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Thursday, October 29, 2026

O Castro da Srª da Guia, Baiões (S. Pedro do Sul)

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a história das histórias. Eu, João Paulo Secador, acolho aqui o Jorge Adolfo Marques, historiador e mestre em arqueologia, que nos vai falar hoje de uma estação arqueológica ímpar, este Castro da Senhora da Guia, em Baiões, na zona de São Pedro do Sul. Vamos a isso. Olá, Jorge. Bem-vindo.

Olá, João Paulo. Obrigado.

Vamos a isso.

Hoje, depois de termos feito uma nova incursão.

Nova incursão a uma cidade lusitana, exatamente.

À Cava de Viriato. Que importa dizer que é um dos maiores monumentos arqueológicos da Europa. Portanto, é um monumento nacional desde 1910 e que tem uma história extraordinária, como muitos têm sublinhado ao longo de muitas investigações, muitos estudos que têm sido feitos ao longo do tempo. Hoje vamos até à região de Lafões e fazer aqui um breve apontamento sobre o chamado Castro da Senhora da Guia, em Baiões. Baiões fica mesmo ali sobranceiro às termas de São Pedro do Sul, às Caldas de Lafões. Às famosas termas onde a rainha dona Amélia esteve e dom Carlos também. Estiveram mais do que uma vez naquelas termas, aliás, como muitos reis, a começar pelo nosso primeiro rei, o nosso dom Afonso Henriques, que esteve ali a curar do desastre de Badajoz. Mas a Senhora da Guia é anterior a essas termas romanas. O Castro da Senhora da Guia. Importa dizer que esse monte tem precisamente a coroá-lo uma capela, a Capela da Senhora da Guia, Nossa Senhora da Guia. E por ali, na base, passam não só o rio Vouga, esse rio que nasce aqui também na Beira Alta, mas também a ribeira de Varosa. Importa dizer que é importante esta referência aos rios, porque estas populações localizavam-se, como aliás o homem onde se criou assentamentos, onde criou aldeias ou cidades, sempre junto a rios. Sem água não há vida e portanto estas populações também precisavam dessa água para viver. Este sítio foi escavado entre 1973 e 1977, sob a responsabilidade de uma figura que eu não poderia deixar aqui de referir, porque uma pessoa extremamente importante, até no meu percurso pessoal, monsenhor Celso Tavares da Silva, arqueólogo, homem de igreja, homem do conhecimento, um dos fundadores da Universidade Católica em Viseu. Aliás, foi o seu primeiro responsável, o seu primeiro diretor, podemos assim dizer. Portanto, uma figura muito conhecida aqui na região, de grande envergadura intelectual e ali encontrou, nesses trabalhos que ele fez, cerâmicas, bronzes. Encontrou uma série de objetos, um espólio arqueológico que, para além desses objetos, ele dentro das muralhas desse povoado, vai encontrar também outros objetos, nomeadamente em metal. Esse espólio em objetos de metal, particularmente em bronze, encontram-se hoje guardados, mas é possível visitá-los. Portanto, é possível visitar essa coleção extraordinária de objetos em bronze na Câmara Municipal de São Pedro do Sul. Mesmo no edifício da câmara. Não é todos os dias, mas quem quiser visitar esses objetos belíssimos em bronze, terá que contactar a câmara e ser-lhe-á indicado o dia e hora para essa visita acompanhada a essa coleção extraordinária. Mas dentro desse povoado, estamos a falar de um povoado castrejo, portanto pré-romano. Estamos aqui a falar de populações pré-romanas, antes dos romanos terem aqui aportado, de um período que é o chamado Bronze Final. Estamos ali no final do segundo milênio antes de Cristo até aos inícios do primeiro milênio.

Antes de Cristo.

Antes de Cristo. Portanto, um período ali final da Idade do Bronze. E vão ser encontrados, para além disso, para além das cerâmicas que eu já referi, esses objetos em metal. Mas interessa, acima de tudo, fazer referência ao seguinte: essas cerâmicas Têm características decorativas, caracterizam-se por um tipo de decoração que vai dar um nome tipo. Isto é, sempre que nalguma estação, num sítio, aparecem cerâmicas com aquele tipo de decoração, independentemente do sítio onde aparecem, seja mais a norte, no Minho, no Douro litoral, seja onde for, elas são designadas de cerâmicas tipo Baiões, Santa Luzia. O que é curioso. Por quê? Porque pela primeira vez elas foram identificadas aqui neste sítio. E qual é a característica? Uma das características fundamentais é elas terem uma decoração feita com incisões, portanto com algo que raspasse a cerâmica depois dela ser cozida. Fazer um risco.

Ok.

Fazer um risco, fazer um desenho numa cerâmica que já foi cozida e essas decorações, que são geralmente uma decoração geométrica nessa cerâmica, aparece então pela primeira vez aqui e que deu nome.

Nome a este tipo de decoração.

Marca a esse tipo de decoração. Agora, relativamente às peças em metal, que são o grande achado destas escavações, temos machados de talão, desde machados a braceletes, a taças, a carrinhos votivos, a espetos, a fúrculas. Todos estes objetos.

O que são fúrculas?

Uma fúrcula é um objeto comprido, para simplificar, tipo um espeto, mas que na ponta tem uns dentes, tipo um garfo, mas com os dentes revirados.

Como aquelas coisas para coçar as costas.

Boa imagem, mas é melhor não coçar. Eles não coçavam as costas com isto, porque aquilo picava sendo em bronze. Mas servia, nomeadamente, para tirar carne que estava em caldeirões a ser cozida. Dava para tirá-las.

Uma espécie de garfo.

Uma espécie de garfo. Utilizada, por exemplo, em momentos rituais.

Ok.

Não era para-

Para a culinária, para a gastronomia diária.

Para o dia a dia.

Ok, pronto.

Portanto, estes objetos ali encontrados encontram-se visitáveis e podem-se ver nesse museu na Câmara Municipal. Tinham uma função ritual e, portanto, é um sítio que não pode deixar de ser visitado, porque dali também tem uma vista extraordinária sobre aquele percurso do Vouga, ali mesmo juntinho às termas romanas de São Pedro do Sul.

Incrível.

Este lugar não foi abandonado nesse período, que corresponde precisamente a esses objetos em metal, em bronze, datados do Bronze Final. Por quê? Porque encontramos também cerâmicas e outros objetos dos períodos imediatamente a seguir. Nomeadamente da Idade do Ferro. Estamos aqui já na época dos lusitanos.

Sim.

Na Idade do Ferro e também do período romano. Isto é, há objetos, há cerâmicas que são datadas desse período e que nos falam de uma longa história da ocupação daquele lugar.

Incrível. Ficamos a saber então que ali no Castro da Senhora da Guia, Baiões, há este castro, há esta povoação castreja e depois o espólio, já sabe, tem que combinar com a Câmara Municipal de São Pedro do Sul para visitar. E pelas palavras do Jorge, vale muito a pena. Também não conheço, mas vou me inscrever quando passar lá para visitar isto como deve ser. Muito bem, Jorge, então nós por hoje estamos, marcamos encontro amanhã. Bem-hajas.

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