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Monday, September 28, 2026

Como estão as negociações entre EUA e Irã após Trump rejeitar proposta de Teerã?

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As negociações entre Estados Unidos e Irã continuam sem um acordo, depois que Washington rejeitou, no sábado, 26, uma proposta apresentada por Teerã para interromper as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz. O plano iraniano prevê sete dias de cessação dos combates, concessões econômicas e militares e, no último dia, a reabertura da passagem marítima seguida pelo reinício das negociações sobre o programa nuclear.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, apresentou a proposta nesta sexta-feira, 25, durante uma coletiva de imprensa no contexto da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. “Se certas condições forem atendidas, o estreito será aberto dentro de sete dias e as negociações começarão”, afirmou.

No sábado, 26, o presidente Donald Trump rejeitou publicamente a oferta e afirmou que os iranianos “querem chegar a um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer”. Araghchi classificou a declaração como uma “primeira reação” e disse que aguardava uma posição definitiva de Washington por meio de intermediários.

Um funcionário americano familiarizado com as negociações afirmou ao New York Times que os dois lados mantêm conversas “positivas e construtivas” por meio de mediadores, mas que os Estados Unidos não pretendem se apressar para fechar um acordo.

Com o impasse, o mercado de energia foi afetado em meio à cautela das empresas de transporte marítimo para utilizar o Estreito de Ormuz.. Nesta segunda-feira, 28, o petróleo Brent subia 3,1%, a US$ 107,51 por barril, enquanto o WTI avançava 2,1%, para US$ 94,32.

O plano apresentado pelo Irã

A proposta de Teerã prevê o fim de todas as hostilidades durante sete dias, incluindo no Líbano, seguido pela reabertura do Estreito de Ormuz e pelo início de negociações abrangentes sobre o programa nuclear iraniano.

Durante o período de cessar-fogo, o Irã exige a liberação de pelo menos US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados, o levantamento das sanções sobre o petróleo do país e o fim do bloqueio naval americano. O fim das hostilidades também incluiria o Líbano.

No sétimo dia, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. Depois disso, segundo Araghchi, começariam as negociações sobre a questão nuclear.

Em entrevista à AFP, o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, afirmou que o fim das hostilidades no Iêmen também está entre as condições apresentadas por Teerã.

Proposta retoma acordo de junho

Araghchi afirmou que a nova proposta mantém grande parte dos compromissos previstos no entendimento firmado em junho, mas estabelece um cronograma mais rápido.

O acordo anterior previa um prazo de 60 dias para que os dois lados avançassem nas negociações sobre o programa nuclear. O entendimento, porém, não se sustentou e as hostilidades foram retomadas.

Na época, Donald Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, haviam firmado um acordo protocolar com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir Ormuz e, posteriormente, iniciar as negociações nucleares. Trump havia afirmado que faria o necessário caso o acordo fosse violado.

Programa nuclear continua no centro do impasse

O principal ponto de divergência continua sendo o programa nuclear iraniano. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU na última terça-feira, 22, Trump afirmou que “aniquilaria” o Irã caso não fosse alcançado um acordo e reiterou que seu objetivo é impedir que o país tenha uma arma nuclear.

No dia seguinte, Pezeshkian afirmou que o Irã estava disposto a negociar, mas sem aceitar ameaças ou pressão militar.

O presidente iraniano também reiterou que Teerã não aceita limitações ao uso pacífico de sua tecnologia nuclear. O governo iraniano sustenta que não pretende desenvolver uma arma nuclear, mas considera o enriquecimento de urânio para fins civis um direito do país. As inspeções nucleares também permanecem entre os pontos de divergência.

Pezeshkian ainda criticou os ataques de Estados Unidos e Israel e apresentou imagens de vítimas durante seu discurso. O presidente iraniano acusou Washington e Tel Aviv de atingir infraestrutura civil.

Contatos indiretos continuam

Apesar da rejeição americana à proposta, os canais diplomáticos continuam abertos. Na última terça-feira, 22, representantes iranianos conversaram com o enviado americano Steve Witkoff e com Jared Kushner por meio de mediadores do Catar. O encontro ocorreu de forma indireta e foi classificado como produtivo por Araghchi em declarações dadas à imprensa.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou posteriormente que a conversa não terminou com um avanço decisivo.

Araghchi disse em coletiva de imprensa que Teerã aguarda uma resposta definitiva de Washington e afirmou que seria melhor alcançar um entendimento antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.

Ormuz é peça central da negociação

O Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de pressão do conflito. A passagem é estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás e teve o tráfego afetado desde o início da guerra.

O Irã exige autorização para que navios atravessem o estreito, alegando razões de segurança e soberania, como divulgado pela AFP. Embarcações que não cumprem a exigência são atacadas regularmente, enquanto os Estados Unidos realizam ataques contra a costa iraniana.

A proposta iraniana vincula diretamente a reabertura de Ormuz a concessões econômicas, militares e diplomáticas de Washington.

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