A vitória democrata pode vir do resgate da Bíblia das mãos dos republicanos

A memória é o papel fundamental de tantas lideranças evangélicas, em especial das igrejas negras dos Estados Unidos, que foram cruciais na luta pelos direitos civis. A linguagem é a de quem pode assumir a sua religiosidade e defender a Bíblia, bem como defender publicamente os pontos em que ela defende a justiça social, a democracia e a diversidade.
De início, os republicanos imaginavam que estas candidaturas não prosperariam, porque estariam restritas a uma "bolha protestante progressista".
Com o passar do tempo e o sucesso das candidaturas, tornou-se cada vez mais nítido que estes líderes religiosos conseguiram se conectar com muitos evangélicos cansados de serem usados por republicanos que não conseguiam defender a coerência entre o que defendiam na Bíblia e como suas vidas e práticas de fato eram. E isto inclui Donald Trump.
Já está claro que eles furaram a bolha da base democrata única. Republicanos brancos, sobretudo das áreas rurais dos estados, fundamentais, em especial, para Talarico e Hamilton, para o Senado, estão cada vez mais abertos a ouvir mais Bíblia, Evangelho e menos teorias da conspiração mascaradas de pregação.
Eles cansaram da linguagem violenta em nome de Deus, ou da voz mansa que fala de Jesus e defende guerras. Mas, sobretudo, muita gente crente do mundo rural cansou de ver a sua fé usada em política suja e desleal, sem qualquer transformação substancial em suas duras vidas diárias.
Se as vitórias de Hamilton e Talarico se confirmarem, serão um misto de milagre e divisor de águas. Tanto em Kansas quanto no Texas, o cristianismo conservador de evangélicos brancos é a base fundamental para colocar republicanos no poder. Se este ciclo se quebrar, em ambos os estados, será demasiado inspirador, inclusive para o Brasil.
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