim, o regulador bancário europeu tem, desde há cinco anos esta parte, mais ou menos, novas guidelines que forçam os bancos a incluir o risco ESG no seu processo de análise de concessão de crédito. Aliás, o Alexandre saberá isto melhor que eu, mas os bancos fizeram todos um esforço enorme para rever todos os seus frameworks, a forma como medem o risco, como analisam os elementos que pedem às empresas. Por isso, qualquer PME, mesmo quem ainda esteja a achar que não é uma coisa para si, que é mais para as grandes empresas, porque muitas vezes tende-se a confundir um bocadinho ESG com questões de reporte.

Sim, sim. Que é preciso um gabinete, uma equipa para fazer relatórios.

Aí, sim, o reporte, hoje em dia sabemos que está muito mais concentrado nas grandes empresas, e bem, porque a parte mais burocrática, mais formal, mais pesada, as grandes empresas têm mais capacidade para lidar com isso. Mas isso não implica que as PMEs não tenham que fazer nada, bem pelo contrário.

Até porque as cadeias de valor são cada vez mais distintas.

Exatamente.

Joana, no caso das PMEs, há pouco também interrompi-a nisto. No seu trabalho de consultoria, quais são as maiores dificuldades que as PMEs têm, sendo certo que elas têm que entrar neste caminho, que elas têm precisamente para abordar este tema?

Certo. Eu acho que começa primeiro com a informação. Falou-se muito de ESG, falou-se muito de sustentabilidade, mas infelizmente Falou-se muito na ótica da comunicação e do reporte. E eu acho que isto levou a que muitas empresas tendessem a apostar muito na lógica do marketing, da comunicação, porque parecia que só isso é que era importante. Faltou, se calhar, explicar o essencial. E o essencial é que hoje em dia se espera que qualquer empresa, independentemente da sua dimensão, faça uma introspeção, olhe para dentro da sua empresa e perceba que riscos é que se nos colocam, quais são os riscos mais materiais, como é que isto pode afetar a minha viabilidade futura e o que eu posso fazer para já. E onde é que as empresas têm dificuldade? Têm em fazer esta avaliação, muitas vezes.

Começa logo pelo diagnóstico, é isso?

Exatamente.

A avaliação de processos, não é?

Perceber exatamente o que tem que fazer. Depois, começa pela informação. A maior parte das empresas não tem esta informação em sistemas, não tem esta informação compilada. Na verdade, aquilo que as empresas eram obrigadas até há algum tempo atrás era publicar as IEs.

Claro.

Informação Empresarial Simplificada. A contabilidade é algo que toda a gente sabe perfeitamente o que tem que fazer.

E está definido há muito tempo, as contas, o sistema de contas é padronizado.

Há um sistema de contas universal. No caso dos riscos ESG não é assim. Por isso, na verdade, muitas empresas não têm esta informação, não sabem como a compilar, nem os seus sistemas estão preparados.

E para vocês também.

Exatamente. Isto é uma dificuldade grande. Depois disso, é também a questão de estruturar bem a informação que apresentam aos bancos. E aqui muitas vezes o que acontece é que as empresas quando querem um financiamento, deslocam-se logo ao banco. Isto é complicado, porque na verdade, antes de se deslocar ao banco, devem parar e perceber para que precisam de financiamento.

E a tal sustentabilidade.

Estruturar bem a sua informação, colocar-se no papel do banco e pensar o que o banco vai precisar de mim e de que forma é que eu lhe posso apresentar isto para que ele fique convencido que é um bom financiamento.

E Alexandre, pegando agora no papel do banco e na relação do banco com a empresa, será que ela no futuro vai evoluir de um mero financiador, que obviamente tem que avaliar e tem que fazer as contas todas para garantir pelo menos a sustentabilidade financeira do financiamento, mas se vai ser também um consultor ativo, esta tarefa que a Joana estava a indicar nesta transição.

