Maui define Melodia&Barulho como manifesto artístico: ‘É a minha carta de alforria’

Rapper falou à Rolling Stone Brasil sobre o impacto do álbum na carreira e explicou como o projeto representa sua liberdade criativa e a força da nova geração
Karla Sthefany
Direto da redação da Rolling Stone Brasil, em Copacabana, Maui abriu o coração ao falar sobre o significado de Melodia&Barulho em sua trajetória. Para o artista, o disco vai muito além de um lançamento: é um manifesto pessoal sobre a música que acredita fazer e um ponto de virada em sua carreira.
“Melodia&Barulho é o meu manifesto”, resumiu. Segundo Maui, o projeto nasceu da inquietação de ver manifestações culturais da periferia sendo encaixadas em rótulos e “caixas” à medida que chegam ao mainstream, algo que sempre despertou ansiedade sobre a possibilidade de precisar abrir mão da própria identidade.
Um disco sem limites de gênero
Ao explicar o conceito do álbum, Maui afirmou que o trabalho reúne todas as referências que formaram sua identidade musical. Hip hop, música eletrônica e influências nordestinas convivem naturalmente no projeto, refletindo a pluralidade da Baixada Fluminense, onde cresceu.
Para ele, Melodia&Barulho prova que é possível ocupar o espaço da música pop sem abandonar as próprias raízes. “Eu consigo sim ser um grande artista pop”, disse, destacando que não quer perder a conexão com a cultura que o formou.
Um manifesto coletivo da Lego Records
Apesar de carregar seu nome, Maui faz questão de dizer que a mensagem do disco pertence a um grupo maior. O rapper cita a Lego Records, coletivo formado majoritariamente por DJs e artistas que transitam entre diferentes gêneros musicais, como parte essencial dessa construção.
Segundo ele, a bandeira levantada pelo álbum representa “os menor que moram longe” e ganha novos significados conforme mais pessoas se identificam com o projeto pelo país.
“A minha carta de alforria”
Na conversa com a Rolling Stone Brasil, Maui também refletiu sobre como sua geração cresceu em um ambiente onde as fronteiras entre estilos musicais deixaram de fazer sentido. Para ele, quem cresceu com a internet não vive mais a lógica de separar “funkeiro” e “roqueiro”, tudo pode coexistir.
O artista acredita que Melodia&Barulho faz parte de um movimento maior de músicos que decidiram criar sem se limitar aos estigmas do passado.
“É a minha carta de alforria”, definiu, acrescentando que o álbum o fez enxergar como qualidade aquilo que durante muito tempo considerou um defeito: sonhar alto sem abrir mão da própria base.
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Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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