Justiça Militar condena à prisão capitão e cabo da PM acusados pela morte de sargento em quartel

Para o capitão Francisco Carlos Laroca Júnior, o julgamento, que começou à tarde e terminou durante a noite, determinou 22 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio qualificado e 11 meses de detenção, em regime inicial aberto, pelo crime de fraude processual.
Fabiano Rizzo foi condenado a 17 anos, 1 mês e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por homicídio qualificado, e a seis meses de detenção, em regime inicial aberto, por fraude processual.
Ainda cabe recurso para a decisão, que é de primeira instância. Os réus poderão recorrer em liberdade.
Sargento morto no quartel
Rullian Ricardo da Silva era de Franca (SP) e estava há 17 anos na corporação. Em abril de 2023, comemorou um ano da promoção para sargento e da mudança para a capital.
Embora estivesse vivendo o sonho de morar em São Paulo, Rullian estava insatisfeito com a desorganização das escalas de trabalho e reclamou disso em áudios compartilhados com amigos.

VÍDEO: câmera em farda registra momentos depois de PM ser morto em quartel de São Paulo
No feriado da Páscoa de 2023, o sargento deveria ter folga e tinha planos de visitar a família em Franca. Mas, de última hora, o capitão Francisco Laroca comunicou a Rullian que ele deveria assumir o plantão daquele final de semana.
No dia 6 abril, ele estava no alojamento da Polícia Militar, em São Paulo, quando discutiu com o capitão Laroca sobre a mudança da escala.
À esquerda, Rullian Ricardo da Silva, morto dentro de quartel da PM em São Paulo. À direita, o capitão da Polícia Militar Francisco Laroca, investigado pela morte — Foto: Reprodução/EPTV
Na época, o Comando da PM informou que Rullian teria sacado uma arma e que Laroca, também armado, acabou atirando três vezes para se defender. O motorista do capitão, o cabo Fabiano Rizzo, também atirou uma vez contra o sargento.
Rullian foi atingido no pescoço e no tórax e morreu dentro do alojamento da PM. As armas dos três policiais foram apreendidas.
Imagens da câmera acoplada à farda do policial que atendeu a ocorrência após o crime registraram Laroca se justificando, dizendo que Rullian agiu com grosseria ao contestar uma colega.
As imagens também registraram Rullian baleado, deitado e envolto em uma coberta na cama de cima de um beliche.
O policial responsável pelo atendimento retirou uma arma que estava junto com Rulian embaixo da coberta e que seria um revólver calibre 32.
Sargento Rullian Ricardo da Silva foi morto dentro do quartel, em São Paulo (SP) — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
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