Eu diria que já é. Até separaria isto em dois eixos, se quiser. Em primeiro lugar, os bancos já são consultor ativo dos clientes na estruturação dos seus financiamentos, independentemente do tema do ESG, há muito tempo. Aliás, no Novo Banco, em particular, uma das coisas que nos tem distinguido sempre, é por isso que nós somos o banco líder no segmento das pequenas e médias empresas, que é o segmento dominante da economia portuguesa, é precisamente a proximidade aos clientes e o conhecimento dos clientes que sempre tivemos. Portanto, o banco atua e é normal esta reação que a Joana ainda agora mencionava, isto é o padrão. Eu tenho uma ideia, acho que ela funciona para o meu negócio, vou falar com o meu banco para ver como é que consigo arranjar uma solução de financiamento.

Certo.

O banco não está aqui numa posição de juiz. O banco está aqui numa posição de parceiro. Só faz sentido financiar, se for uma coisa que vai funcionar para a empresa, que vai dar resultado, que vai acrescentar valor. Se assim for, o banco é o primeiro a querer financiar. Portanto, eu não vejo isto tanto numa lógica de dicotomia, mas muito mais numa lógica de parceria. Quanto à sua pergunta que é: Ok, e em termos de ESG, como é que isto vai funcionar? Eu acho que vai funcionar exatamente da mesma maneira. Ou seja, os bancos têm vindo a capacitar-se cada vez mais para perceber bem quais são os desafios que as empresas enfrentam, quais são as maiores dificuldades que têm, que tipo de ferramentas é que podem disponibilizar e que tipo de apoios é que podem dar. Um dos apoios que damos, por exemplo, a ESF Go é nosso parceiro e nós temos uma rede de parceiros que aconselhamos aos nossos clientes, sempre que percebemos que o grau de complexidade da tarefa ou do desafio ou do investimento que têm em mãos o justifica, para poderem ser apoiados por parceiros especializados neste caminho.

Que sabem qual é o caminho, claro.

Do investimento sustentável. Quando assim não é, e há muitos casos em que não é, são casos de menor dimensão em que isto não é financeiramente sustentável fazer um grande investimento de estruturação no montante de investimento relativamente pequeno, aí já tem que ser o banco a cumprir esse papel, e nós temos muitas empresas de dimensão relativamente reduzida, em que é fundamental que os bancos sejam capazes de cumprir esse papel para os emprestados terem esse apoio que vão precisar, que já estão a precisar e que vai ser ainda mais necessário nos próximos tempos. Portanto, eu acho que aí o papel do banco como parceiro é imprescindível.

E está a evoluir esse sentido.

Sem dúvida.

Estamos aqui quase a chegar ao fim do nosso tempo, mas ia pedir a ambos agora para terminar, que se coloquem no papel de um gestor que nos está a ouvir, de uma pequena e média empresa, que quer começar a preparar, de facto, a sua empresa para ser elegível a um financiamento dito sustentável, nesta lógica de financiamento verde, todos devem ser sustentáveis financeiramente. Joana, qual deve ser o primeiro passo que este gestor deve dar?

Eu gostava de dar aqui dois conselhos.

Vamos a isso.

Se me permite. O primeiro é que para começar, eu acho que é importante o empresário sentar-se com algumas pessoas da sua empresa, que no fundo representem as várias áreas da empresa, e fazer uma reflexão de forma transversal, e eu friso a questão de ser transversal, porque de facto quando falamos destes riscos, não podemos olhar de forma individualizada para cada uma das áreas da empresa. É preciso pensar o negócio de uma forma integrada, porque há muitos riscos que se interligam.

Claro.

E fazer esta reflexão interna de perceber quais são as principais ameaças que enfrentam e de que forma é que, no fundo, podem transformar essas ameaças em algo mais previsível e estável, que na verdade, é isso que os bancos procuram.

A tal gestão do risco.

Que é as coisas previsíveis e estáveis. Pronto, por isso, fazer esta reflexão é super importante. Depois, em segundo lugar, eu não gosto muito deste conceito que se criou à volta do ESG, em que se diz: "É um custo ou é uma oportunidade". Para mim, isto não existe. Essa não é a questão central, se é um custo ou uma oportunidade. A questão central é Qual é o custo da incerteza de não se conhecer quais são os riscos a exercer? Esta, sim, é a questão fundamental, porque a incerteza que existe quando uma empresa não faz esta avaliação, aí sim, vai se transformar em custos elevadíssimos, porque quem não conhece, não gere, não mede e não consegue explicar a ninguém.

