Quatro movimentos de inteligência artificial que vão redefinir o trabalho nas empresas até 2027
Nos próximos 12 meses, o debate sobre inteligência artificial nas empresas deve sair da fase de testes e se concentrar em escala, controle e retorno. Uma pesquisa da PwC com empresas dos Estados Unidos mostra que 79% já adotam agentes de IA e 88% pretendem aumentar orçamentos por causa dessa tecnologia.
Agentes de IA são sistemas que planejam e executam uma sequência de tarefas com pouca intervenção humana. Em vez de apenas responder a uma pergunta, um agente pode analisar um pedido, consultar o estoque e enviar a resposta ao cliente.
Agentes saem do piloto e entram na operação
Um levantamento da Cloudera ouviu cerca de 1,5 mil líderes de TI em 14 países e apontou que 57% já implementaram agentes nos últimos dois anos, sendo 21% apenas no último ano. O dado indica que a tecnologia deixou de ser experimento isolado em boa parte das organizações.
Onde eles aparecem primeiro
As áreas de atendimento, finanças e logística concentram os primeiros usos. Um exemplo é a conciliação de notas fiscais, em que o agente cruza documentos, identifica divergências e encaminha apenas os casos duvidosos para uma pessoa.
O limite da confiança
A adoção, porém, não é uniforme. Segundo a PwC, só 20% dos executivos confiam em agentes para transações financeiras, ante 38% no caso de análise de dados. Tarefas de maior risco tendem a manter supervisão humana obrigatória.
IA embutida nos sistemas do dia a dia
Outra tendência é a integração da tecnologia a ferramentas que o profissional já usa. Na pesquisa da Cloudera, 60% das empresas afirmam utilizar recursos de IA já incluídos nos sistemas principais.
Isso aparece em plataformas de gestão de clientes, planilhas, e-mail e sistemas de gestão empresarial, que passam a resumir reuniões, sugerir respostas e projetar vendas. O profissional não precisa programar, mas precisa saber revisar o resultado entregue.
Governança e processos ganham peso
O uso amplo traz uma pergunta: quem responde pelas decisões tomadas por uma máquina? A PwC identificou que apenas 45% das empresas repensam seu modelo operacional e 42% redesenham processos em torno dos agentes.
Governança, nesse contexto, significa definir regras claras: quais dados a IA pode acessar, quem aprova cada etapa e como as decisões ficam registradas. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) torna esse controle uma exigência para empresas brasileiras. Em pesquisa da IBM, 82% dos executivos de alto escalão afirmam que silos entre áreas bloqueiam a geração de valor.
Qualificação vira critério de contratação
Com agentes assumindo tarefas repetitivas, cresce a demanda por habilidades que a máquina não substitui. Entre elas estão formular boas instruções, avaliar a qualidade das respostas, reconhecer erros e entender os limites da ferramenta.
Um analista de recursos humanos que usa IA para triar currículos, por exemplo, precisa checar possíveis vieses antes de levar uma lista à gestão. Esse tipo de responsabilidade tende a aparecer com mais frequência em vagas de diferentes áreas.
O que acompanhar até 2027
Os quatro movimentos descritos, agentes em operação, IA integrada aos sistemas, governança estruturada e qualificação das equipes, devem caminhar juntos. As pesquisas indicam que a adoção avança mais rápido do que a reorganização de processos e do que o treinamento de pessoas.
Para os profissionais, os sinais mais úteis de acompanhamento são o orçamento destinado à tecnologia, as mudanças nas rotinas de trabalho e a oferta de capacitação dentro das empresas.
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