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Thursday, October 15, 2026

Baixas do PL no RJ não afetam bolsonarismo, e Lula tenta reorganizar campanha

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As baixas provocadas por investigações da Polícia Federal não afetaram a força do bolsonarismo no Rio de Janeiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou a vantagem obtida pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), há quatro anos sobre o presidente Lula (PT), apesar dos reveses antes do período eleitoral.

A campanha do petista tenta agora reorganizar a atuação no segundo turno após o resultado considerado ruim. O presidente aposta nos atos públicos e tem duas agendas previstas no estado. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), derrotado no primeiro turno e alvo de queixas do PT, deve participar de alguns.

Flávio, por outro lado, investe na atração de novos aliados após a demonstração de força nas urnas, tanto na disputa presidencial como na vitória no primeiro turno de Douglas Ruas (PL) para o governo estadual. O governador eleito conduz carreatas com aliados para fazer frente aos atos pró-Lula.

O presidenciável do PL venceu no Rio de Janeiro com 53,01% dos votos válidos, contra 39,41% do petista. Foi uma diferença maior do que a registrada por Jair Bolsonaro (51,09% contra 40,68%) no primeiro turno das eleições de 2022.

A vantagem foi obtida mesmo depois do senador assistir a todos os aliados escalados para a disputa desistirem após operações da PF.

O ex-presidente da Assembleia do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), era o escolhido para disputar o governo até ser preso sob suspeita de vazar informações de operação policial contra ex-deputado ligado à facção criminosa Comando Vermelho.

O ex-governador Cláudio Castro (PL) desistiu de tentar o Senado após ser alvo de duas operações da PF sobre o relacionamento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o empresário Ricardo Magro. Márcio Canella (União Brasil) também abriu mão da candidatura à Casa Legislativa após sofrer busca e apreensão sob suspeita de lavagem de dinheiro em postos de gasolina.

Integrantes do PL avaliam que as suspeitas contra os antigos candidatos escolhidos não afetaram a eleição porque a indicação da família Bolsonaro ainda pesa sobre o eleitorado fluminense.

"O Rio de Janeiro é um estado mais conservador. É a terra do Bolsonaro. Existe uma fadiga em relação ao Lula", disse o deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL no estado.

Flávio já fez uma carreata em São Gonçalo, base eleitoral de Douglas Ruas onde o senador teve 16 mil votos a menos do que o governador eleito. O presidente da Assembleia fluminense vai manter a rotina de mobilização de rua em favor do senador, contando agora com o apoio de políticos que se mantiveram neutros no primeiro turno.

Um dos principais nomes que aderiram ao presidenciável do PL é o deputado dr. Luizinho (PP). Ele não se envolveu em candidaturas ao Palácio do Planalto no primeiro turno e a maioria dos aliados do congressista se uniram a Eduardo Paes.

Após a vitória de Ruas e Flávio no Rio de Janeiro, o deputado, um dos que miram a presidência da Câmara dos Deputados, declarou apoio ao senador e disse que o partido integrará a base do novo governo estadual. Outros prefeitos fizeram movimento semelhante, se alinhando ao governador eleito após a conquista do Palácio Guanabara no primeiro turno.

Lula, por outro lado, tinha antes da campanha o até então favorito Eduardo Paes como nome definido há dois anos.

Além das baixas do palanque do PL, o petista viu a legenda ser afastada do Palácio Guanabara após o STF (Supremo Tribunal Federal) manter o desembargador Ricardo Couto no comando. A decisão impediu que Douglas Ruas concorresse com a máquina do governo estadual nas mãos, e Lula tentou manter proximidade do governador interino.

"São muitos governos marcados pelo que foi Cláudio Castro e esse modelo. É muito impressionante ver algumas regiões tomadas por uma lógica bolsonarista e que são vítimas desse bolsonarismo. O Douglas Ruas fez uma campanha como representante da mudança, quando na verdade era o que menos podia dizer isso", disse Marcelo Freixo (PT), deputado federal eleito.

A aposta do PT está nos atos públicos como o promovido em Copacabana e na Lapa no último dia 12. Lula deve participar de um comício nos mesmos moldes em Nova Iguaçu e na zona sul da capital.

Apesar da derrota, Eduardo Paes é visto como uma peça relevante na capital, onde obteve 206 mil votos a mais do que Lula. Ele deve concentrar suas agendas nas zonas oeste e sudoeste da cidade.

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