Segundo turno com virada no RN e TO reflete acirramento de eleição nacional

No Tocantins, a Professora Dorinha, que terminou o primeiro turno como favorita, perdeu para o candidato do PSDB, o deputado federal Vicentinho Júnior. "Os dois são apoiadores de Flávio Bolsonaro, mas Vicentinho construiu e vendeu uma imagem como o candidato que mais representa a ideia de mudança", afirma Airton Cardoso Cançado, professor de Gestão Social da Universidade Federal do Tocantins.
"Vicentinho não é um candidato outsider clássico, já tem mandato eletivo, com percurso eleitoral. Talvez esse seja um dos motivos que distingue os dois: a Professora Dorinha tem uma trajetória política mais longeva, mais distante do processo eleitoral do estado por ser uma senadora, enquanto Vicentinho conseguiu fazer um trabalho mais efetivo de base, com marketing mais efetivo."
Esquerda tem muita dificuldade para eleger um representante hoje no estado, diz professor. "Trata-se de um estado muito conservador, criado em 1988, com a Constituição, mas até hoje existem muitos rincões e a prática de coronelismo", explica ele, citando o sistema político e social que marcou a República Velha, baseado na concentração de poder na mão de grandes proprietários e coronéis.
Dorinha é uma política mais tradicional na política do Tocantins, diz Cançado. "Ela já foi deputada, senadora; Vicentinho se vendeu como uma novidade e manteve uma campanha mais forte em termos de comunicação", diz Cançado. "Com muita dificuldade, Dorinha buscou eleitores no segundo turno", afirmou César Sagrillo Figueiredo, cientista político da Universidade Federal do Norte do Tocantins.
Tanto Dorinha quanto Vicentinho estão alinhados à política anunciada por Flávio Bolsonaro, diz Figueiredo. "Vicentinho consegue abranger a maior fatia do eleitorado, que é o eleitorado bolsonarista."
Estado é alinhado às políticas de direita, afirma Figueiredo. Segundo o cientista político, há no estado uma sub-representação feminina na política. "Por mais alinhada que Dorinha esteja com o perfil do estado, com o bolsonarismo e com o agro, tem a questão de que ela é mulher, tem uma questão de gênero, que pode ter sido um empecilho para ela vencer."
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