Guerras elevam investimento no terminal de GNL de Suape em 50%, a R$ 3 bi
A guerra entre Rússia e Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio elevaram em cerca de 50% o custo previsto do TRS (Terminal de Regaseificação de Suape), em Pernambuco, segundo João Guilherme Mattos, diretor-presidente da Oncorp, responsável pelo empreendimento. A estimativa passou de R$ 2 bilhões para aproximadamente R$ 3 bilhões, considerando investimentos e despesas operacionais ao longo de 15 anos.
Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, o executivo associou o encarecimento à maior procura por equipamentos e por infraestrutura capaz de garantir o abastecimento de energia diante das tensões internacionais.
“Estamos em um período em que a guerra deixou de ser uma questão fortuita e virou praticamente um acontecimento em que a gente não entende mais como surpresa”, afirmou Mattos.
Segundo ele, a instabilidade no Oriente Médio reforça o interesse dos países por unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação, conhecidas pela sigla em inglês FSRU (Floating Storage and Regasification Unit). Essas embarcações recebem GNL (gás natural liquefeito) e permitem transformar o combustível novamente em gás para abastecer os mercados consumidores.
O custo de afretamento de um FSRU varia entre US$ 90 mil e US$ 180 mil por dia em contratos de longo prazo.
“A gente estima que o projeto vai ficar na casa dos R$ 3 bilhões juntando capex e Opex no período de 15 anos”, acrescentou. A previsão atual é concluir o terminal no quarto trimestre de 2027. Inicialmente, o empreendimento deveria começar a operar em 2025, mas o cronograma foi revisto diante dos adiamentos do leilão de reserva de capacidade, aguardado pela companhia para dimensionar a demanda por gás das usinas termelétricas.
O certame voltado a térmicas a gás natural, carvão e hidrelétricas acabou realizado em março de 2026.
“Ficamos em compasso de espera para a realização deste leilão para ter uma ideia da dimensão em que teríamos o terminal, pois dependendo da quantidade demandada e contratada, isso poderia interferir a forma de como a gente constituiria o terminal”, disse Mattos.
O prazo atual também considera a conversão da embarcação que será utilizada como unidade flutuante de armazenamento e regaseificação.
Apesar da importância da demanda das termelétricas para o planejamento, Mattos afirmou que o TRS terá perfil multiuso. Segundo o executivo, o empreendimento não dependerá exclusivamente do abastecimento de usinas e terá conexão com a malha de transporte de gás, permitindo atender outros consumidores.
A proposta, de acordo com o presidente da Oncorp, diferencia Suape de projetos estruturados para fornecer combustível a termelétricas específicas, sem integração ao sistema de transporte. O terminal deverá ampliar as alternativas de entrada de GNL no país, em um mercado que busca diversificar fornecedores e aumentar a concorrência.
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