Gigante da publicidade, WPP assume seu lado tech focado em um mercado de R$ 110 milhões no Brasil
Dono de agências históricas como Ogilvy, avaliado em US$ 4 bilhões, grupo consolida aquisições em empresas de e-commerce, CRM e software, como explica o CEO Stefano Zunino

Publicado em 12 de setembro de 2026 às 10:43.
Última atualização em 12 de setembro de 2026 às 10:44.
A transformação estrutural conduzida pelo WPP, segundo maior grupo de publicidade do mundo, avaliado em US$ 4 bilhões, ao longo dos últimos anos, marca uma mudança profunda no eixo de atuação da holding publicitária, principalmente no Brasil, um de seus principais mercados. Conhecido por ser dono de agências "vitrines" da publicidade como Ogilvy, VML e AKQA, para mencionar algumas, o conglomerado de mídia passa a ancorar seu modelo de negócios em soluções corporativas e tecnologia.
Em entrevista exclusiva ao EXAME Insight, Stefano Zunino, no comando do WPP Brasil desde 2019, explica que essa guinada foi construída de forma "silenciosa" nos últimos anos por meio de aquisições estratégicas em áreas como performance digital e engenharia de software. Atualmente, no Brasil, os investimentos direcionados para inteligência artificial generativa, segmento de maior demanda atualmente, chega a mais de R$ 110 milhões somente para o ano de 2026, segundo a Oxford Economics.
Com mais de 60% da receita atualmente concentrada em "enterprise solutions", serviços de consultoria e tecnologia para grandes companhias, o grupo abandonou a lógica exclusiva de prestação de serviços criativos para assumir o papel de "parceiro tecnológico de ponta a ponta na jornada digital das empresas", explica o executivo. "Esse posicionamento redefiniu, inclusive, nossa interlocução ao aproximar a holding de decisores estratégicos como diretores de tecnologia e de sistemas, além de demandar investimentos em plataformas proprietárias e segurança de dados."
Ciclo de fusões e aquisições
"Compramos a primeira companhia de performance mídia em 2014 no Brasil", pontua Stefano, ao relembrar o início da incursão digital do grupo com a aquisição da Blinks, seguida por aportes em e-commerce em 2015 com nomes como a Enext, F.biz e PMWeb. Para o executivo, o movimento responde diretamente ao rumo que a própria publicidade tomou. O marco dessa guinada foi a compra da DTI, focada em software, no ano de 2022, empresa mineira que atende clientes como MRV e Vale. Com centenas de engenheiros de software integrados à operação, o grupo passou a sustentar o que Zunino define como "plumbing", ou seja, contemplando uma jornada de negócios de ponta a ponta passando por comunicação, performance e dados.
Sobre o tempo que levou essa consolidação, em um mercado onde fusões, aquisições e redefinição de portfólio tornou-se quase uma regra, Zunino explica que o momento de se posicionar foi estratégico. "Eu não gosto muito de falar antes de fazer. Então, por muito tempo, preferi não comunicar muito toda essa arquitetura, por que criávamos um ecossistema abaixo do radar", justifica Zunino. Segundo ele, com a mudança de panorama iniciada em 2019 e 2020, o peso da massa crítica exigiu uma reformulação drástica: "a migração de gigantes de software como a Salesforce para estratégias integradas eliminou o espaço para marcas fragmentadas. Logo, para mim, não fazia ter tantas empresas fazendo a mesma coisa, o que demandou uma unificação para me deixar competitivo, principalmente quando concorro com grandes consultorias."
Integração, unificação e novos interlocutores
A guinada para soluções corporativas complexas redesenhou a interlocução do holding com o mercado, elevando o peso de novos decisores tecnológicos sem abandonar a essência da comunicação. "O CTO (chief technology officer) passa a ser um interlocutor extremamente estratégico", observa Zunino, ressaltando que, embora o marketing e a publicidade tradicionais permaneçam no DNA da casa, o diálogo atual exige novas chaves de acesso. "No final da história, eu acho que para uma interlocução estratégica, é o CIO que dá a direção, claramente, das decisões. Essa interlocução abrange desde a reestruturação de plataformas comerciais até a gestão de retail media."
A nova onda de ruptura de negócios a partir da IA
Diante da ruptura trazida pelos modelos de linguagem e pelo marketing agêntico, Zunino compara o impacto da inteligência artificial à revolução industrial, destacando que a tecnologia exige infraestrutura e investimentos massivos que mudam a lógica operacional. "Nós investimos 150 milhões de libras por ano para manter uma plataforma chamada WPP Open, exatamente para ampliar nosso potencial de entrega em IA generativa", detalha. Ao projetar o futuro a partir das recentes contratações de peso na criação e também sob o impacto da IA na criatividade, ele reforça que o reposicionamento tem sido fundamental para a disputa com consultorias e agências rivais.
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Pacete é jornalista, LinkedIn Top Voices, curador de marketing, tecnologia e inovação do Rio2C e SP2B, além de Consultor de Inovação, Conteúdo e Projetos Especiais da Exame.
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