Mercado de games poderá ter linha de crédito própria e cursos em faculdades federais
Empresas brasileiras do setor de jogos poderão passar a contar com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de games no País. De acordo com decreto do governo, o objetivo é criar condições para aumentar a participação no mercado internacional no curto prazo.
A determinação foi feita neste mês de outubro com base no Marco Legal para a Indústria de Jogos Eletrônicos no País, instituído em 2024. O texto identifica, por meio de regras e diretrizes, o que pode ser considerado um “video-game”. A partir dessa designação, o decreto atribui responsabilidades para os órgãos públicos envolvidos no setor.
Para 2027, o Ministério da Cultura prevê duas iniciativas com expectativa de arrecadação próxima a R$ 50 milhões cada. A primeira delas será para equipar laboratórios e espaços de desenvolvimento; outra para apoiar a produção, o lançamento e a venda de jogos brasileiros independentes.
“Até dois anos atrás, a gente não tinha nenhum tipo de estrutura que determinasse o que é o setor de videogames no Brasil. Sempre existiram empresas, grupos, associações, mas nunca houve apoio público”, afirmou Raquel Gontijo, Diretora de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Brasileira de Games (AbraGames).
“No último levantamento que fizemos, em 2023, identificamos que cerca de 90% das empresas do setor de jogos no País são Microempreendedores Individuais (MEIs), ou Microempresa (ME)”, informou Raquel.
No texto assinado neste mês, o Poder Executivo se responsabiliza, também, pela proteção dos usuários, a preservação dos jogos financiados com recursos públicos, para além da proteção da propriedade intelectual dos criadores brasileiros.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) poderá propor uma chamada pública da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) de R$ 200 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Ainda segundo o decreto, como projeto de médio-prazo focado na formação de profissionais para a indústria, o Ministério da Educação deverá oferecer cursos de graduação na área em cinco universidades federais, nas cinco regiões do país, com 230 vagas pactuadas.
“Nossa expectativa é que com esses financiamentos, o setor seja bem fomentado para que a gente possa desenvolver muito mais produções próprias e essas produções conseguirem concorrer, de fato, no mercado mundial”, explicou Ivan Sendim, fundador do estúdio independente Epopeia Games.
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