Lula e Flávio Bolsonaro fazem debate tenso no 2º turno; veja como foi o confronto na Band
RESUMO +
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um debate marcado por acusações envolvendo a fraude do INSS, o caso do Banco Master e familiares dos dois candidatos. No primeiro confronto do segundo turno, realizado pela Band neste domingo, 18, os adversários também discutiram segurança pública, mas dedicaram boa parte do embate direto a ataques e provocações.
O primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado pela TV Bandeirantes na noite deste domingo, 18, foi marcado por uma intensa troca de acusações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Os candidatos concentraram boa parte do confronto em suspeitas relacionadas à fraude do INSS, ao caso do Banco Master e a familiares, deixando a discussão de propostas em segundo plano.
No segundo bloco, com embate direto, mas com formato de perguntas, respostas e réplicas, os candidatos debateram mais propostas.
Ao longo do encontro, Lula e Flávio trocaram acusações de corrupção, questionaram relações de seus adversários com pessoas investigadas e protagonizaram momentos de tensão. O presidente cobrou explicações sobre supostas ligações do senador com o empresário Daniel Vorcaro, enquanto Flávio direcionou perguntas ao petista sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e pessoas citadas nas investigações sobre fraudes previdenciárias.
O confronto também teve provocações pessoais. Lula acusou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, de atuar contra o Brasil nos Estados Unidos e ironizou o adversário ao ser questionado sobre o voto de pessoas presas.
Já o senador criticou o governo petista e buscou associar familiares do presidente a suspeitas de irregularidades. As acusações apresentadas pelos dois candidatos não significam, por si só, comprovação de envolvimento nos casos mencionados.
Apesar do tom predominante de confronto, os candidatos apresentaram posições sobre segurança pública. Flávio prometeu endurecer o combate às facções criminosas, enquanto Lula defendeu ampliar a participação do governo federal na área com a aprovação da PEC da Segurança Pública, em discussão no Senado. Os dois também responderam a perguntas sobre contas públicas.
O debate ocorreu nos estúdios da emissora, em São Paulo, com a presença de aliados e assessores das duas campanhas. O governador reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e os senadores eleitos, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), e o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL) estavam acompanhando Flávio.
Com o presidente Lula, estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama, Janja da Silva, o presidente do PSB e ex-prefeito de Recife, João Campos, a deputada reeleita Tabata Amaral (PSB), o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fontales.
Do lado de fora, apoiadores dos candidatos, separados por grades, acompanharam a movimentação e reagiram aos momentos de maior tensão. O encontro começou com 15 minutos de atraso após a chegada dos dois participantes.
Flávio promete guerra ao PCC, e Lula defende maior atuação federal na segurança
Na primeira parte do debate, os candidatos responderam a perguntas dos apresentadores sobre segurança pública e contas públicas.
Ao abordar o enfrentamento ao crime organizado, Flávio Bolsonaro prometeu adotar uma postura mais dura contra as facções criminosas caso seja eleito presidente.
“A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra ao PCC como narcoterroristas”, afirmou o senador, em referência ao Primeiro Comando da Capital.
Flávio também prometeu construir presídios e recuperar territórios dominados por organizações criminosas.
Lula, por sua vez, criticou a atuação dos governos estaduais na segurança pública e defendeu ampliar a participação da União no combate ao crime organizado.
O presidente citou a proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada por seu governo para ampliar a atuação federal na área. Também mencionou a aprovação de uma legislação voltada ao enfrentamento das facções criminosas.
INSS e familiares dominam confronto direto entre Lula e Flávio
O tom do debate mudou durante a etapa de confronto direto, na qual os candidatos puderam fazer perguntas um ao outro sem a definição prévia de temas.
Lula iniciou uma das discussões ao questionar Flávio sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade para funcionárias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2009, quando o senador exercia mandato de deputado estadual.
“O que você tem contra as mulheres?”, perguntou o presidente.
Flávio negou ter qualquer posição contrária às mulheres, mas não respondeu diretamente ao questionamento sobre o voto.
Em vez disso, levou a discussão para as suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O senador mencionou Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas ao esquema de fraudes previdenciárias, e questionou Lula sobre a relação dela com seu filho, Lulinha.
Flávio também utilizou declarações públicas de Roberta contra o presidente. Amiga de Lulinha, ela havia sido chamada de “pilantra” por Lula e respondeu classificando o petista como “mentiroso” e “senil”.
O presidente afirmou que as suspeitas deveriam ser apuradas pela Polícia Federal e, na sequência, cobrou explicações de Flávio sobre sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, personagem central das investigações sobre descontos irregulares em benefícios previdenciários.
A partir desse momento, o confronto passou a ser dominado por acusações envolvendo familiares dos candidatos e pessoas citadas em investigações, sem que houvesse um aprofundamento das propostas de governo.
A discussão também teve interrupções e momentos de irritação. Lula interrompeu o adversário durante o confronto, enquanto Flávio insistiu em perguntas sobre o filho do presidente e as suspeitas relacionadas ao INSS.
Lula leva caso Banco Master ao debate e cobra Flávio sobre Vorcaro
Após a troca de acusações sobre o INSS, Lula passou a questionar o adversário sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
O presidente mencionou supostos repasses milionários relacionados à produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e cobrou explicações de Flávio sobre o caso.
Durante o confronto, Lula também questionou o senador sobre sua atuação como advogado em um caso envolvendo um policial.
A sequência de perguntas fez com que Flávio utilizasse seu tempo de resposta antes do presidente. Lula terminou a etapa com aproximadamente um minuto a mais disponível para falar.
No encerramento do embate, o petista afirmou que queria testar até onde iria a “mentira de Flávio”, retomou programas de seu governo e disse que pretende ampliar as ações em um eventual novo mandato.
Na sequência, Flávio teve direito de resposta. O senador utilizou o minuto disponível para acusar Lula de mentir e reforçar suas propostas para a segurança pública.
Lula acusa Eduardo Bolsonaro de atuar contra o Brasil nos Estados Unidos
As divergências entre os candidatos também envolveram a atuação de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão de Flávio, nos Estados Unidos.
Durante o debate, Lula acusou Eduardo de articular ações contrárias aos interesses brasileiros e dirigiu a crítica diretamente ao senador.
“O seu irmão está fugindo nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil. Vocês estão traindo a pátria e serão julgados por isso”, afirmou.
A declaração ampliou o confronto envolvendo familiares dos candidatos, que já havia marcado as discussões sobre o INSS e o Banco Master.
'Quero 100%, inclusive o teu pai', diz Lula a Flávio sobre voto de presos
Outro momento de tensão ocorreu quando Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre a preferência eleitoral de pessoas privadas de liberdade.
“Por que 60% dos presidiários votaram em você?”, perguntou o senador.
O presidente respondeu com uma provocação direcionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
“Quero 100%, inclusive o teu pai!”, rebateu Lula.
A declaração fez referência à situação judicial de Jair Bolsonaro, condenado em 2025 a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária.
O percentual de 60% citado por Flávio durante o debate não foi acompanhado, no confronto, de informações sobre a origem dos dados ou a metodologia utilizada.
No Brasil, pessoas com condenação criminal transitada em julgado têm os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação, mas presos provisórios continuam com o direito ao voto.
A legislação também permite a participação eleitoral de adolescentes submetidos a medidas socioeducativas de internação, desde que cumpram os requisitos de idade e tenham inscrição eleitoral regular.
A existência do direito ao voto, contudo, não significa que todos os presos provisórios consigam exercê-lo. A participação depende de condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral, como a regularidade da inscrição e a organização de seções eleitorais nos estabelecimentos.
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