Mariana Becker abre o jogo ao contar bastidores da Fórmula 1: 'Já passei por muitos perrengues'

Em fim de semana de Grande Prêmio de Fórmula 1 no Brasil, a jornalista Mariana Becker fica com o coração acelerado. Comentarista do esporte em 2026 pela TV Globo, ela conversou com Quem sobre a temporada e afirmou que há um sabor especial ver os pilotos na pista do Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
"Os pilotos, engenheiros e mecânicos geralmente gostam de vir para cá. Fico orgulhosa de receber as pessoas e fico orgulhosa de chegar a casa", afirma Mariana, que iniciou na cobertura de automobilismo com reportagens do Rally dos Sertões, e há mais de 15 anos se mudou para Mônaco, consolidando-se na cobertura de Fórmula 1.
Aos 55 anos, a gaúcha passa boa parte do ano viajando para os destinos das provas e tem várias histórias de imprevistos e contratempos na bagagem. "Volta e meia enfrento perrengues, já estou meio acostumada. Na minha mochila tenho de tudo: de remédios a meias extras. Há pouco tempo, cheguei à Malásia sem malas, tive de comprar tudo de novo", recorda ela, que tem domínio de cinco idiomas -- espanhol, inglês, francês, italiano e português.
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Depois de anos atuando como repórter da modalidade esportiva, Mariana estreou no posto de comentarista em 2026 e já está animada para o próximo ano, quando o Brasil contará com dois pilotos na pista: Gabriel Bortoleto (pela escuderia Audi) e Rafael Câmara (pela Haas).
Quem: A cobertura do GP de São Paulo tem um gostinho especial pela sensação de se sentir em casa? Qual o diferencial da cobertura em Interlagos?
Mariana Becker: É voltar para casa, para os meus amigos antigos, para uma Interlagos que eu conheço há muitos anos e para uma história que, de certa forma, é minha porque sou eu que a conto. Estou sempre visitando a casa dos outros, indo para outros países, as pessoas falam das suas próprias culturas, dão dicas dos lugares. Desta vez, quando eles vêm para Interlagos, é a minha casa. Eu dou as dicas e fico orgulhosa de mostrar a nossa cultura. E gosto da nossa pista. Os pilotos, engenheiros e mecânicos geralmente gostam de vir para cá. Fico orgulhosa de receber as pessoas e fico orgulhosa de chegar a casa.
Nesta semana, tivemos o anúncio de que teremos dois pilotos brasileiros na temporada 2027. Além de animar o público daqui, sente que isso dá um gás a mais para a cobertura?
Sem dúvida, dá mais gás e mais trabalho, porque agora são dois. São duas histórias, e é um país com mais força, um país que tem sempre uma expectativa muito grande graças ao passado que construímos, não só com os campeões mundiais, mas com os outros pilotos que eram grandes pilotos e que marcaram a história do automobilismo mundial. Há sempre uma expectativa cada vez que surge um brasileiro. Tendo dois, ficamos com uma força ainda maior, tornando a cobertura super interessante. Eles têm duas personalidades diferentes, mas são caras legais, de bom trato, bons de conversar. Vejo que só temos a ganhar com isso.
A temporada deste ano trouxe um campeão inédito. Você chega a torcer? Ou consegue se manter neutra?
Consigo me manter neutra. Às vezes torço, mas não é por um piloto, torço pela situação em si. Eu quero ver disputa, eu quero ver grandes momentos do esporte. Então, torço para que esses momentos aconteçam durante a corrida e também acabo por torcer, um pouco na verdade, pelos brasileiros. Quando é para torcer por alguém, meu coração fica mais acelerado e torce mesmo por um brasileiro, porque eu quero que eles se deem bem. Torço por grandes acontecimentos desportivos e histórias para contar.
Do que rolou da temporada até agora, destaca algum GP? Por quê?
Eu acho que o GP que a gente mais pode destacar, e que foi um grande conto de fadas, foi o do México, que consagrou o Kimi Antonelli como o campeão mais jovem da história a conquistar um pódio, sendo levado aos ombros pelos dois maiores campeões do grid hoje, Lewis Hamilton e Max Verstappen, que são duas lendas. Você vê um jovem piloto muito promissor, ainda com grande futuro pela frente, que fez um ano esplêndido, sendo coroado no seu segundo ano. A corrida em si teve histórias como outras tantos na temporada, mas a coroação foi muito bonita.
Em algum deles, você chegou a enfrentar algum perrengue?
Volta e meia enfrento perrengues, já estou meio acostumada. Na minha mochila tenho de tudo: de remédios a meias extras. Já passei por muitos perrengues. Há pouco tempo, cheguei à Malásia sem malas, tive de comprar tudo de novo. Tem uma história minha que é célebre de tropeçar nos fios, nos meus cabos de transmissão, e cair no chão. A minha calça rasgou na parte de trás e fiquei ali totalmente exposta me perguntando o que fazer. Obviamente, não tinha outras calças, mas tinha uma bandeira, que amarrei na cintura, rezando para que não ventasse muito. No fim, correu tudo bem, mas já passei por vários perrengues. Este ano, estava no meio de uma transmissão na minha cabine, saí para ir ao banheiro rapidamente. Quando voltei, a cabine trancou-se, eu fiquei presa do lado de fora. A transmissão acontecendo e eu presa do lado de fora, desesperada, até que consegui encontrar alguém que me abrisse a porta. O que mais tenho são histórias com perrengues.
Qual balanço faz de 2026, a volta da Fórmula 1 para a TV Globo e seu trabalho, agora, como comentarista?
Acho que foi uma temporada de muito aprendizado para todos nós e para a Globo, que voltou a reencontrar um esporte muito diferente do que era em 2020, isto é, com novas caras e com uma estrutura nova. Para mim, particularmente, aprendi uma nova posição na hora da transmissão. Todos estávamos muito afim de fazer isso e ver o que é que poderíamos apresentar de melhor e quais eram os novos caminhos. Foi um ano para entender de novo a Fórmula 1, de entender o meu novo papel, e de poder inventar novas formas de fazer essa cobertura. Estamos sempre testando coisas novas, eu gostei muito, foi muito positivo.
Com a temporada se aproximando do fim, você já pensa em férias? Quais os desejos para 2027?
Primeira coisa será ver a minha família (no Rio Grande do Sul). Depois, eu devo esquiar no Japão. Por fim, pretendo ficar mais quieta em minha casa o máximo possível. Como normalmente eu não tenho este luxo de ter rotina, eu poder ter isso nas férias. Acordar na mesma cama e conviver com minha casa é o prazer que tenho para me centrar novamente.
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