InquirerSt. Luke’s Medical Center reports personal data breachThe Jerusalem PostIDF begins upgrading Gaza border barrier with new technology, infrastructurePunchState police: 28 assemblies approve, Tinubu’s assent nextDaily MaverickBOOK EXCERPT: Scorpio Rising — The latest thriller from SA’s master of crime fiction한겨레North Korea says it has ‘no need to sit face to face with’ USVarietyKaren Bass and Nithya Raman in Tight Race for L.A. Mayor in Early ReturnsZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioSözcüABD'liler sandıkta mesajı verdi: Trump hezimete uğradıAntara NewsRSPO claims certified concessions have less fire damageDaily MailGOP stares down horrific midterms night as Democrats flip four critical Senate seats: Live updatesBBC News BrasilAnálise: Partido Democrata toma territórios republicanos com vitórias históricasTagesschauUS-Zwischenwahl: Demokraten erobern Mehrheit im Senat
The Daily Newsstand · Free, Always
Wednesday, November 4, 2026

Jaime Nogueira Pinto: "Trump foi o símbolo de uma rotura"

Translate

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E Jaime Nogueira Pinto, eu gostaria de ouvi-lo sobre aquilo que já conhecemos para já de resultados desta noite e da forma também como tem sido feita a leitura pelo Partido Republicano. Já nos últimos minutos noticiava a CNN Internacional que fontes republicanas estão preocupadas com os resultados que o Partido Democrata está a conseguir até este momento. Que leitura faz dos dados que já conhecemos nesta altura?

Eu, francamente, não tenho estado a seguir agora nesses últimos dados.

Nesta altura, os dados apontam para a Câmara dos Representantes com 86 já eleitos para os Democratas, 61 para o Partido Republicano. No que toca ao Senado, seis já eleitos para o Partido Democrata e três para o Partido Republicano. E há aqui um dado que também vou depois esticar aqui para a restante análise. Já está ativo um modelo do New York Times conhecido nas últimas eleições já por Needle e que faz uma tendência de probabilidades de vitória para cada um dos lados. Diz que há, nesta altura, com todos os dados conhecidos, 74% de probabilidade dos Democratas vencerem no Senado, 93% de vencerem na Câmara dos Representantes.

Pois, isso é mais ou menos o que era esperado. Era, de facto, uma vitória dos Democratas na Câmara dos Representantes. No Senado havia algum maior ceticismo. Não há dúvida que sobretudo a guerra e as consequências da guerra do Irão na economia, sobretudo na economia familiar dos americanos e a subida de preços e dos combustíveis, tudo isso claro que tem influência. Até porque vamos ver, uma das referências e promessas de Donald Trump era pôr fim àquelas guerras dos neoconservadores. Ele foi eleito muito nesse sentido, por fim a essas guerras mais ou menos ideológicas dos neoconservadores e passar a ter uma política essencialmente realista, uma política de interesses americanos, uma política de realismo. E de facto essa guerra começou no dia 28 de fevereiro e há a ideia de que talvez ele tenha sido um pouco empurrado por Netanyahu, que lhe disse que havia uma possibilidade de um golpe tipo Venezuela dentro do regime do Irão. Mas nada disso acabou por se verificar. E de facto é uma guerra que tem corrido mal. Aliás, nem é a guerra, são as consequências da guerra, o Estreito de Ormuz fechado, é toda essa problemática que pompa isso para os Estados Unidos, cuja maior parte das pessoas não considera essa guerra essencial para os interesses americanos. Ele aí teve uma quebra grande na sua popularidade. Não escondo que ele fez coisas importantes, mas a partir desse momento não há dúvida que também não é muito estranho que haja um ceticismo grande nos eleitos e uma passagem de voto dos republicanos, porque a gente olha para a eleição de Trump em novembro de 2024 e há uma enorme mancha encarnada que apanha o Middle East e o Sul.

