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Wednesday, October 7, 2026

Convento religioso argentino que virou ‘Inferno na Terra’ inspira nova série da HBO Max: chicotes de couro, correntes de arame farpado e mordaças

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A nova minissérie dramática 'Confinada', que estreou em outubro na HBO Max, é baseada na história real de religiosas argentinas que denunciaram o Monastério das Monjas Descalças de Nogoyá por maus tratos.

O caso veio à tona em agosto de 2016 com a publicação dos relatos de monjas – freiras enclausuradas – sobre castigos físicos com varas e chicotes, além da privação de liberdade. A reportagem da revista Análisis levou a polícia a investigar as denúncias.

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Na série, o comportamento cruel da Madre Superiora Irmã Cecília leva à morte de jovens freiras. A personagem é inspirada em Luisa Ester Toledo, 72, que assumiu o comando do convento de Nogoyá em 2006 e adotou o nome Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade.

Três anos depois das primeiras denúncias, Toledo foi condenada a três anos de prisão por privação ilegítima da liberdade, duplamente qualificada pelo uso da violência e de ameaças. Enquanto o recurso de sua defesa era julgado, o Vaticano dispensou-a de seu cargo de comando em Nogoyá e a transferiu para um convento em Buenos Aires.

Em 2021, o Supremo Tribunal de Justiça de Entre Ríos negou por definitivo o recurso da defesa e manteve a condenação de Luisa Ester Toledo, transferindo-a para a Unidade Penal de Mulheres do Paraná.

No Monasterio de las Carmelitas Descalzas de Nogoyá, as freiras ficavam enclausuradas, sem conviver com a sociedade externa. Esta restrição fazia parte do "contrato" de dedicação total à vida religiosa em busca de paz espiritual. Mas a rotina de medo, violência e privação ia muito além do que prega a religião.

Uma das vítimas afirmou, em depoimento que consta na sentença de Luisa Toledo, que foi impedida de abandonar o convento após manifestar seu desejo à superiora.

"Ela me disse que 'uma esposa de Cristo nunca tem de pensar em abandonar a casa de Deus', e para nunca pedir aquilo de novo", recorda Silvia Graciela Albarenque, 45. "Por anos, eu falava e ninguém me escutava. Pedia para sair e não me deixavam. Quando finalmente consegui sair, falei com o bispo e ele não acreditou em mim."

Roxana Andrea Peña, que diz ter sido mantida no local contra sua vontade por um ano e meio, descreve: "Presa ali, estava morta em vida. Para mim, era um inferno na Terra."

Depois das denúncias na imprensa argentina, a Polícia entrou no convento pela primeira vez para investigar. Ali, encontraram chicotes de couro de 50 centímetros, endurecidos com cera e trançados em nós; correntes de arame farpado e mordaças caseiras feitas com embalagens plásticas de suplementos vitamínicos e elásticos, para prender em torno da cabeça.

Silvia foi uma das monjas forçadas a usar a mordaça. "Me fizeram usar por uma semana por retrucar. Eram como embocaduras de cavalos, com o tubo na boca."

A defesa da Madre Superiora

Luisa Toledo sempre negou as acusações, afirmando ter usado apenas os métodos e ferramentas de disciplina aprovados pelo Papa João Paulo II. Ela justifica as denúncias de cárcere dizendo que "nunca recebeu solicitações formais pedindo para deixar o convento".

Preciso dizer diante de Deus que nunca torturei ninguém, e se tivesse torturado, eu mesma teria me denunciado. Eu me matei cuidando desta comunidade. E as irmãs Albarenque e Peña, eu as amo, de coração.

"Estes tormentos que [as monjas] dizem existir no convento nunca aconteceram nem acontecerão", disse. Para ela, os rituais de penitência são conduzidos "com muito amor e entrega, pela salvação das almas".

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