Um atentado horrorizou os japoneses e desde então isso serviu para mudar a política e uso de lixeiras nas ruas
Turistas que visitam Tóquio, no Japão, costumam se deparar com uma situação curiosa: ao mesmo tempo que as ruas são extremamente limpas, há poucas lixeiras disponíveis nos locais públicos.
O que poderia ser encarado como um detalhe de falta de estrutura, na verdade, tem uma origem muito mais sombria e que remonta de uma situação que traumatizou a população japonesa no passado.
No livro "Waste: Consuming Postwar Japan" ("Resíduos: o consumo no Japão do pós-guerra"), a autora Eiko Maruko Siniawer, professora de história no Williams College, explica que o governo japonês removeu lixeiras como uma medida de precaução em março de 1995, quando membros da seita Aum Shinrikyō liberaram gás sarin em três linhas do metrô de Tóquio no horário de pico da manhã, matando 14 pessoas e deixando milhares de feridos.
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A medida esbarrou em um comportamento que se seguiu na política do país nos anos seguintes. O custo de limpeza das ruas se tornou uma questão levantada pelo governo, que simplesmente passou a incentivar os moradores a levarem o próprio lixo para casa.
O Japão leva a sério a expressão "meiwaku o kakenai", que significa "não causar problemas, incômodos ou fardos aos outros". Isso se aplica aos cuidados com o meio ambiente e à limpeza urbana, por uma questão puramente cultural, e que não tenha a ver com possíveis punições ou fiscalização intensa.
A ideia do lema é cultivar uma gentileza e um respeito mútuo para manter a harmonia na sociedade.
De acordo com reportagem realizada pela CNN Travel em 2025, o professor Chris McMorran, que leciona Estudos Japoneses na Universidade Nacional de Singapura, realizou pesquisas sobre como a população lida com a falta de lixeiras nas ruas de Tóquio.
Segundo o pesquisador, “as comunidades japonesas decidiram evitar o incômodo e o custo das lixeiras públicas, e os consumidores japoneses assumiram a responsabilidade de planejar como vão descartar seus resíduos quando compram algo”.
“O sistema de transporte público impecável é um excelente exemplo: todos tratam as estações, trens, ônibus e demais passageiros com respeito e agem de acordo”, acrescentou McMorran, na época.
Para quem se preocupa em como carregar o lixo ao longo do dia, há uma solução criativa: o furoshiki, um tradicional quadrado de tecido usado para embrulhar objetos. Praticamente toda loja de souvenirs no Japão vende um. Ele pode ser útil, temporariamente, para armazenar resíduos até encontrar uma lixeira e, depois, virar uma lembrança charmosa da viagem.
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