Jaime Nogueira Pinto, perdemos aqui momentaneamente a ligação. Sim, já estamos a ouvir novamente. Pode continuar.

Temos ver onde é que são, porque é muito significativo se estados como o Texas ou Carolina do Sul, que são estados há muitos anos e ininterruptamente republicanos e conservadores. Se nesses estados se dão essas transferências de voto, é muito mau augúrio para os republicanos.

Queria escutá-lo sobre este futuro do trumpismo e se essas eleições podem começar a marcar um fim do trumpismo no Partido Republicano e da influência de Donald Trump dentro do Partido Republicano.

Vamos lá ver. Curiosamente, a quebra que se deu ou que se tem dado mais importante e as críticas principais a Trump no Partido Republicano têm vindo de pessoas como o Tucker Carlson, como o American Conservative, ou seja, têm vindo de um setor mais conservador e que sobretudo discute muito esta questão da guerra e até o acusa de voltar a ser dominado pelos neoconservadores. Os neoconservadores foram uma força que esteve sempre presente, quer no Partido Democrata, quer no Partido Republicano E foram eles os grandes motores da segunda guerra do Iraque. Foram eles também, de certo modo, os grandes ativistas da guerra do Afeganistão. E aqui Trump, no princípio, e penso que foi uma das forças grandes que ele teve e que ele trouxe e o apoio que trouxe, quer na sua primeira eleição, quer depois na sua segunda eleição em 2024, era essa a ideia que ele ia acabar com essas guerras. Eu penso que ele percebeu isso, mas teve ali um reflexo que é muito próprio deste tipo de pessoas. Não quis sair dando parte fraco. Andou a entreter, porque se reparar também, não tem havido grandes atividades militares. Os Estados Unidos tiveram aquelas baixas no princípio, que não são baixas sequer muito significativas. Depois também está um síndrome ali de jogo: "Já perdi bastante, quero recuperar". Teve várias vezes as coisas para se fecharem e ele depois recuou. Acabou por não tomar a decisão e isso não há dúvida que perante uma figura deste tipo, que de fato introduziu uma revolução no Partido Republicano, nomeadamente foi buscar grupos sociais, toda aquela gente ali dos estados do Rust Belt, que estavam muito revoltados por causa da desindustrialização e das consequências sociais da desindustrialização. Ele, de certo modo, deu uma certa esperança a essa gente que o apoiou e a quem ele ficou a dever a vitória. E depois, com tudo isto e com as consequências, sobretudo económicas, altas de preços e o gorar de uma série de expectativas, acabou por arrastar um bocado o partido. Agora, há várias figuras, desde o Ted Cruz, até ao Vance, até ao Rubio.

Espera ver essas figuras a surgir para uma corrida presidencial?

Vamos ver, porque também aqui é um problema semelhante ao que está a acontecer, por exemplo, no Brasil, no pós-bolsonarismo. A parte que fica frustrada ou vencida, depois há primeiro um apurar de culpas. E depois há uma certa fragmentação. E ali nos Estados Unidos, é claro que o Trump também da maneira que é, até o final vai estar ativo, vai estar a fazer coisas, umas melhores, outras piores, mas vai estar ativo. Não estou a vê-lo também a retirar-se. Agora, como é que ele vai intervir entre essas várias figuras que vão surgir ali? Por exemplo, o Vance teve o cuidado de nunca se comprometer muito naqueles ardores belicistas de guerra e tudo isso. Mas está onde está, também não pode confrontar diretamente o presidente.

Francisco Pereira Coutinho, já pegando nesta análise, uma derrota pesada de Donald Trump nestas eleições, se isso existir, e de facto, já referiu, o tsunami ainda não está a acontecer, já vai se vendo essa onda democrata, mas ainda não estamos nesse cenário. Mas já vê aqui figuras que possam surgir no Partido Republicano, até porque essa eleição presidencial, nós já falámos disso esta noite, a eleição presidencial começa amanhã, a eleição de 2028. Está a ver figuras a surgirem já desta eleição?

