O PS volta a entrar em modo barata tonta

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O Miguel Pinheiro já está conosco para uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Olá, Miguel, bom dia. Miguel, o teu bom é insistente.
Muito insistente, graças a Deus, o Ministério da Educação este ano volta a insistir na proposta de orçamento do ano passado. O governo previu o descongelamento das propinas, mas essa medida foi travada pela oposição e este ano lá está ela outra vez. É uma proposta, convém dizer, do mais puro bom senso, tendo em conta que as propinas não são aumentadas desde 2020. E segundo esta proposta, as propinas nas licenciaturas e as propinas naqueles mestrados que sejam obrigatórios para exercer uma determinada profissão, esses aumentam apenas ao ritmo da inflação e os restantes mestrados e doutoramentos, segundo o governo, devem ter em consideração o custo real da formação, porque as coisas custam dinheiro. E é mesmo assim, o Ministério da Educação apresenta a medida e a oposição, se quiser, junta-se e manda a medida abaixo. E depois, logo veremos se os eleitores se esquecem disso ou não.
Até porque a proposta de aumento protege, obviamente, os estudantes que não têm condições para pagar.
Como é evidente.
Mas são as ultimas pequeninas que não se dizem.
É. E continuamos a achar que para proteger um, é preciso proteger todos. Ainda não percebemos que hoje em dia já é possível fazer as duas coisas, proteger quem precisa e quem não precisa, pagar.
Miguel, o teu mau é o LIVRE.
É. Ontem o Rui Tavares, o líder do partido, que não é líder do partido, tirou um truque muito giro da manga. Como se sabe, o Chega quer que André Ventura presida à Comissão de Inquérito a Luís Neves. Mas Rui Tavares diz que não pode ser e pediu que seja feito um parecer jurídico que avalie um possível conflito de interesses de André Ventura. Segundo ele, o líder do Chega pode vir a ter que ser ouvido na CPI por ter relacionado o assalto ao gabinete do partido no Parlamento, ter relacionado isso com o desaparecimento de documentos relativos a Luís Neves, e o raciocínio é este: se efetivamente Ventura for chamado a depor, então não pode ser presidente da comissão, porque não pode decidir em causa própria. Rui Tavares deve achar que isto é inteligentíssimo e não entende, pelos vistos, que é apenas mais uma demonstração de que esta CPI está a mobilizar muitos esforços para a fazerem fracassar. E eu não percebo como é que ele acha que tem alguma coisa com isso, mas enfim, a verdade é que acha.
É verdade, é das CPIs mais difíceis de fazer aprovar e de pôr a funcionar, sem qualquer dúvida.
Eu não me lembro de ter ouvido tanto sarilho à volta de uma comissão parlamentar de inquérito, nem quando se ia analisar aqueles beneméritos da economia portuguesa que tão bem fizeram a Portugal.
Miguel, só falta o teu vilão, quem é?
É o PS. Primeiro, os socialistas colocaram uma série de exigências ao governo para viabilizarem o orçamento. Depois, disseram que estavam satisfeitos com a resposta do governo e que por isso iam viabilizar tudo. Agora, com o orçamento apresentado, comentaram que afinal a abstenção não está garantida, porque numa avaliação preliminar do documento, ficaram a achar que não há lá dinheiro suficiente para garantir que todos os projetos que estavam no PRR vão ser executados e não estava dinheiro suficiente para os prejuízos das tempestades. E ao mesmo tempo que disse isto, o PS garantiu que não vai acrescentar à crise que existe uma nova crise política, o que quer dizer que vai abster-se. E é tudo uma enorme confusão. Acho que quem está em casa não percebe nada do que se está a passar. O PS avança e recua, avança e recua como se fosse uma barata tonta. E as pessoas pensam: se o PS não sabe o que fazer em relação ao orçamento, então como é que há de saber o que fazer em relação ao país?
Tem calma, Miguel, isto é uma daquelas dramatizações que também faz parte. É um bocadinho de sal nesta coisa.
É verdade. Mas a nossa vida é isto, é tentar perceber quando é que entram em teatro. Mas as pessoas têm uma vida feliz, não são como nós, pessoas que andam por aí a ter uma vida. Ouvem estas coisas e ficam a achar que o PS não está bem. Mas enfim, eles lá saberão. Se querem apenas fazer isto para o comentariado, como se costuma dizer, isto é para o comentariado, então façam.
Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é o Ministério da Educação, o mau é o LIVRE e o vilão de hoje é o PS. São as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.
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