Afinal qual é o problema por trás do preço dos combustíveis?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Bruno, vem aí o boogeyman, vem o papão.
O boogeyman, o papão. Há uns anos vinha aí o Diabo, lembram-se? Agora podemos mudar de personagem. O primeiro-ministro não diz que o PS está a ameaçar com o Diabo ou com o papão, mas que o PS quer assustar o país. E assustar o país com o quê? Com acordos com o Chega, acordos ocultos com o Chega, além do acordo já conhecido para alterações à Lei das Rendas. Por isso, Luís Montenegro vestiu o fato de Caça-Fantasmas, escancarou portas e janelas. Às vezes há acordos com a oposição, disse. Às vezes são escritos, outras vezes são verbais, podem ser mais extensos ou limitar-se a alguns pontos concretos. E já se percebeu que, por isto mesmo, Luís Montenegro não tem medo do papão e que pretende continuar firme e decididamente no seu caminho ziguezagueante entre PS e Chega, sem medo que apareça o Diabo ou o papão depois da curva.
Ó Paulo, e afinal o problema dos combustíveis é apenas uma falha de comunicação?
Não é, mas o governo dá a entender que sim. O governo aprovou um decreto ontem que obriga os postos de abastecimento de combustíveis a afixar o desconto em vigor no ISP de forma bem visível. A medida vai entrar em vigor no dia 17 de outubro, portanto aqui há pouco mais de uma semana, e a partir dessa data, os comercializadores dos combustíveis, e citamos aqui o decreto, devem afixar relativamente a cada um dos combustíveis a informação sobre a diferença entre o valor do imposto, do ISP, que seria cobrado normalmente por litro, à taxa de referência normal, e o imposto que efetivamente está a ser cobrado à taxa em vigor. Portanto, vamos continuar a ter os preços afixados de venda final e depois mais um valor à frente de cada combustível, que é o tal desconto do ISP. Isso vai ser mais burocracia, vai ser mais trabalho para os postos de venda, mais confusão com mais valores afixados. Obviamente que isto não contribui em rigorosamente nada para baixar os preços, que é isso que as pessoas querem, nem um cêntimo ou um décimo de cêntimo isto vai influir nos preços. Só vai servir para o governo mostrar que está a baixar o imposto. Não havia necessidade disto, como é evidente.
Há escolas sem professores e professores sem escola, Bruno.
É, parece aquela velha história do tanta gente sem casa, tanta casa sem gente. E há mesmo. Em Lisboa, por exemplo, há escolas onde há alunos que continuam sem ter professor e algumas estão mesmo a mandar os alunos para casa. Em Marvila, por exemplo, há pelo menos 300 alunos que continuam sem professor. Em simultâneo, há cerca de 1380 docentes à espera de colocação. Portanto, temos esta estranha coexistência de escolas com falta de professores e de professores com falta de uma escola, o que resulta numa falta de educação ou que resulta de uma falha do Ministério da Educação. O ministério reconhece há muito o problema da distribuição e colocação de docentes e até prometeu medidas como o concurso contínuo diário de vagas abertas consoante as necessidades para o próximo ano letivo. Mas até lá continuamos com esta discrepância que obriga algumas escolas a mandar os alunos para casa. Casa, que é onde estão alguns professores à espera de serem chamados.
Paulo, se estes não querem, há mais quem queira.
Essa é uma grande verdade. É uma máxima da vida que se aplica a muitas áreas e está a acontecer agora no festival Comédia À La Carte. Como sabemos, aqui há umas semanas, uma mão cheia de artistas portugueses lembraram-se que Jerry Seinfeld, que ele é judeu e que apoia desde sempre Israel, e decidiram cancelar a sua própria participação no festival, onde o comediante norte-americano é cabeça de cartaz e que se vai realizar no final deste mês em Lisboa. A organização teve então que refazer grande parte do cartaz e Seinfeld pegou no telefone e convidou alguns amigos americanos a virem a Lisboa participar no Comédia À La Carte. Agora já não é um, mas cinco norte-americanos que vão atuar em Portugal. Seinfeld decidiu reunir alguns dos seus amigos humoristas, aqueles que ele diz que lhe fazem rir mais, se quisermos, que ele acha mais piada. Para alguns, o cartaz até terá ficado melhor agora, o cartaz do festival. Nós não sabemos se estes participantes apoiam a causa israelita, apoiam a causa palestiniana ou se não têm opinião formada sobre o assunto, mas isso é absolutamente indiferente. Eles que venham e que tenham piada, já agora.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
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