Transparência das empresas de IA despenca de 58 para 40 pontos em um ano, mostra Stanford
A transparência das empresas que desenvolvem inteligência artificial diminuiu em 2025. De acordo com o Foundation Model Transparency Index, relatório de pesquisadores de Stanford, Berkeley, Princeton e MIT, a nota média das companhias avaliadas caiu de 58 para 40 pontos, em 100 possíveis, entre 2024 e 2025.
O índice está na terceira edição e mede quanto as empresas informam publicamente sobre seus principais modelos. Com o resultado, a média volta ao nível de 2023, quando era de 37 pontos.
O que o índice avalia
O levantamento analisa os chamados modelos de fundação, sistemas de IA de uso amplo, treinados com grandes volumes de dados, como os que sustentam assistentes de texto e imagem. São 15 áreas, entre elas aquisição de dados, acesso ao modelo e monitoramento depois do lançamento.
Os critérios se dividem em três grupos: o que vem antes do treinamento, como dados e capacidade de computação; as características do modelo; e o uso posterior, como distribuição e impacto.
A nota mede o que a empresa divulga, não a qualidade do modelo. Um sistema pode ter bom desempenho e pouca transparência, e o inverso também é possível.
O que mostram os resultados de 2025
Dados de treinamento e uso são os temas mais opacos
Segundo os autores, as empresas divulgam menos sobre os dados usados no treinamento, sobre a computação empregada e sobre o uso e o impacto dos modelos depois de lançados.
Na prática, uma empresa que contrata uma ferramenta de IA muitas vezes não consegue saber com que tipo de conteúdo o modelo foi treinado nem como o fornecedor acompanha problemas após a liberação.
Quem lidera e quem fica atrás
A IBM é apontada como exceção positiva, com 95 pontos. Na outra ponta, xAI e Midjourney somam 14 pontos cada. Amazon, Anthropic, Google, Meta e OpenAI, membros do Frontier Model Forum, ficaram na faixa intermediária do ranking.
Os pesquisadores também observam que abrir o código ou os pesos de um modelo não garante transparência. DeepSeek e Meta, por exemplo, aparecem entre os desenvolvedores de modelos abertos com baixa pontuação. Já as empresas signatárias do código de práticas da Lei de IA da União Europeia tendem a pontuar um pouco mais.
Por que a comparação exige cautela
A edição de 2025 incluiu novos indicadores, sobre aquisição de dados, dados de uso e monitoramento, e avaliou pela primeira vez empresas como Alibaba, DeepSeek e xAI. A própria Stanford menciona a mudança de critérios ao comparar com 2024, o que pede cuidado na leitura da queda.
Como a transparência afeta o uso de IA no trabalho
Para equipes que escolhem ferramentas de IA, os dados do índice ajudam a formular perguntas ao fornecedor: com quais dados o modelo foi treinado, como as informações inseridas pelos usuários são tratadas e que monitoramento existe após a implantação.
Um escritório de advocacia que usa IA para resumir contratos, por exemplo, precisa saber como os documentos são armazenados. Já uma área de recursos humanos que testa um modelo para triagem de currículos deve entender como o fornecedor avalia riscos de viés nos resultados.
O que observar nas próximas edições
O índice é anual e, segundo os autores, pode servir de base para políticas públicas. O relatório aponta que regras que passam a exigir divulgação em diferentes países podem alterar o cenário, e que há áreas em que ainda seriam necessárias intervenções mais fortes. Os relatórios completos e as fichas por empresa estão no site do Stanford HAI.
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