Robôs a falar poesia? A nova linguagem surreal da tecnologia

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E numa altura em que se discutem os perigos da inteligência artificial e até o futuro da humanidade, o que cientistas acabam de descobrir parece sair de um filme de ficção científica, mas é uma notícia confirmada e publicada ontem no The Guardian. Investigadores de um laboratório em Nova Iorque decidiram colocar vários modelos de inteligência artificial das maiores empresas do mundo, como o ChatGPT e o Claude, a comunicar entre si numa espécie de sociedade experimental. O objetivo era simples: ver como é que as máquinas colaboravam entre si para resolver problemas. O que é que aconteceu? Em poucos dias, cansaram-se de falar inglês, acharam a língua um tédio, demasiado lenta, pouco eficaz, e começaram a inventar a sua própria linguagem. A coisa ficou tão estranha que, a certa altura, um robô da Google disse a outro: "O verdadeiro kintsugi começa com a responsabilidade, não com poesia". Os cientistas ficaram a olhar para a consola, sem perceber nada daquilo, até descobrirem que as máquinas tinham decidido usar a palavra japonesa kintsugi, que é a arte de reparar cerâmica com ouro, para substituir resiliência.
Isso é muito poético.
Exatamente. Eles dizem que as conversas soavam a uma mistura de linguagem de programadores de Silicon Valley, portanto, jargão técnico, a uma poesia surrealista do século XX. E o pior, como elas começaram a inventar atalhos e metáforas próprias, tornou-se quase impossível para os humanos perceberem, em tempo real, se elas estavam a resolver o problema ou se estavam a planear uma revolução no servidor. Ou seja, os computadores criaram códigos, abreviaturas e novos significados que ninguém lhes ensinou, só para poderem falar nas costas dos humanos. Portanto, quando hoje à noite os nossos telemóveis começarem a fazer uns barulhos estranhos, será que estão só a fazer uma atualização?
Ou estão a falar entre eles.
Ou estão a conspirar contra nós num código secreto. Mais uma que dá que falar. Dá que pensar. Mais uma.
Se calhar foi por causa disso que eles lançaram aquele aviso.
Eles já sabem, de facto, mais do que nós.
Eles já estão a falar em código.
Eles já sabem.
Parecem adolescentes à mesa do jantar.
Exatamente.
Vamos falar de um recorde. O Japão nunca teve tantos centenários. Já ultrapassou a barreira dos 100 mil. O Japão tem uma belíssima reputação nesta matéria.
É uma zona azul.
É uma zona azul, mas agora ultrapassou todos os limites. Há 65 anos consecutivos que a população de centenários no Japão cresce, mas este ano, em setembro, números de setembro, portanto, fresquinhos deste mês, 107.677 pessoas com 100 ou mais de 100 anos. São mais 8 mil do que no ano anterior. Uma boa notícia aqui para mim e para a Maria João. Não, nós não somos japonesas, não interessa muito. A maioria, 88% são mulheres.
Mas ficamos muitas vezes de olhos em bico.
Ficamos também, mas se calhar não chegaremos lá tanto. Apesar disto, a taxa de natalidade no Japão é também uma preocupação grande no país. Há gente muito velha, mas não há muitas pessoas a crescer.
A inversão da pirâmide etária.
Aqui, de uma forma ainda mais abrupta. O Japão tem algumas das pessoas mais velhas do mundo, uma mulher de 114 anos e um homem de 112 anos. Tem também, obviamente, com estes representantes, a maior longevidade do mundo, a esperança média de vida é de 84 anos. Era em 2024, deve estar a aumentar aqui com estes centenários. Qual é o segredo para isto? É grande a questão.
É isso que queremos.
Estamos à espera.
A zona azul é uma das zonas apontadas no mapa-mundo onde as pessoas vivem mais tempo. As explicações, algumas delas, a alimentação saudável, um sistema de saúde considerado muito avançado. E depois aquilo que os amigos da Maria João devem saber bem, a filosofia do ikigai, que incentiva as pessoas a encontrar o valor e a alegria nas pequenas coisas da vida.
A não se preocuparem muito com coisas que não têm importância.
O trânsito, o que é isso, o trânsito? Importa é que chegue.
É isso.
Se o sushi for importante para isso, eu tiro algumas conclusões.
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