A eleição presidencial começaria amanhã em condições normais, não estivesse o Partido Republicano nas mãos de Donald Trump há 10 anos. E essa é que é a questão. O normal na política americana desapareceu desde que Donald Trump apareceu no Partido Republicano, e ele aparece e o Nogueira Pinto referiu há bocado Ted Cruz, ele aparece e destrói completamente o establishment.

Ele destruiu-os todos.

Todos, inclusivamente o Marco Rubio.

Inclusive o Rubio, que ele chamava Little Marco.

Little Marco.

Jaime, só um último aspecto. O que espera, de facto — nós já estávamos a tocar neste aspecto — da política externa de Donald Trump depois desta eleição, e se os resultados desta noite podem influenciar decisões importantes no Irão, na Ucrânia, na Faixa de Gaza?

Vamos ver. O Trump apareceu e eu estava a me lembrar de um artigo muito importante, que foi importante para a escolha do Trump, do Michael Hunt, em que ele chamava o voo 93, que é aquele voo daquele avião que foi desviado também no 11 de setembro e que os tripulantes e os passageiros se revoltaram e tentaram depois tomar e o avião acabou por cair na Pensilvânia e os terroristas queriam levá-lo para Washington. E ele comparava o aparecimento do do Trump, comparava o aparecimento do Trump um pouco àquele dilema dos passageiros que estavam a bordo do voo 93. Ou seja, se deixassem tudo ficar como estava, acabavam por morrer. E ele comparava o Trump à revolta dos passageiros. Não há dúvida que o Trump quando apareceu, e essa revolução no partido, e essa ruptura no Partido Republicano, foi muito importante na altura, porque trouxe para o Partido Republicano gente que nunca tinha estado no Partido Republicano, nomeadamente o que restava das classes ali no Rust Belt, das classes trabalhadoras vítimas da desindustrialização. Foi uma revolta para bem e para mal. Ele conseguiu, de facto, várias coisas importantes. De facto, esta teimosia numa guerra que se estava a ver que não dava para ganhar, acabou por liquidar um bocado tudo isso. Agora, vamos lá ver. Há coisas que são importantes. A chamada ordem liberal internacional, goste-se ou não, acabou. Isso já ninguém a vai pôr de pé. Hoje em dia, e nesse aspecto, o Trump, até por afinidades eletivas com Xi, com Putin, etc, passa um bocadinho para aquela ordem das grandes potências. Ou seja, as ideologias, de certo modo, foram bastante postas de parte e passa a contar o realismo, passa a contar os interesses nacionais. Agora, o Trump na política externa, de facto, está mais livre, bastante mais livre constitucionalmente do que na política interna. Portanto, é natural que agora eu não vejo que ele vá fazer mudanças substanciais. Já seria um bocadinho loucura ir agora atacar outra vez o Irão e persistir na guerra do Irão. Não me parece que faça muito sentido, mas às vezes pode acontecer. Agora, não há dúvida que é outro mundo. Eu acho que com Trump ou sem Trump. O Trump foi, de certo modo, uma certa ruptura americana para entrar nessa ordem do mundo pós Guerra Fria. Que houve ali um tempo de transição, um interregno, mas que agora está mais ou menos definida. A gente viu, por exemplo, o próprio Brasil, só para acabar, e é um exemplo interessante, o Brasil em política externa. Política interna passou, digamos, do Lula para o Bolsonaro e agora voltou ao Lula. E a política externa brasileira foi mais ou menos a mesma e ditada por razões de ordem econômica, em que levaram sempre em conta que precisavam dos adubos russos, precisavam de vender a produção agrícola deles à China. Não alteraram muito as coisas com grandes perspectivas e diferenças ideológicas internas e até de radicalidade para a direita e para a esquerda, mas praticamente não houve essas mudanças. Eu acho que isso é um ponto interessante e que o Trump, de um certo modo, seguiu. Vamos ver se continua ou se volta para trás. Não sei.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.