Portugal é "porto de abrigo" na crise nos mercados de dívida

A solidez das contas públicas e a trajetória descendente da dívida continuam a distinguir Portugal no contexto europeu, até mesmo nos países da chamada “periferia”, considera a Generali Investments, numa nota de análise difundida nesta quinta-feira aos clientes. Numa fase em que está a subir a pressão nos mercados de dívida, sendo a dívida francesa aquela que está sob escrutínio mais intenso, as obrigações do Tesouro português são, na opinião desta gestora de ativos, “uma espécie de porto de abrigo“.
Florian Späete, estratega sénior em mercado de obrigações, afirma que “Portugal não tem estado imune à recente vaga de vendas no mercado obrigacionista global”, mas a dívida portuguesa tem revelado uma “resiliência superior à de outros países”.
O spread entre a dívida portuguesa a 10 anos e a dívida alemã, que é a referência de segurança na zona euro, passou de menos de 40 pontos base para mais de 50 pontos, antes de recuar para cerca de 46 pontos base. Ainda assim, a subida é considerada relativamente contida quando comparada com a registada noutros mercados periféricos, nomeadamente em Itália e Espanha.
Para a Generali Investments, essa evolução sugere que os investidores continuam a atribuir uma avaliação favorável aos fundamentos económicos e orçamentais portugueses.
O especialista salienta que o aumento das taxas de juro (em termos absolutos) deverá, inevitavelmente, elevar a despesa com juros à medida que a dívida que chega à maturidade é refinanciada a custos mais elevados. No entanto, a gestora de investimentos considera que Portugal está numa posição relativamente confortável para absorver o impacto de ter, agora, taxas de juro a rondar os 4% no prazo a 10 anos.
“Não existe um nível de taxa de juro específico que deva ser considerado um limite intransponível para Portugal”, considera Florian Späete. “Graças à melhoria da sustentabilidade da dívida, à contínua disciplina orçamental e ao sólido crescimento económico, o país parece estar bem posicionado para lidar com um ambiente de juros mais elevados”, pode ler-se na nota.
Nesta fase, poderá ser mais reduzida a margem para um estreitamento adicional do diferencial de juros de Portugal (versus dívida alemã), depois da significativa valorização registada pela dívida portuguesa nos últimos anos.
O principal risco para esta perspetiva, segundo a análise da Generali Investments, não está dentro de Portugal, mas no exterior. Uma deterioração do apetite global pelo risco poderia pressionar os mercados de dívida soberana em geral e pôr em causa as condições favoráveis de que têm beneficiado as obrigações portuguesas.
“Ainda assim, Portugal entra neste período de maior incerteza a partir de uma posição de força, sustentada por finanças públicas sólidas, perspetivas de crescimento favoráveis e um perfil de crédito em melhoria”, remata a gestora de investimentos.
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