Um mês após morte de gestante de 18 anos durante parto, mãe espera por apuração do caso: 'Justiça'

Após um mês da morte da estudante Maria Raissa da Silva Moura, de 18 anos, a família ainda espera respostas sobre as circunstâncias do caso. A jovem faleceu durante o nascimento do primeiro filho, Bernardo, em Sena Madureira, no interior do Acre, no dia 18 de agosto.
Raissa morreu após sofrer eclampsia e convulsões depois de dar à luz no Hospital João Câncio Fernandes. Segundo a família, ela havia feito o acompanhamento pré-natal com um médico particular e tinha histórico de pressão alta durante a gravidez.
Kelle da Silva e o neto Bernardo, de um mês de vida; Maria Raissa morreu durante o parto — Foto: Arquivo pessoal
"Peço justiça pelo que aconteceu com a minha filha, para que isso não venha a acontecer de novo. Eu não tive nenhuma resposta ainda nem do lado do delegado, nem do Ministério Público (MP-AC). Ninguém me avisa como está. Vai ser preciso ir atrás para eu saber no que estão mexendo", critica.
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O delegado responsável pelo caso, Thiago Parente, informou ao g1 ainda nessa segunda-feira (21), que as investigações continuam, mas que o procedimento foi colocado sob sigilo e, por isso, não pode fornecer detalhes.
A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou que não possui novas informações sobre o caso. Segundo a pasta, após a saída do hospital, a situação deixa de estar sob responsabilidade da pasta. A reportagem procurou o MP-AC e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta.
Raissa tirou foto ao lado da mãe antes de entrar na sala de cirurgia — Foto: Arquivo pessoal
Saudade e nova rotina
Enquanto aguarda respostas sobre a morte da filha, a família mantém os cuidados do bebê Bernardo. Segundo a avó, ele está saudável e tem apoio do pai e dos parentes paternos.
"É uma criança saudável, não sente nada. É bem calmo, tranquilo. E o pai do Bernardo ajuda a gente. Todo dia vem ver ele, está com a gente. A família dele também vem visitar o Bernardo", aifrma.
A avó diz que a convivência com o neto também mantém viva a lembrança da filha. "É tão difícil. Eu olho para ele e vejo ela. Ela falava: ‘Mãe, eu sinto que o Bernardo vai ser meu clone' e realmente é", relata.
"Era minha companheira para tudo. De feira, de casa, de pagar dívida da casa. Sempre foi aquela filha muito amiga, que nunca quis me abandonar. Eu quero justiça. Não quero que deixem para lá, porque a gente é uma família humilde e embora as pessoas que fizeram isso tenham dinheiro, eu quero uma resposta", relembra.
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