Alvos de boicote bolsonarista, comerciantes vão do medo a aumento de vendas

Ao UOL, ela contou que ficou sem dormir com medo de seu trabalho ser prejudicado. "Eu jamais deixaria de contratar, jamais deixaria de comprar em algum lugar por conta do partido político da pessoa. Acho que a gente é muito mais que isso, né?", afirmou.
Em Minas Gerais, Graciele Nascimento também enfrentou a mesma situação e ficou sabendo por amigos ainda no domingo da eleição que sua confeitaria estava entre os alvos de boicote. "As próprias pessoas da direita ficaram horrorizadas e me mandaram print, porque ficaram assustadas com o ódio. Chorei muito, fiquei duas noites sem dormir", contou a confeiteira, que atende em Belo Horizonte e Passa Tempo.
Graciele aponta que a repercussão da lista, no entanto, foi contrária, já que viu seus pedidos aumentarem e o número de seguidores nas redes triplicarem —saiu de 29 mil para 95 mil. "O mal voltou contra eles", afirmou. A confeiteira contou ainda que seu posicionamento político não foi publicado no perfil da confeitaria, mas em sua conta pessoal.
Para ela, o movimento de boicote aos comércios não é sobre "direita e esquerda", já que seu marido votou em Flávio Bolsonaro (PL), mas não apoiou a divulgação das listas. Enquanto falava com o UOL, Graciele compartilhou uma mensagem que havia acabado de receber. No texto, uma nova cliente pedia um orçamento de 200 bombons ou bem casados para dezembro.
Exposição
A fotógrafa Thayná Delgado disse ter ficado surpresa quando viu o movimento em sua cidade. "Se você, individualmente, não quer mais consumir de algum estabelecimento ou contratar algum serviço, porque não se identifica mais ou porque não faz mais sentido pra você, tranquilo, todos temos esse direito. Mas é bem diferente de fazer uma lista e incentivar o boicote, expor dados", contou.
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