8h. Mercado Natal. Manifestantes ameaçam continuar acampada
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O Observador 8:01.
Cavaco Silva sai em defesa do governo no braço de ferro com os protestos da Acampada. O antigo presidente da República entende que a PSP tem tido legitimidade para agir e fala numa manipulação dos protestos por parte da extrema-esquerda.
Esta posição foi transmitida ontem no Conselho de Estado. Foi uma intervenção do ex-presidente da República descrita pelos presentes como muito forte. O Observador sabe que Aníbal Cavaco Silva está em sintonia com a posição que o governo tem tomado. Miguel Gato.
Coloca-se ao lado do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna na gestão destes protestos. Cavaco alerta que as manifestações têm sido marcadas por casos flagrantes de falta de respeito pelas autoridades e deixa um aviso claro: se não houver uma gestão eficaz das ruas, é a própria autoridade do Estado que é colocada em causa. Portanto, na prática, o antigo presidente da República sai em defesa das ações da PSP, que aconteceram nas últimas duas semanas. Para Cavaco, as concentrações pela habitação na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto, têm fins políticos ditados por grupos de extrema-esquerda.
Do lado do governo, a informação recolhida pelo Observador diz que há a convicção de que o tempo vai acabar por dar razão ao Executivo e à PSP, Miguel.
Sim, o governo perspectiva que a repetição dos protestos acabe por cansar a opinião pública e também a comunicação social, ou que os próprios manifestantes percam o controle das concentrações. Além disso, uma fonte do Executivo admite que a recente decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa pode acabar por oferecer ao governo uma saída airosa para toda esta polêmica. No governo, entende-se que não existiu uma vitória absoluta dos manifestantes. Um alto dirigente da AD diz ao Observador que a decisão diz claramente que os manifestantes não podem simplesmente ocupar o espaço público, argumento que tem sido utilizado pelo Executivo para justificar as cargas policiais das últimas semanas.
Miguel Gato, com o ângulo do governo face aos protestos nas ruas e também com os bastidores do Conselho de Estado. De resto, o Observador apurou que não se sentiu qualquer mal-estar entre o presidente da República e o primeiro-ministro. Os dois tiveram o habitual almoço semanal, que foi antecipado para ontem, porque António José Seguro viaja hoje para Madri, vai participar na Cimeira Ibero-Americana.
E pode ler mais no artigo que faz esta hora manchete no site do Observador, num artigo assinado pelo editor-adjunto de política, o Miguel Santos Carrapatoso. Entretanto, Carla, os manifestantes pela habitação garantem que não vão abandonar a Praça do Rossio, em Lisboa, mesmo com a montagem do mercado natal.
Que está prevista para começar hoje. O movimento Acampada chegou a sugerir ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, a mudar a localização do mercado. O autarca já reconheceu que não é possível ter a feira de Natal e as manifestações a decorrerem no mesmo local. A repórter Teresa Freire está agora em direto do Rossio. Teresa, pergunto se há algum sinal de que esta montagem do mercado esteja para breve e se há tendas montadas aí na praça em protesto.
Por enquanto, não há praticamente ninguém na praça. Vê-se apenas uma tenda onde está um manifestante que decidiu pernoitar aqui e que ainda não abandonou a tenda. Renata Câmara acabou por não pernoitar na praça ontem à noite e, portanto, neste momento só vemos uma tenda e ainda alguns cartazes que restaram da assembleia de ontem à noite. Quanto ao mercado natal, o início da montagem estava previsto para hoje, mas por enquanto ainda não há sinais dessa montagem. Neste momento passa apenas um automóvel da Higiene Urbana da Câmara de Lisboa, que está a limpar a praça. Tendo em conta que ontem à noite foi a 17ª Assembleia Popular em Lisboa, decidiram não pernoitar na praça. Ainda assim, há uma tenda neste momento. Decidiram, sim, que hoje vão voltar a acampar na Praça do Rossio.
Uma tenda só durante a noite. Teresa Freire, com a descrição do ambiente esta manhã. Não há ainda sinais do início da montagem do mercado de Natal. Há a perspectiva de uma nova concentração de manifestantes para mais logo à tarde. No Porto, foram montadas pouco mais de 10 tendas, depois dos manifestantes terem votado a favor de passar a madrugada na Praça Dom João I.
Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã horas antes das eleições intercalares norte-americanas.
Há mais de dois meses que não havia ataques diretos. Os Estados Unidos lançaram agora uma intervenção militar contra a ilha de Qeshm, no sul do Irão. O Wall Street Journal cita fontes do governo e refere que é apenas um dos vários ataques que têm ocorrido em segredo nas últimas semanas. Hoje há eleições intercalares nos Estados Unidos. Cerca de 210 milhões de eleitores decidem quem vai controlar o Congresso. Os republicanos lideram, nesta altura, as duas principais Câmaras do país.
São agora 08:06, Carla. Antes dos momentos de glória, que outras notícias marcam esta manhã?
Fernando Araújo, o antigo diretor-executivo do SNS, acusa o governo de adiar a resolução dos problemas na saúde e de não cumprir as promessas feitas aos portugueses. Num artigo de opinião no Público, Fernando Araújo critica, sobretudo, o desempenho do plano de emergência na saúde. Aponta que nem o reforço orçamental evitou o agravamento dos tempos de espera para consultas e cirurgias. O governo assinou hoje com a Lufthansa o contrato de venda parcial da TAP. A proposta do grupo alemão foi escolhida pelo Executivo para a compra de uma participação minoritária na companhia aérea portuguesa. Na cerimônia vão estar o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, o ministro das Infraestruturas e também o presidente-executivo do grupo Lufthansa. Domingos Duarte Lima, o advogado, ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD, está no centro do novo podcast Plus do Observador.
Chama-se "As Sombras de Duarte Lima", revela toda a história da investigação ao homicídio de Rosalina Ribeiro. Foi em 2009, no Brasil. Duarte Lima foi acusado do crime pela Justiça brasileira. Quase 17 anos depois, vai começar a ser julgado esta semana no Tribunal de Sintra.
A investigação já leva alguns meses e Duarte Lima continua a ser o principal suspeito do assassinato de Rosalina Ribeiro. A polícia precisa traçar um mapa com as deslocações do advogado português, a última pessoa conhecida a estar com a vítima. E uma das formas de fazer isso é seguir o percurso do telemóvel dele através do registro nas antenas que são ativadas de cada vez que é usado. Problema: o telemóvel pessoal de Duarte Lima não foi detectado no Brasil nos dias 5, 6, 7 e 8 de dezembro de 2009. Ou estava desligado ou ficou em Portugal.
É um excerto do terceiro episódio de As Sombras de Duarte Lima, que já está disponível.
É uma série narrada pelo ator João Reis, com música original do Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista do Observador, Carlos Diogo Santos.
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