18h. Ventura diz que problema na habitação já tem anos
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Boa tarde, vamos às notícias. Jornal das seis com José Rafael Lopes e José André Ventura diz que o problema da habitação já tem anos e que o país tem razões para estar desiludido com o governo.
O presidente do Chega anunciou hoje que o partido vai apresentar um pacote legislativo de emergência para a habitação, propondo aumentar as deduções em IRS e admitiu até déficit orçamental para financiar essas medidas. O líder do Chega garante que o problema da habitação é antigo, mas que isso não pode justificar o desrespeito pelas forças de segurança ou a destruição de patrimônio. Na reação a estas manifestações, quer no Porto, quer em Lisboa, André Ventura aponta ao governo e admite que os manifestantes têm até alguma razão nos protestos.
Por isso, o país tem razões para estar desiludido, incomodado e frustrado com as políticas, quer do Partido Socialista de Habitação, quer do PSD de Luís Montenegro, desde 2024.
André Ventura a reagir às manifestações contra o preço da habitação em Portugal, um problema que, para o líder do Chega, já tem um culpado bem definido.
Se continuarmos a deixar gente entrar indiscriminadamente, não haverá nem saúde, nem habitação, nem nenhum dos segmentos da vida social que precisamos, porque não há condições de responder a entradas de 20% a mais de população no território.
As críticas de André Ventura à entrada de imigrantes em Portugal. O líder do Chega propõe então esse plano legislativo de emergência para responder à crise de habitação em Portugal. André Ventura quer reavaliar o IMI e um aumento de 50% nas deduções em IRS.
O secretário-geral do PS diz estar solidário com a causa das manifestações no Porto e em Lisboa, mas pede respeito pelo Estado de Direito.
Que, no entender de José Luís Carneiro, tem estado a acontecer em ambos os pontos da manifestação. No Porto, o líder do PS diz compreender as razões dos manifestantes e assegura ver com bons olhos o pedido da Provedora de Justiça para obter mais informações sobre a carga policial na madrugada de quinta-feira, que deixou quase 40 feridos. José Luís Carneiro insiste ainda que os portugueses mantêm esse direito fundamental de se manifestarem.
O direito de manifestação é um direito fundamental. Ele deve compatibilizar-se com a ordem pública, com a segurança de todos. É esse equilíbrio que deve ser garantido por parte de quem se manifesta, que tem, naturalmente, a minha solidariedade, porque quem se manifesta está a manifestar-se por um direito fundamental, está a manifestar as suas dificuldades para enfrentar o custo de vida, o custo de vida com a habitação, o custo de vida com os combustíveis. E, portanto, eu estou solidário com essa causa. Devem procurar fazê-lo no respeito pelo Estado de Direito e pela legalidade democrática, e é isso que eu julgo que tem estado a acontecer, e por isso a Inspeção-Geral da Administração Interna vai apurar as responsabilidades, as eventuais responsabilidades.
José Luís Carneiro a reagir a essas manifestações e também a esse pedido da vereadora de Justiça de obter mais informações sobre a carga policial da madrugada de quinta-feira, que deixou quase 40 feridos na cidade do Porto.
E os protestos ainda decorrem, quer no Rossio, quer na Praça Dom João I, com centenas de tendas montadas.
Nesse protesto pelo direito à habitação, com promessas de mais uma noite de manifestação, vamos fazer uma ronda pelos repórteres da Rádio Observador em ambas as cidades. Começamos por Lisboa, onde está o Carlos Pedro. Carlos, terminou há instantes uma assembleia popular e agora segue-se música.
Sim, José, precisamente um concerto. Não te consigo dizer o nome da banda, mas está tudo aqui montado pra um concerto e já se ouve, de resto, música. São manifestantes que fazem parte desta acampada. É mais uma atividade organizada pela organização desta acampada, depois de praticamente duas horas e meia de discursos contra o governo, contra as políticas de habitação, nomeadamente a nova lei do arrendamento e também contra o aumento do custo de vida. Estes manifestantes continuam a insistir na ideia de que esta lei vai facilitar os despejos e, portanto, contribuir para a precariedade. Exigem, por isso, que o governo deixe cair o projeto de lei. Ameaçam mesmo ficar aqui até que isso aconteça, mesmo apesar de o ministro Carlos Abreu Amorim ter dito que o governo não iria recuar perante os gritos que vêm da rua. Ora, estes manifestantes dizem que se o governo não recua agora, então é preciso continuar a sair à rua e gritar mais alto. De resto, multiplicam-se os apoios para que precisamente mais pessoas se juntem aqui a este protesto. É isso que tem acontecido ao longo desta tarde, o que aconteceu ao longo das duas horas e meia de discursos. Chegamos aqui, de resto, de manhã, com dezenas de pessoas. Agora, a uma hora dessa assembleia popular agendada para às 19h, não aqui na Praça do Rossio, mais ao lado. Falta cerca de uma hora pra isso. Já são centenas de pessoas aquelas que se juntam precisamente no Rossio. Há pouco cantou-se também a música "Grândola Vila Morena", iniciada por uma criança, até porque, como vamos percebendo nesta manifestação, ou esta manifestação reúne pessoas de todas as faixas etárias, pelo menos durante o dia. À noite, sabemos, a coisa é mais complicada. Os manifestantes continuam a encher aqui a Praça do Rossio. O protesto continua também a captar o interesse das muitas pessoas que passam por aqui, sobretudo estrangeiros, turistas. Prometem estas pessoas que fazem parte da acampada ficar aqui mais uma noite dentro, apesar de eles próprios não saberem como vai ser essa noite. Ontem não houve qualquer problema. O desejo para hoje é que o destino seja o mesmo, mas não falando com as autoridades, fica difícil prever o que pode acontecer. Certo é que as pessoas continuam aqui acampadas e os apelos para que as tendas continuem na Praça do Rossio e para que cheguem até mais tendas vão também continuar a surgir nas próximas horas.
