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Sunday, October 18, 2026

O que ninguém quer ver despediu Amorim mas aguenta Carrick?

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Afinal, a derrota no Metropolitano frente ao Atl. Madrid, com um golo sofrido logo aos 53 segundos, não era a principal “bomba” da noite. Após o desaire por 2-0 na Liga dos Campeões, e já depois de sinais que vinham a ser deixados por alguns dos principais jogadores, Lisandro Martínez chegou-se à frente ainda na zona de entrevistas rápidas e apontou a quase tudo e todos: admitiu erros dos jogadores, “ilibou” Michael Carrick colocando-o quase como vítima e não culpado, visou a administração e sobretudo o diretor do futebol, Jason Wilcox, por tudo aquilo que o Manchester United não tem feito para as melhorias do clube. Mais: a seguir a essa explosiva intervenção, ainda teve o apoio de alguns companheiros nas redes sociais…

Agora, voltava a Premier League. Outro pesadelo, claro. Para Frank Ilett, que há quase dois anos fez aquela promessa de que deve estar bem arrependido de não cortar o cabelo enquanto os red devils não somassem cinco vitórias consecutivas, estará a ser ainda pior mas, contas feitas, com apenas uma vitória em seis jogos no Campeonato, este estava a ser o pior arranque do clube desde a temporada de 1985/86 há quatro décadas – com essa particularidade de ter sido essa campanha dececionante de Ron Atkinson que abriu as portas a uma das maiores figuras de sempre do clube de Old Trafford, Alex Ferguson. Mesmo que não se perceba ao certo os objetivos reais do United esta época, era imperioso estancar o mau momento.

Segundo a imprensa inglesa, as declarações de Lisandro Martínez motivaram uma espécie de confinamento em Carrington, numa medida tipo lockdown que terá chegado também a todas as mulheres e companheiros dos jogadores em relação a eventos sociais e jantares noturnos (incluindo um que já estaria combinado há muito). O argentino voltou a falar para explicar as declarações, dizendo que falou “com raiva e frustração” por não ter conseguido o resultado pretendido, mas nem por isso retirou as acusações: “As minhas palavras refletem o que sinto e o quanto quero ver este clube a lutar por títulos importantes. Estes padrões elevados fazem parte da minha forma de ver o futebol e da responsabilidade de envergar esta camisola. Quando falo em querer mais, refiro-me à ambição que todos devemos ter enquanto parte deste clube. Para continuarmos a crescer, a ficar mais fortes e a ter tudo o que é necessário para competir”.

“Antes de tudo, somos nós, os jogadores, que temos de dar respostas, e coloco-me na linha da frente dessa responsabilidade. Temos de exigir ainda mais de nós próprios e trabalhar em conjunto para levar o Manchester United de volta ao topo. Acredito nos meus companheiros de equipa, no nosso treinador e em todos os que trabalham para ajudar este clube a seguir em frente. Estou convicto de que o caminho é continuar a trabalhar juntos, com ambição e empenho. O meu objetivo é o mesmo desde o primeiro dia: vencer, competir ao mais alto nível e dar tudo por este clube”, acrescentou o defesa nessa mensagem.

Michael Carrick, que continua a ser mais político do que propriamente treinador, tentava esquecer o episódio e centrar atenções na deslocação a Elland Road para o dérbi frente ao Leeds que ficará para sempre marcado como a última partida de Ruben Amorim no comando do United. “Há muitas pessoas que dizem muitas coisas, isso não significa necessariamente que eles entendam o que se está a passar aqui. Só porque as pessoas falam do lado de fora, não significa que seja a verdade. Eu estou a dizer-vos a verdade. O plantel hoje esteve num lugar fantástico, melhor do que o que tenho visto há algum tempo. É isto, simples e claro. Somos emocionais, importamo-nos muito. Nada nos distrai do que estamos a criar aqui e do ambiente e espírito dentro do grupo. O plantel não está afetado pelo que se passou”, assegurou o técnico da equipa.

“O Lisandro fez a sua declaração, percebeu que cometeu um erro e acho que isso é suficiente para todos avançarmos. Pedimos paixão, emoção, fogo, pedimos que os jogadores se importem. Há uma forma de fazer isso, já foi reconhecido. Precisamos de transportar essa intensidade, essa vontade, união e espírito e tudo o resto que se pode trazer com isso. Como grupo, precisamos e temos de usar isso da forma correta”, acrescentou Carrick, quase colocando a partida com o Leeds como um teste à capacidade de dar a volta ao atual cenário numa altura em que se fala de forma mais insistente de Antonio Conte como sucessor.

À semelhança do que acontecera em Madrid, com a troca de Marcus Rashford pelo regressado Amad Diallo (que foi um dos elementos que foi dar “apoio” nas redes sociais a Lisandro Martínez…), o técnico voltou a apostar num meio-campo com Baleba e Andrey Santos tendo Tielemans à frente e Bruno Fernandes a cair numa das alas, neste caso mais na esquerda. Em Espanha não correu bem, em Leeds continuou a deixar o médio português “fora do jogo” mas com resultados ao intervalo: já depois de uma boa defesa de Lammens (26′) e de um desvio de cabeça de Mbeumo que passou ao lado (27′), o mesmo Mbeumo surgiu de forma oportuna na área a desviar um cruzamento da direita de Tielemans para inaugurar o marcador (35′).

Problema? Havia uma segunda parte. Uma segunda parte que teria uma reação do Leeds, uma segunda parte que teria bolas paradas, uma segunda parte que não demoraria a deixar tudo igual: Muharemovic combinou com Calvert-Lewin a jogada, foi ao primeiro poste desviar para trás e o avançado, com um remate fortíssimo após ganhar a frente a Mbeumo, fez o 1-1 (51′). O United ainda teria dois remates sem grande perigo de Bruno Fernandes numa fase em que até parecia começar a estar por cima mas seria o Leeds a desperdiçar a última oportunidade nos descontos, com Mazraoui a salvar em cima da linha (90+1′). O empate não mais seria desfeito, com os red devils em 13.º na Premier League com apenas sete pontos em sete jogos. E com uma diferença em relação à última época: Ruben Amorim não passou da igualdade em Leeds, criticou a estrutura e saiu; agora, Michael Carrick não passou da igualdade em Leeds mas vai continuar…

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