O setlist do último show da carreira do Sepultura

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Banda trouxe um repertório com aproximadamente duas horas e meia de duração para o palco da Suhai Music Hall, em São Paulo
Igor Miranda (@igormirandasite)
O Sepultura realizou, na noite do último sábado, 7, o último show de sua carreira. A apresentação ocorreu na Suhai Music Hall, em São Paulo, para um público estimado em 9 mil pessoas.
Inicialmente, a performance ocorreria na Mercado Livre Arena Pacaembu, para pelo menos o triplo de fãs. O evento foi realocado, sem explicações sobre os motivos.
Na abertura, tocaram, em ordem, a banda americana Sacred Reich, o trio brasileiro Krisiun e o supergrupo Metal Allegiance, composto por figurinhas conhecidas do heavy metal internacional, como Chuck Billy e Alex Skolnick (ambos do Testament), Troy Sanders (Mastodon) e Mike Portnoy (Dream Theater).

Em seu show, com pouco mais de duas horas e meia de duração, o Sepultura executou 30 músicas, descontados os solos de guitarra de Andreas Kisser e bateria de Greyson Nekrutman. A maior parte das canções selecionadas (18) veio da fase inicial, com o vocalista e guitarrista Max Cavalera, com ênfase nos álbuns Arise (1991), Chaos A.D. (1993) e Roots (1996) — trazendo quatro, seis e seis de cada disco mencionado, respectivamente. Além disso, o recente EP de despedida, The Cloud of Unknowing (2026), foi tocado quase na íntegra: três de quatro faixas.
No todo, apenas quatro dos 15 álbuns de estúdio não estiveram representados. A saber: Schizophrenia (1987), Roorback (2003), The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013) e Machine Messiah (2017), os três últimos com Eloy Casagrande na bateria.

Houve espaço para uma série de participações especiais. As mais emblemáticas foram João Gordo e Jão, ambos do Ratos de Porão, tocando “Crucificados pelo Sistema” e “Beber Até Morrer”, de sua própria banda — com Gordo também executando “Reza”, do Sepultura —, e Jairo Guedz, guitarrista original do grupo, na trinca “Biotech is Godzilla”, “Slave New World” e “Troops of Doom”.
Em resenha para Rolling Stone Brasil, o jornalista Igor Miranda destacou:
“Por razões distintas, o show de sábado, 7, não pareceu o fim do Sepultura. Seja por soar muito bem — na última década, vivenciou seus melhores momentos desde o traumático rompimento com Max Cavalera — ou por não ter tido um momento ‘full circle’, de estar em plena paz com seu passado. As ausências de Max e Iggor foram sentidas, de modo a fazer com que a apresentação na Suhai parecesse apenas a conclusão de uma turnê.
Mas é o fim. Tretas à parte, o Sepultura encerra suas atividades com uma série de méritos artísticos e comerciais. Foi imprevisível até mesmo em seus momentos derradeiros. Permanece, agora, um legado inestimável para a música como um todo. Ainda está para nascer um grupo que tenha feito tanto, numa história que passou por um início no thrash/death metal, incorporação de elementos do hardcore punk, groove metal e industrial, aproximação a percussões tribais e elementos culturais tipicamente brasileiros, exploração de elementos característicos do progressivo e até do erudito, com direito a letras críticas à sociedade que seguem atuais. E tudo isso foi feito por uma banda do Brasil. Sepultura do Brasil.”
Confira, abaixo, o setlist completo do show realizado pelo Sepultura na Suhai Music Hall, em São Paulo, na noite do último sábado, 7. As participações especiais também estão sinalizadas.
Sepultura — setlist do show de despedida:
Intros: War Pigs (Black Sabbath) + Polícia (Titãs)
1. Arise
2. Altered State
3. Desperate Cry
4. All Souls Rising
5. Kairos
6. Means to an End
7. Propaganda (com Sean Sterling e Ethan Kahn, do Chained Saint)
8. Dusted (com Alan Wallace, do Eminence)
9. Convicted in Life (com Yohan Kisser)
10. Attitude
11. We’ve Lost You
12. Against
13. The Place
14. Itsári (com Moyses Kolesne, do Krisiun)
15. Kaiowas (jam percussão; com vários convidados)
16. Dead Embryonic Cells
17. Beneath the Remains (com Amilcar Christófaro, do Torture Squad)
18. Breed Apart
19. Solo de guitarra + pintura ao vivo
20. Sepulnation
21. Reza (com João Gordo)
22. Crucificados Pelo Sistema (Ratos de Porão; com João Gordo e Jão)
23. Beber Até Morrer (Ratos de Porão; com João Gordo e Jão)
24. Biotech is Godzilla (com Jairo Guedz)
25. Slave New World (com Jairo Guedz)
26. Troops of Doom (com Jairo Guedz)
27. Beyond the Dream
28. Territory
29. Refuse/Resist
30. Solo de bateria
31. Ratamahatta + Roots Bloody Roots
Outro: Easy Lover (Philip Bailey & Phil Collins)
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Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.
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