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Friday, October 2, 2026

Globo cancela debate presidencial pela 1ª vez desde 2002

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A TV Globo registrou pela primeira vez nesta quinta-feira (1º) o cancelamento integral de um debate presidencial antes do primeiro turno, tradição criada pela emissora em 2002.

Por volta das 20h30, faltando uma hora para iniciar o debate com os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) na casa, a emissora anunciou o cancelamento.

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Segundo a TV Globo, as sucessivas interferências do Judiciário nas regras previamente acordadas com os partidos inviabilizaram a realização do debate e causaram uma insegurança jurídica, ferindo, assim, a liberdade de imprensa.

A primeira dessas interferências aconteceu na terça-feira (29), com a decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, que alterou o entendimento da corte eleitoral na contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate e decidiu que Romeu Zema teria direito de participar.

A segunda interferência aconteceu nesta quinta-feira com a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu que a TV Globo colocasse uma cadeira vazia durante o debate, no lugar que seria reservado para o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A magistrada proibiu, ainda, que a emissora concedesse tempo para perguntas direcionadas a quem não compareceu ao debate e imputou multa em caso de descumprimento.

"A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique. E que, numa das rodadas de tema livre do debate, os candidatos presentes que assim desejarem formulem, em trinta segundos, o que fariam ao candidato que não compareceu", informou a Globo, em nota.

Faltando apenas uma hora para o início do debate, foi a vez de o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, contrariar as decisões anteriores dos magistrados Cármen Lúcia e Kassio Nunes e determinar a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate.

"As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral: devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional."

"Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos: Augusto Cury, do Avante; Flávio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; e Lula, do PT", concluiu a emissora.

Minutos depois, com o argumento de censura imposta pelo TSE, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) cancelou sua ida ao debate.

Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE.
A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas.
Em breve mais detalhes.

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 1, 2026

Após os sucessivos acontecimentos, a emissora cancelou o evento, afirmando que sua "longa tradição na organização de debates eleitorais" tem como objetivo promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos.

"Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite", concluiu.

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