ESPN DeportesSigue el castigo a Giants en Los AngelesESPNGiants put rookie Eldridge on concussion list after accident at team hotelThe Jerusalem PostTexas Gov. Abbott freezes environmental permits for AI data centers in expanding state power auditוואלהמועצת השלום: על הצדדים להימנע מצעדים שעלולים לערער את הפסקת האש בעזהPunchNigeria records W’Africa’s first telerobotic surgery across 500km한겨레[속보] 대검 신임 차장에 이정현 수원고검장…검찰총장 직무대행Daily MaverickLula and Bolsonaro statistically tied in potential Brazil runoff, polls suggestUOLCorinthians elimina o Bahia e avança à 10ª final consecutiva do Brasileiro FemininoThe Sydney Morning HeraldAustralia news LIVE: PM launches UN Security Council bid, calls for international safeguards on AI; US TV networks refuse to cover Trump press events after White House media banEl Comercio¿Qué se sabe de la presencia del Señor de los Milagros durante la visita del papa León XIV al Perú?النهارتعيينات في المؤسسة الوطنية للاستخدامNew Straits TimesTiger attack claims Orang Asli man's life in Sungai Siput
The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, September 22, 2026

O desporto também faz parte da missão das universidades

Translate

Uma universidade não existe apenas para produzir conhecimento ou preparar profissionais. Existe também para formar pessoas. Se aceitamos esta ideia, então o desporto não pode ser tratado como uma atividade extracurricular ou periférica. Deve fazer parte da missão universitária: porque contribui para a saúde física e mental, promove relações e sentido de comunidade, desenvolve competências e valores e pode criar condições para que um estudante concilie formação académica e excelência desportiva.

É esta convicção que a Universidade de Coimbra procura transformar em ação há cerca de dez anos. E a experiência deste decénio permite tirar algumas conclusões sobre o que significa, na prática, assumir o desporto como parte da missão de uma universidade.

Uma universidade que leva o desporto a sério deve ser capaz de criar condições para a prática, mas também de acolher grandes eventos e de transformar esse investimento em legado. Em 2018, Coimbra organizou os Jogos Europeus Universitários. Esta competição – o maior evento multidesportivo alguma vez organizado em Portugal (antecedido, em 2017, pelos Europeus Universitários de Judo, Karaté e Taekwondo) – colocou a cidade e a universidade no centro do mapa europeu do desporto universitário.

Mas o verdadeiro valor de um grande evento mede-se pelo que permanece depois de terminar. Em Coimbra, o ciclo iniciado em 2017 contribuiu para importantes requalificações do Estádio Universitário, reforçou a capacidade organizativa e deu ao desporto uma nova centralidade na academia. Hoje, aquele espaço tem uma utilização cada vez mais intensa por equipas universitárias, programas regulares e parceiros externos.

Levar o desporto a sério significa também criar oportunidades para que ele faça parte do quotidiano de quem não é atleta. Não basta apoiar a competição: é necessário democratizar o acesso à prática desportiva e promover hábitos de vida saudável. Ao longo destes anos, a UC alargou a oferta de atividade física e criou ligas e competições internas. Os Jogos Universidade de Coimbra, que começaram com uma liga e algumas dezenas de participantes, reúnem atualmente seis ligas e 3875 participantes. No conjunto das suas atividades desportivas, a Universidade ultrapassou já os 10 mil participantes anuais.

Esta dimensão da política desportiva é tão importante como a do alto rendimento. A universidade deve ser um lugar onde um estudante encontra condições para fazer exercício, mas também onde docentes, investigadores e membros do corpo técnico possam integrar a atividade física no seu quotidiano. O posicionamento UC – membro-fundador do programa Healthy Campus da FISU, com o nível Platina, e distinguido com o Selo Estudante-Atleta, a Bandeira da Ética e o Prémio de Boas Práticas do IPDJ – reflete uma visão que relaciona desporto, saúde, ética, inclusão e qualidade de vida.

Mas assumir a formação integral dos estudantes significa também responder a quem pretende fazer do desporto uma carreira. O estudante-atleta não deve ser obrigado a escolher entre a formação académica e a excelência desportiva. A carreira dual exige condições concretas e estabilidade. Na UC, são atribuídos anualmente cerca de 300 Estatutos de Estudante-Atleta, complementados pelo Quadro de Mérito Desportivo e pelo Programa de Apoio ao Alto Rendimento. Ao longo dos anos, centenas de estudantes beneficiaram ainda de bolsas e outros apoios, num investimento superior a 100 mil euros, a que se somam parcerias com a maioria das federações desportivas nacionais.

Os resultados desta aposta encontram expressão em estudantes que conseguiram conciliar a sua formação com a competição ao mais alto nível. Os exemplos de Camila Rebelo, Catarina Costa, Diogo Cancela, Telmo Pinão e Tomás Cordeiro, que participaram nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris 2024, são paradigmáticos de como a carreira dual pode ser uma realidade quando a universidade cria condições para que as duas dimensões se reforcem mutuamente.

A capacidade de acolher grandes competições continua também a ser uma dimensão deste percurso. Em 2025, Coimbra recebeu os Campeonatos Europeus Universitários de Ténis e Padel, assinalando a estreia do Padel numa competição europeia universitária. Este mês, esse percurso prossegue com o Campeonato Mundial Universitário de Desportos de Praia, na Figueira da Foz, numa parceria entre a FADU, a AAC, a UC e o Município anfitrião.

Falta ainda um vértice neste polígono: a produção e transmissão de conhecimento. Uma universidade dispõe de competências que nenhum outro agente desportivo reúne da mesma forma: das ciências do desporto à medicina, da nutrição à psicologia, das ciências farmacêuticas à enfermagem, da engenharia às ciências e tecnologias. É essa capacidade que a UC procura mobilizar através da Unidade de Apoio ao Desporto de Alto Rendimento, aproximando investigação, ciência e preparação desportiva. Prevê-se que cada estudante-atleta integrado beneficie de um investimento anual na ordem dos 5 mil euros, através dos recursos que lhe são disponibilizados (assim como são postos à disposição das respetivas federações desportivas nacionais).

Estes dez anos de experiência não permitem afirmar que exista uma receita única para o desporto universitário. Permitem, sim, perceber que assumir o desporto como parte da missão universitária significa criar oportunidades de prática, apoiar a carreira dual, acolher eventos que deixam legado e colocar o conhecimento ao serviço do desempenho e da saúde. E que isso dá frutos, formando melhores pessoas e melhores atletas, em benefício da sociedade.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.