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Thursday, September 24, 2026

Armas para Taiwan podem ser moeda de troca no encontro entre Xi e Trump

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Para o líder chinês, Xi Jinping, um objetivo importante de seu encontro com o presidente Donald Trump pode ser convencê-lo a continuar adiando os US$ 14 bilhões (R$ 72 bilhões) em vendas de armas dos Estados Unidos a Taiwan que estão em análise.

Há muito tempo, a China reivindica como seu território a ilha autogovernada, e Taipé depende do poderio militar americano para se contrapor às ameaças militares de Pequim.

No último encontro entre os dois, Xi advertiu Trump de que uma condução equivocada das tensões em torno de Taiwan poderia ser "extremamente perigosa" para os EUA e a China —um lembrete do risco de uma crise entre duas potências nucleares.

"Há apenas uma questão que poderia fazer as relações entre os dois lados entrarem em colapso ou levá-los a um conflito: Taipé", diz Xin Qiang, diretor do Centro de Estudos sobre Taiwan da Universidade Fudan, em Xangai. "Exigir a continuidade do adiamento de qualquer venda de armas talvez seja a questão mais crucial."

O presidente americano descreveu o plano de venda de armas como uma fonte de poder de barganha com os chineses. Após sua cúpula de maio com Xi, em Pequim, Trump disse ter discutido o acordo com o líder chinês. "Francamente, é uma ótima moeda de troca para nós", disse na ocasião.

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Desde então, o republicano vem adiando a aprovação do pacote de mísseis, armamentos antidrones e sistemas de defesa aérea. Seu governo também reduziu as referências públicas a Taiwan: autoridades, entre elas o secretário de Defesa, Pete Hegseth, evitaram ostensivamente mencionar a ilha em discursos.

Para Pequim, a disposição de Trump de adiar as vendas de armas já representa um ganho. Em Washington, Xi poderá insinuar possíveis consequências caso o presidente aprove a venda, incluindo mais restrições às exportações chinesas de terras raras. Xi também poderá sinalizar que talvez não compareça à cúpula do G20 de dezembro, em Miami, que será presidida pelo republicano.

Trump, por sua vez, pode querer que Pequim aumente a pressão sobre o Irã para reabrir o estreito de Hormuz, via marítima crucial para o abastecimento mundial de petróleo e gás que o Irã mantém efetivamente bloqueada desde o início da guerra, em fevereiro.

"Acho que, em Pequim, vimos o lance inicial do que será uma estratégia sofisticada para levar o governo Trump a reduzir o apoio a Taipé", diz David Sacks, pesquisador do Conselho de Relações Exteriores que estuda as relações da Casa Branca com Taipé e Pequim. "Xi usará seus encontros com Trump em Washington para continuar implementando essa estratégia."

O adiamento das vendas de armas é uma dor de cabeça política para o presidente de Taiwan, Lai Ching-te. Ele tem defendido o aumento dos gastos militares e das compras de armamentos americanos, em parte para atender às próprias exigências do governo Trump de que os parceiros invistam mais em sua defesa. A demora do presidente americano pode dificultar a defesa dessa agenda por Lai.

Atrasos mais prolongados poderiam dificultar o avanço dos objetivos militares da ilha, em parte por empurrar a ilha ainda mais para o fim da fila de encomendas de equipamentos militares escassos, disseram alguns especialistas.

"No fim das contas, trata-se de um jogo em que os chineses tentam prolongar esse processo pelo maior tempo possível, com a ideia de que, se os chineses conseguirem avançar mais rapidamente do que Taipé consegue adquirir capacidades, o equilíbrio continuará pendendo a favor de Pequim", diz Ryan Hass, ex-diretor para a China no Conselho de Segurança Nacional e pesquisador sênior da Brookings Institution.

Alguns especialistas disseram esperar que o republicano continue adiando a aprovação de qualquer venda de armas a Taiwan pelo menos até o fim deste ano. Outros afirmaram que a autorização para alguns armamentos poderia vir antes.

Membros do Partido Republicano e do Partido Democrata no Congresso provavelmente aumentarão a pressão sobre o governo para aprovar as vendas de armas propostas após a cúpula, diz Sacks.

A questão das armas evidenciou as dificuldades da ilha para manter Trump ao seu lado. Taipé não mantém relações diplomáticas formais com Washington, e o estilo pouco convencional e imprevisível de Trump torna mais difícil para a ilha compreender e influenciar as decisões americanas, segundo especialistas.

"Com um governo tão centralizado, creio que isso prejudica a capacidade dos taiwaneses de compreender realmente bem o que está acontecendo e de ajudar a moldar e influenciar esse processo", diz Laura Rosenberger, ex-integrante do governo Biden que supervisionou as políticas americanas para a China e Taiwan.

Em seu primeiro mandato, o republicano aprovou cerca de US$ 18 bilhões (R$ 92 bilhões) em vendas de armas a ilha, e integrantes linha-dura de seu governo se concentraram em Pequim como uma ameaça de longo prazo.

Mas, no segundo mandato, Trump tem enfatizado relações pragmáticas com a China, recuando em grande medida de uma guerra comercial depois que Pequim restringiu severamente as exportações de terras raras, essenciais para smartphones e tecnologias avançadas.

Taipé tem procurado preservar sua influência cultivando relações com o círculo mais próximo de Trump, contratando lobistas e organizando visitas à ilha para apoiadores de destaque do presidente.

Mas alguns funcionários taiwaneses que viajaram aos EUA também foram orientados por autoridades do governo Trump a reduzir suas visitas a centros de pesquisa em Washington, diz Hass. "Tudo isso apenas revela uma clara preferência do presidente por garantir que Taiwan não se torne um obstáculo às suas ambições em relação à China", afirma.

Ainda assim, a relação de segurança da ilha com a Casa Branca continua sólida. Autoridades e especialistas afirmam que os vínculos de trabalho entre órgãos governamentais permaneceram estáveis e até se aprofundaram.

Durante os exercícios militares anuais Han Kuang de Taiwan, no mês passado, assessores americanos estiveram mais visíveis do que em anos anteriores.

Em uma recente entrevista coletiva, o ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, falou de forma evasiva sobre o número crescente de "professores americanos de inglês", um eufemismo para os assessores militares de Washington cuja presença irrita Pequim.

"Nossos amigos no governo Trump entendem a importância da continuidade das vendas de armas para a defesa de Taipé", disse em entrevista Chen Ming-chi, vice-chanceler responsável pelas relações com a Casa Branca.

A importância da ilha como parceira comercial americana também cresceu acentuadamente; neste ano, a ilha ultrapassou os chineses e se tornou a terceira maior origem das importações americanas, atrás de México e Canadá, segundo dados dos EUA.

A maior parte dessas importações consiste em semicondutores e outros equipamentos de alta tecnologia que sustentam o boom da inteligência artificial no país. Autoridades taiwanesas esperam que esse crescimento acabe ajudando a consolidar o apoio americano.

"Provavelmente somos o parceiro mais cooperativo do mundo quando se trata de tarifas e investimentos nos EUA", disse Chen.

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