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Sunday, September 13, 2026

Acordo entre consultoria brasileira e Banco Mundial mira financiamento de baterias na América Latina

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O mercado de armazenamento de energia por baterias enfrenta um desafio: a tecnologia avança, os projetos se multiplicam, mas boa parte do sistema financeiro ainda não sabe como precificar o risco desse tipo de investimento.

É esse problema que uma nova parceria entre a consultoria brasileira CELA (Clean Energy Latin America) e a IFC, braço do setor privado do Banco Mundial, quer começar a resolver.

As duas instituições firmaram um acordo de cooperação para desenvolver um programa regional de capacitação voltado a bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, investidores institucionais, empresas de leasing e reguladores.

O objetivo é ensinar o mercado financeiro a entender como funcionam os Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias, os chamados BESS, e como avaliar sua bancabilidade.

A parceria foi anunciada na quinta-feira, 11, em São Paulo, durante o evento que reuniu especialistas do setor de energia e do mercado financeiro para discutir os entraves e as oportunidades do armazenamento no Brasil.

Sem histórico consolidado e sem métricas de risco amplamente compreendidas pelo mercado, projetos de armazenamento acabam esbarrando na dificuldade de acesso a crédito e a capital em condições competitivas.

Para a CELA, que atua com assessoria financeira para o setor de transição energética, essa é a lacuna que o programa deve atacar.

“O desenvolvimento desse mercado depende, além da evolução tecnológica e regulatória, da capacidade do setor financeiro de compreender os riscos, os modelos de negócio e as oportunidades associadas ao BESS”, afirma Camila Ramos, CEO da CELA.

Segundo a CEO, a parceria com a IFC deve funcionar como uma "ponte entre a indústria de armazenamento e o mercado de capitais e crédito".

O pano de fundo regulatório

O anúncio chega em meio a um movimento mais amplo de estruturação do setor. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou, no início de setembro, uma audiência pública para discutir as regras dos primeiros leilões destinados à contratação de BESS de grande porte no país.

O leilão está marcado para dezembro após uma série de atrasos e chega à etapa regulatória com interesse recorde do mercado.

O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou as diretrizes para o que será o primeiro certame de baterias da história do Brasil, aguardado pelo setor desde 2024 e adiado em mais de uma ocasião.

A expectativa é movimentar mais de R$ 10 bilhões em investimentos e contratar cerca de 2 gigawatts (GW) de capacidade de armazenamento.

O momento é decisivo: o sistema elétrico brasileiro enfrenta desafios para acomodar a rápida expansão da geração solar e eólica. Embora o país tenha se consolidado como uma potência em renováveis, essas fontes dependem das condições climáticas e nem sempre a geração coincide com os horários de maior consumo.

É nessa lacuna que entram os sistemas de armazenamento por baterias: eles funcionam como "grandes reservatórios", guardando a eletricidade produzida quando há abundância e a devolvendo à rede quando a demanda aumenta ou quando é preciso reforçar a estabilidade do sistema.

É nesse cenário que a parceria entre CELA e IFC ganha relevância para destravar o financiamento deste mercado.

Como vai funcionar

A CELA ficará responsável pelo conteúdo técnico do programa: tecnologias de BESS, dinâmica de mercado, regulação da transição energética, avaliação de bancabilidade e oportunidades comerciais.

Já a IFC vai integrar a iniciativa à sua Green Banking Academy (GBAC), plataforma que já capacita instituições financeiras da América Latina e do Caribe em temas de financiamento verde.

A capacitação deve circular em diferentes formatos: programas abertos, treinamentos in-company, workshops, seminários técnicos e mesas-redondas regionais. Ainda que o foco inicial seja o Brasil, a América Latina e o Caribe, a ideia é que o programa possa ser expandido para outros mercados no futuro.

Na prática, a aposta do acordo é a de que, quanto mais o setor financeiro entender de baterias, mais rápido o dinheiro vai fluir para um setor considerado peça-chave para impulsionar a transição energética. 

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