Não previne, não se prepara.

Nem ao banco, nem aos seus clientes, de que forma está preparado para enfrentar o futuro. E por isso o custo da incerteza, esse sim, pode se traduzir em spreads muito mais elevados, porque obviamente o que define os spreads dos bancos não é ser verde ou não ser verde, é o risco.

Claro.

E na verdade, o ser verde ou ser sustentável está implícito no custo do risco. E por isso, uma empresa que tenha uma incerteza muito grande associada ao seu futuro vai ter mais custo de financiamento e no limite, pode perder acesso ao financiamento. Não é por acaso que se nós virmos os dados do Banco de Portugal, percebemos que a maior parte dos financiamentos às PMEs é de curto prazo. Isto é por quê? Porque a maior parte das empresas não tem capacidade de dar a informação e a certeza.

De ter um horizonte de visibilidade.

Exatamente, que os bancos precisam para assumir risco de longo prazo.

Claro.

Isto depois pode se traduzir em questões de liquidez, problemas de liquidez para as empresas, porque tantas estão a financiar a curto prazo investimentos que deveriam financiar de médio e longo prazo.

E provavelmente as condições financeiras são melhores no curto prazo.

Exatamente. É o que eu acho que as empresas têm que pensar, ou seja, é na vantagem que existe em apostar nesta avaliação interna para conseguirem manter o seu negócio no futuro.

No fundo, fazer o diagnóstico, conhecerem elas próprias esse nível de gestão de riscos. Alexandre, a mesma questão.

Sim, eu diria que feito isso, faz todo sentido que o passo seguinte seja mesmo falar com o parceiro financeiro. Isto por quê? Porque os bancos, o Novo Banco em particular também, estão capacitados para fazer várias coisas. Por exemplo, se nós estivermos a pensar num investimento, uma das coisas que vamos querer saber é: existem linhas de crédito que estejam mais adequadas para este tipo de financiamento? Algumas delas até com apoios. Existem, por exemplo, linhas de crédito garantidas pelo Banco Português de Fomento, que dão capacidade aos empresários para fazer duas coisas. Uma, ter mais maturidade nos empréstimos, ou seja, mesmo quando os bancos não estão disponíveis para ir tão longe, se for numa linha destas, estão disponíveis para alongar o prazo e para ter um prazo que está perfeitamente alinhado com as necessidades de financiamento da empresa. Um.

O que torna tudo menos pesado.

Torna tudo menos pesado. Dois, tem um financiamento mais competitivo do ponto de vista de preço. Isso também é importante para dar sustentabilidade ao respectivo financiamento. E três, os bancos conhecem bem estas linhas, conhecem bem as características e conhecem bem os critérios de elegibilidade. Num segundo nível, também temos outro aspecto que me parece importante, que é esta estruturação de financiamentos, mesmo quando não passa por linhas deste estilo, garantidas. Existem também linhas internas dos bancos, existem linhas que os bancos contratam, por exemplo, com o Banco Europeu de Investimento, que nós temos. Neste momento, temos uma linha em que temos uma diferença de preço relevante, com garantia do Banco Europeu de Investimento, em que nos comprometemos a investir pelo menos 30% desse montante em financiamento sustentável. Portanto, os bancos têm esta capacidade de apoiar os clientes a fazer esta estruturação. Portanto, eu acho que o segundo passo que a empresa quer fazer é mesmo ir ter com o parceiro financeiro para perceber a melhor maneira de o fazer. Sem dúvida que se o parceiro financeiro também entender que a empresa vai precisar de uma ajuda mais especializada, e no Novo Banco fá-lo-emos no momento dos riscos, seguramente, seremos os primeiros a encaminhá-lo para um dos vários parceiros com quem temos acordos e que sabemos que têm a capacidade e o know-how, como é o caso da ECF e outros, para apoiar os clientes nesse processo de estruturação do seu investimento.

Muito bem, é preciso começarem também por fazer esse diagnóstico. Alexandre Martins, Joana Carvalho, foi um gosto recebê-los aqui neste episódio de "Empresas em Transformação". Esta é uma parceria entre o Novo Banco e o Observador. Nós voltaremos proximamente com um novo episódio, novo tema e certamente novos convidados. Até lá.

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