O recorde (aos 99 anos) da mais velha acrobata aérea

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Pastéis de nata. Quem é que trouxe?
Trouxeste outra vez. Pastéis de nata. Trouxeste.
Não trouxe.
Deixei todos os dias para o convidado da-
Da comissão de inquérito
Da comissão de inquérito.
E para nós também
E para nós também. Mas os pastéis de nata, de facto, tornaram-se já um símbolo português em muitas geografias e transformaram-se num negócio muito grande na Ásia. Isto é uma história contada pela Bloomberg, não há aqui mão de português.
Não haverá.
Não. Só na China, por exemplo, a KFC, a Kentucky Fried Chicken, cadeia que todos conhecemos, vende uma versão inspirada no pastel de nata, no doce português, e fatura quase € 400 milhões por ano só com estes pastéis. E o sucesso é tão grande que a McDonald's também já começou a testar o produto. No fundo, são adaptações aos mercados locais do pastel de nata e esta viagem internacional do pastel começou em Macau no final dos anos 80, ainda com o território sob administração portuguesa. E nessa altura o britânico Andrew Stow criou uma receita adaptada e fundou uma pastelaria local. Em 1999, ali ao virar do século, o produto foi licenciado à KFC, à Kentucky Fried Chicken, que usou a sua enorme rede de restaurantes, obviamente, para espalhar a tarte de ovo, é assim que lhe chamam.
Por mim pode ser, almoço em Kentucky Fried Chicken e sobremesa pastel de nata.
É, não é? Tudo saudável.
Tem madalbala. Não, branquinho e com canela.
Há uma grande diferença entre as duas receitas. A versão chinesa tem um sabor a ovo muito mais intenso. Já o pastel português destaca-se por ser mais cremoso, e nós apreciamos isso, quando é mais cremoso. Para agradar ao público local asiático, as marcas, mesmo as portuguesas, mantêm o sabor tradicional, mas utilizam metade do açúcar na receita. O que é curioso, de facto. Nós nem reparamos muitas vezes os níveis de açúcar. Aliás, vamos reparando quando, por exemplo, nos habituamos a não pôr açúcar no café, passado uns anos.
Sim, esse processo aconteceu comigo.
Comigo também.
Agora não consigo imaginar café com açúcar.
Não consigo também.
O que é engraçado é que agora olhas para uma pessoa que põe um pacote de açúcar no café e pensas: "Que exagero!" É preciso isso.
O que é que está a fazer para a saúde.
E os pacotes até já reduziram.
E vão reduzindo. É impressionante. Portanto, o nosso paladar vai-se, de facto, habituando. Agora, as empresas portuguesas, porque o produto é português, querem obviamente ter uma fatia desse mercado. Há marcas conhecidas como a Manteigaria e a Santa Nata, que abriram recentemente lojas em Hong Kong. A notícia não fala da Nata Lisboa, que é o nosso parceiro que está presente também noutras geografias, talvez nesta não. Estão em Hong Kong, a procura é muito elevada e a produção artesanal feita inteiramente à mão chega a atingir 5000 pastéis por dia numa só loja. E o percurso do pastel de nata é único no mundo da gastronomia portuguesa. Nasceu por cá, nós sabemos. Neste caso, foi modificado em Macau e ganhou escala global através de gigantes americanos da fast food. Há um ex-ministro e atual governador do Banco de Portugal.
O Álvaro.
É impossível falar sobre o assunto e da internacionalização do pastel de nata sem falar de Álvaro Santos Pereira.
É justo.
Por que não exportamos pastéis de nata? E na altura foi muito ironizado por causa disso. Hoje, de facto, os produtores portugueses enfrentam o desafio de conquistar consumidores que já gostam disto, mas ainda estão a descobrir a receita original. Portanto, há aqui um apanhar e depois a fazer. Você já conhece isso, que é dito um pastel de nata, agora vamos mostrar os verdadeiros, e levar para lá.
E não há coisa que o português goste mais do que dizer: "Isto não é bem assim, depois mostro como é que é."
Claro, os verdadeiros.
Os verdadeiros.
Vocês deviam conhecer os verdadeiros.
Os verdadeiros pastéis de nata.
Mas este está um mercado gastronômico, além do pastel de nata, nós teríamos outras coisas para exportar, como fazem italianos, espanhóis.
O galo de Barcelos.
Japoneses. Eu digo comida mesmo.
O travesseiro, sim.
O travesseiro, sim.
Os ovos moles, essas coisas todas. Eu trago aqui uma história de uma senhora inglesa de 99 anos. O que ela se lembrou de fazer aos 99 anos? Pastéis de nata. Bater o recorde do mundo de glutição.
Um minuto.
Com canela.
Pastéis de nata. Olha, estava aqui um bom recorde para bater. Deve haver, quem consegue comer mais pastéis de nata num minuto. Helga Duff, 99 anos. Há dois meses, ela viu uma outra senhora inglesa, Betty Bromage, bater um recorde. A pessoa mais velha a fazer uma acrobacia aérea, ou seja, ir instalada na asa do avião. Não sei, estas pessoas são doidas. Pronto, é a idade.
Falamos sobre isso aqui também, não se fala de outra coisa.
Mas já foi batido esse recorde. Ela tinha 97 anos e esta senhora tem 99. Ela quando viu a outra senhora bater este recorde, disse que ia fazer o mesmo.
Pensou: "Deves."
"Deves ter 97, eu tenho 99."
Cheguei primeiro.
Então tornou-se agora a acrobata aérea mais velha do mundo. Ela diz que a sensação foi peculiar, de andar lá instalada na asa do avião. Isto foi no Aeródromo Rendcombe, em Gloucestershire. Ela disse que não estava com medo, porque estava muito entusiasmada. As sobrinhas assistiram ao voo.
Mais nervosas do que ela.
Muito provavelmente. Elas dizem: "Não, que a tia é uma mulher independente e decidida. Ela queria fazer algo diferente a algum termo." Mais diferente do que isto não há. Ela queria provar que mesmo aos 99 anos ainda é a mesma de há anos, não sabemos se há dois, se há três, se há 30 ou 40 ou 50. Ela vive num lar de idosos em Wiltshire. Era a mais velha de sete irmãos. Acredita que o pai teria ficado orgulhoso do seu recorde. Ela diz que ele era exigente, esperava o melhor dos filhos e que ela sempre se esforçou também para estar à altura dessa exigência do pai. Com esta acrobacia, Helga angariou dinheiro para uma instituição de caridade, cerca de 1.500 € para esta organização, devido a ter batido o recorde. Agora, e atenção, a antiga detentora do recorde, Betty Bromage, já disse que vai tentar bater o recorde, mas agora tem que esperar pelos 100, porque não pode ser aos 97 e nem aos 99. Vai ter de ser mesmo quando fizer 100 anos. Bromage, na altura, completou seis acrobacias na asa de um avião e disse que sem essas aventuras ficaria simplesmente aborrecida com a vida. Às vezes eu imagino.
As pessoas precisam dessa adrenalina.
É o tédio estar ali.
Quem nunca, não é? Estar no sofá e pensar: "Eu devia estar numa asa de um avião a fazer um flip".
A ver os programas da manhã da televisão. Pôr-me aí num avião. Olha, isto são exemplos.
Espetacular. Nada de não chegar aos 99, quanto mais numa asa de um avião.
Eu nem agora me poria na asa de um avião, mas pronto. Estas senhoras têm muita coragem, parabéns para elas e ficamos à espera que Betty Bromage bata o recorde.
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