Debate de Lula e Flávio Bolsonaro é marcado por Vorcaro e Luchsinger
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ficaram frente a frente pela primeira vez neste domingo (18), no debate da Band, a uma semana do segundo turno. O encontro começou com segurança pública e economia, mas foi tomado por uma troca de acusações envolvendo Daniel Vorcaro e Roberta Luchsinger. O presidente cobrou o voto do senador contra a licença-maternidade e os R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Flávio sem responder diretamente aos questionamentos, questionou a relação de Lulinha com lobista Roberta Luchsinger. O debate teve ainda discussão sobre o voto dos presidiários e o "malandro carioca", que Flávio transformou em solidariedade ao Rio.
Nas redes, a noite foi melhor para Lula. Entre as opiniões que avaliaram o desempenho dos candidatos, 62% no WhatsApp apontaram o petista como o melhor, contra 31% para Flávio, de acordo com a Palver, que realiza um monitoramento em tempo real do debate digital. O senador foi o mais citado, mas na maior parte das vezes, de forma crítica, com 69% das menções sobre ele no WhatsApp sendo negativas. É importante destacar que a medição capta circulação de discurso no momento da análise, não intenção de voto.
O tema que mais rendeu a Lula foi Vorcaro, com quase a totalidade das opiniões sobre o banqueiro, dando vitória ao presidente, embalado pelo "banqueiro no governo Bolsonaro, prisioneiro no meu". Nem o INSS, aposta de Flávio para virar o jogo, funcionou na rede, com 89% de menções negativas ao senador. Fora dos grandes temas, a licença-maternidade foi o assunto mais citado nas duas redes, um sinal de que o ataque de Lula mirou o eleitorado feminino, ao que Flávio não respondeu.
No Whatsapp, quando Lula é analisado individualmente, a opinião se dividiu, com 48% de menções negativas e 45% de positivas. Das críticas ao presidente, 41% apontou o nervosismo, a confusão e o riso diante de sua reação quando o rival citou Roberta Luchsinger. O bloco de discussão do voto dos presidiários e do "malandro carioca" foi o mais duro para os dois, com 61% de menções negativas a Lula e 79% a Flávio. Contra o senador, circularam a palavra "corrupto" escrita em sua mão, que foi ironizada pelos usuários que apontaram que "Flávio já vem com selo de corrupto" e pelo fato de não responder as perguntas, que concentram 47% das críticas ao senador. Quando os temas são analisados de forma segmentada, a "guerra ao narcoterrorismo" de Flávio liderou na mensageria, com 23% das opiniões, à frente de Vorcaro e INSS, com 17% cada.
As campanhas entram na última semana com uma disputa equilibrada, mas leve vantagem de Flávio nas pesquisas. Tendo terminado o primeiro turno à frente, com 47,03% contra 45,16% dos votos válidos, seu desafio é a sombra de Vorcaro, que o debate mostrou que ele ainda não consegue afastar. Lula chega embalado pela recuperação nas pesquisas, que apontam para empate técnico. A entrevista de Roberta Luchsinger dominou as redes ao longo do domingo e foi bastante explorada por Flávio ao longo do debate. O desafio que Lula fez a Flávio para abrir as contas deles e dos familiares começou a ganhar força logo após o debate.
Com 93% dos eleitores dizendo que o voto já está decidido e a eleição deve se resolver em uma margem estreita. Na última semana, a campanha de Lula deve tentar manter Vorcaro no centro da conversa, enquanto Flávio deve insistir em custo de vida, segurança pública e corrupção, os temas em que encontra mais eco nas redes. Os dois candidatos parecem mais interessados em convencer o eleitor dos defeitos do adversário do que das próprias qualidades, fazendo uma aposta no aumento da rejeição do adversário. O debate da Globo, previsto para sexta-feira (23), será a última oportunidade para que os candidatos consigam conquistar o voto do eleitor indeciso, e, analisando pelo debate de ontem, deve ser uma disputa dura e com muitos ataques.
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