Como a Ponte Preta foi de campeã da última Série C a duas vezes rebaixada em 2026


Ponte Preta é rebaixada para a Série C do Brasileiro
Quem está de fora pode até se perguntar o que mudou para uma derrocada tão repentina assim. Mas a verdade é que a situação já estava ruim mesmo na campanha da última Série C e só se agravou desde então com uma crise financeira e administrativa sem fim.
Time da Ponte antes de jogo da Série B — Foto: Igor Henrique /PontePress
O acesso e o título da Série C em 2025 já foram conquistados em meio a atrasos salariais, tanto que, durante a campanha, o clube lidou com saídas de jogadores e ações trabalhistas, como, por exemplo, os casos do lateral-direito Maguinho e do atacante Jean Dias. Quem ficou, mesmo sem receber há meses, superou os problemas financeiras e subiu o time.
Mas o cenário foi piorando cada vez mais. Ainda em 2025, já na pré-temporada para o Paulistão, os jogadores anunciaram uma paralisação das atividades por causa da falta de pagamento. Diante da falta de perspectiva de melhora, a base campeã da Série C também foi se desfazendo aos poucos.

Greve, saídas e transferban marcam o início do ano na Ponte
Quando o calendário virou, agora sob a gestão do presidente Luiz Torrano, mas ainda com a liderança de Marco Antonio Eberlin, até então presidente e que passou a ser vice e também diretor de futebol, as questões extracampo continuaram impactando na preparação alvinegra.
Jogadores contratados deixaram o clube antes mesmo da estreia no Paulistão, e o clube só foi conseguir se livrar dos transfer bans e inscrever reforços na quarta rodada do Paulistão - metade da primeira fase, já que o estadual foi reduzido, com apenas oito rodadas.
A consequência foi o rebaixamento para a Série A2 como lanterna da competição, com apenas um ponto. Na Copa do Brasil, o time passou pelo Guarany de Bagé-RS na primeira fase, mas acabou eliminado logo na sequência, pelo Atlético-GO.

Ponte Preta perde da Portuguesa e é rebaixada com uma rodada de antecedência
A essa altura de 2026, Marcelo Fernandes, técnico campeão da Série C, já tinha saído, e Rodrigo Santana estava à frente do clube. A projeção para a sequência da temporada era desafiadora. E se transformou em desoladora a medida em que as pendências financeiras não se resolviam.

Ponte sofre a sexta derrota seguida na Série B, e desabafo de Elvis escancara crise
A Ponte chegou a vencer duas partidas consecutivas, contra Avaí, em Florianópolis, e América-MG, no Majestoso. Foram os últimos suspiros de uma campanha que ruiu completamente em meio ao caos nos bastidores.
Enquanto as dívidas com jogadores, integrantes da comissão técnica e funcionários se acumulavam, a equipe amargava marcas negativas. Foram 22 jogos consecutivos sem vencer estabelecendo o maior jejum da história da Série B do Brasileiro.
Eberlin e Torrano estão à frente da Ponte — Foto: Marcos Ribolli
A sequência começou com Rodrigo Santana, em abril, passou por Márcio Zanardi e terminou com Gilson Kleina em 20 de setembro, quando o time fez 1 a 0 no CRB em um gramado do Estádio Moisés Lucarelli em condições precárias.
Durante o período sem ganhar, a Ponte viveu o ápice da crise. Em protesto às promessas não cumpridas (depois de a votação para criação da SAF ter sido suspensa devido a confusões na Assembleia), o elenco suspendeu as atividades por uma semana, forçando a diretoria a levar um grupo com apenas jogadores formados na base para evitar o W.O. contra o América-MG, em Belo Horizonte - perdeu por 2 a 0.

Ponte viaja só com formados na base para evitar W.O. na Série B
Uma debandada também desmontou o grupo. Ao todo, foram mais de 20 saídas de jogadores desde o início da Série B do Campeonato Brasileiro. O número de opções só foi aumentar graças a uma ajuda dos investidores da SAF do Boavista para o pagamento dos transfer bans (dois na Fifa e um na CNRD - Comissão Nacional de Resolução de Disputas) e também empréstimo de jogadores.
Ainda durante o jejum, a Ponte sofreu duas goleadas por 6 a 0 - para Vila Nova e Londrina, os placares mais elásticos da atual edição. O que era inevitável e se desenhava apenas uma questão de tempo foi confirmado no último sábado.
Com a derrota por 2 a 0 para o Cuiabá, na Arena Pantanal, o rebaixamento alvinegro foi decretada com sete rodadas de antecedência - a queda mais precoce da era dos pontos corridos da Série B ao lado do Duque de Caxias, em 2011.
E a Ponte ainda pode estabelecer outra marca negativa na Série B: a de pior campanha da história. O Duque de Caxias terminou a edição de 2011 com 17 pontos, pontuação mais baixa na era dos pontos corridos. Na lanterna, a Macaca tem 13 pontos e ainda disputará sete partidas até o fim do campeonato.
O próximo jogo é contra o Juventude, já nesta terça-feira, às 21h30, em Indaiatuba, uma vez que a reforma do gramado do Majestoso não foi concluída a tempo de receber o jogo.
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