Filipe Bragança revela sonho premonitório antes de filme sobre Amyr Klink: 'Mensagem do universo'

Filipe Bragança está prestes a voltar para as telonas por 100 Dias, filme que esteve na corrida do Oscar para representar o país na competição e que estreia no dia 29 de outubro -- com exibição no Festival do Rio neste sábado (10). O longa retrata a aventura do navegante Amyr Klink, que foi o primeiro navegante no mundo a cruzar o Atlântico Sul somente de remo. Em entrevista exclusiva para a Quem, o ator revela o sonho premonitório que teve antes de fazer o teste para o papel e conta sobre o que este projeto significa em sua carreira.
Era uma noite aparentemente comum em janeiro de 2024, quando Filipe recebeu uma mensagem curiosa por meio de um sonho. "Acredito muito que através dos sonhos o universo nos envia mensagens. Sempre fico muito intrigado com os que tenho, porque acredito que neles existe algum significado para além de tão somente uma produção do nosso inconsciente enquanto a gente está dormindo", diz.
"Eu estava nadando no meio do oceano em um céu crepuscular, com o sol talvez nascendo, talvez se pondo. Estava nadando em direção a uma ilha que estava a cerca de 1 ou 2 km de distância e, conforme nadava, pensei: 'estou num ninho de baleias"".
"Em determinado momento, eu começava a afundar [ao redor de] baleias e acordei", diz. Filipe detalha que ficou tão intrigado pelo sonho que, no dia seguinte, o contou todo à sua mãe, a atriz Karlla Braga.
"Uma semana depois, recebo o convite para testar para o papel do Amyr, sem nem saber que o filme ia acontecer ou que essa produção estava acontecendo e que esses testes estavam rolando", afirma.
Segundo Filipe, ao ler o roteiro, ficou todo arrepiado e pensou: "'Essa oportunidade de ao menos testar para esse papel vai ser importante para mim'. Mas entendi também que aquele sonho estava me dizendo que isso estava chegando para mim e fiquei muito determinado em conseguir esse personagem, porque me pareceu uma mensagem do universo", conta.
O diretor do filme de 100 Dias é Carlos Saldanha, famoso por ter comandado animações como Rio (2010) e A Era do Gelo (2002). O ator comenta que outro detalhe observado pelo diretor foi decisivo para que ele assumisse o papel.
"O próprio Carlos Saldanha comenta que ele percebeu que eu era o Amyr pelo jeito que eu me levantei da mesa num café que a gente tomou antes de eu ser aprovado para o teste", fala. "Ele é um diretor muito sensível que consegue perceber detalhes que muita gente não percebe", elogia.
Acostumado às animações, Filipe ainda afirma que Carlos também é exemplar na direção de atores. "Por incrível que pareça, ele é um excelente diretor de atores, porque nem todo diretor de cinema ou de teatro consegue ter a sensibilidade e o traquejo suficientes para conversar com os atores e, ao mesmo tempo, compreender e ser compreendido por eles. Acho que o Carlos faz isso com excelência", elogia.
Segundo Filipe, ele e Carlos têm personalidades parecidas. "A gente gosta da aventura, da fantasia e da imaginação. Acho que é um filme também muito sobre essa aventura exterior e interior. Tendo esses pontos em comum, a gente conseguiu se identificar muito e se dar muito bem. Desde o início nos tornamos grandes amigos, inclusive", fala.
Um ponto de virada na carreira
Filipe conta que ser protagonista deste longa abre um novo capítulo em sua carreira. "Percebi a responsabilidade, a demanda, a intensidade e a complexidade do trabalho e falei: 'nossa, agora eu sou um ator profissional'", revela.
Apesar disso, ele reforça que já se via antes como um ator profissional. "Na prática, seria impossível eu não ser, eu já tinha realizado muitos trabalhos muito importantes, desafiadores, mas foi a primeira vez que eu falei: 'olha só, se eu não fosse um ator profissional, eu não teria capacidade capacidade de realizar isso aqui!'".
"Acho que, para minha carreira, é isso: foi mais uma oportunidade de realizar um trabalho bem feito, com muita dignidade, muito respeito à obra e aos profissionais que estavam comigo. É um passo importante, como todos os passos que tenho dado nos últimos anos", diz.
"É um passo importante, sobretudo por estar trabalhando com um diretor importante e estar realizando um filme grandioso também, que é importante para a história do cinema brasileiro. [Além de] demandar muito de mim, somos eu e o barco, acho que é prova também [de] que sou capaz de fazer um filme assim", detalha.
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