A reportagem do Carlos Pedro a partir do Rossio. Já no Porto, estão cada vez mais pessoas na Praça Dom João I e a expectativa de alguns manifestantes de que o protesto junte, Miguel Pinheiro Correia, pessoas agora de todos os quadrantes políticos.
Mais pessoas. Claro que está o José Rafael, como dizias, mas também mais pessoas de diferentes ideologias, de diferentes partidos. Era essa a expectativa que têm e que vão tendo vários manifestantes que aqui estão. Eu falava há pouco com um jovem que me contava um episódio caricato que lhe aconteceu ontem, quando estava nessa manifestação que reuniu muitas pessoas ontem aqui na Praça Dom João I. Ele contava-me que apareceu aqui um grupo de jovens que criticou o movimento, criticou a maioria dos manifestantes e que ele tentou falar com esse grupo de jovens e perceberam que, não concordando com muitas das medidas que podem ser propostas por este movimento, a crise de habitação é um problema que afeta a todos e que também os afeta a eles e que, mesmo não tendo as mesmas ideias políticas, teriam vontade de ver este problema resolvido. E é essa a ideia que este jovem, Pedro, que falava comigo há pouco, quer ver refletida no poder político, quer que os diferentes partidos sejam capazes de dialogar. E ele reconhece que, muitas vezes, mesmo nesta manifestação, não há essa paciência ou não há essa tolerância, porque exigem medidas imediatas, seja demissões do presidente da Câmara ou do primeiro-ministro, mas ele espera que seja possível ultrapassar essas barreiras e que seja possível dialogar para resolver um problema que tem afetado muita gente, e afeta também a maioria dos jovens ou a maioria das pessoas que se reúnem aqui. São cada vez mais pessoas que vão chegando à Praça Dom João I. Tem sido habitual, à medida que nos vamos aproximando das 19h, hora a que está marcada, por definição, sempre aqui uma assembleia popular, vão chegando também mais pessoas. Agora continua aqui um momento musical que se prolonga há pouco mais de uma hora, um show de improviso, de hip-hop, de rap, e vão chegando aqui cada vez mais pessoas. Também parecem haver mais tendas que já estão na sua disposição mais habitual quando os jovens aqui pernoitam, quando os manifestantes aqui pernoitam. Há essa expectativa de que se juntem ainda mais pessoas, ainda mais tendas e, lá está, com essa vontade de dialogar para resolver este problema que tem juntado aqui centenas de pessoas quase todos os dias.
A reportagem do Miguel Pinheiro Correia, no Porto, onde ainda há dezenas de tendas montadas no protesto pelo direito à habitação.
A Iniciativa Liberal marcou a Convenção Nacional do partido para o final de janeiro, na área de Lisboa.
A 11ª Convenção Nacional ficou marcada para os dias 30 e 31 de janeiro, anúncio feito hoje após reunião do Conselho Nacional da IL em Castelo Branco, numa nota enviada à Agência Lusa. O partido refere que foi aprovado o regimento da Convenção Nacional, que tem caráter eletivo. Nessa data, vão ser eleitos todos os órgãos nacionais do partido.
Em França, foram registados novos episódios de violência e pilhagens.
Foram acionadas unidades especializadas no combate à violência urbana pelo segundo dia consecutivo. De acordo com a polícia no local, esta unidade especializada está posicionada na Praça da República, onde se tem verificado uma forte tensão com confrontos entre centenas de pessoas e as forças de segurança. No balanço mais recente, tinham sido detidas mais de 1800 pessoas em todo o país na sequência dos atos de violência. O presidente francês que publicou uma declaração para condenar a violência e garantir que os autores vão ser perseguidos e punidos, vai hoje fazer uma declaração ao país. Acontece às 20h em França, 19h em Lisboa.
Notícia de fecho do Jornal das seis, que teve a edição do José Rafael Lopes.
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