The Jerusalem PostBesieged by the Houthis, Yemen’s Taiz is teetering on the edge of humanitarian catastropheCNN TürkFenerbahçe’den Kelechi Iheanacho hamlesiInquirer100 koi released into Burnham Lake in Baguio to control algae growthPunchThree killed, four injured in Osun building collapseEl ComercioMirar Bayern Munich vs Borussia Dortmund gratis con Luis Díaz: horarios y canales TV del clásico de la BundesligaBollywood HungamaDiljit Dosanjh addresses Satluj controversy at Delhi concert; says “Don't teach Punjabis how to fight”ESPNTransfer rumors, news: Man United to replace Fernandes with Fermin?한겨레168명 숨진 홍콩 아파트 화재 참사 공식 보고서 공개…“인간 부주의로 발생한 참사”ZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioUOLFrança vive novo dia de manifestações em meio a temor de confrontos violentos e saquesColliderOne of the Best Horror Movies of the Decade Is Officially Streaming Free Just in Time for Halloweenالنهارتركيا... اصطدام حافلة سياحية بشاحنة وإصابة عشرة أشخاص
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, October 31, 2026

Uso passivo de IA na faculdade causa 'erosão do pensamento', diz estudo

Translate
Aplicativos de IA generativa em celular
Aplicativos de IA generativa em celular Imagem: Kenneth Cheung/Getty Images

Virou lugar comum dizer que o uso de inteligência artificial em si não é bom ou ruim. Tudo dependeria da forma como a tecnologia é aplicada, e da relação que cada pessoa desenvolva com a ferramenta.

Na educação, há mais riscos, sobretudo quando a IA é utilizada para "terceirizar" a aprendizagem. O estudante ainda não entendeu as etapas para chegar a um determinado resultado e, mesmo assim, recorre à resposta dos chatbots. Ao pular as operações mentais essenciais para a retenção do conhecimento, deixa de desenvolver formas superiores de raciocínio, como o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas.

Resultado desse tipo de uso: "dependência", "raciocínio superficial", "erosão do pensamento crítico". As expressões aparecem num estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Charles, em Praga, e da Universidade Técnica de Liberec, também na República Tcheca.

Os autores mapearam artigos publicados entre 2022 — marco do lançamento do ChatGPT — e 2025. São ao todo 173 estudos que analisaram de forma direta os impactos da IA Generativa na apredizagem, especialmente no ensino superior.

Aprender dá trabalho

"Se eu tivesse que identificar um fator crítico, seria quando a IA substitui o esforço cognitiva que os estudantes devem fazer para aprender", afirma à coluna Tomas Bendl, professor assistente na Universidade Charles e na Universidade Técnica de Liberec.

A tese por trás da declaração é que aprender dá trabalho — dá prazer e abre janelas para o mundo, é verdade, mas pede envolvimento ativo. Adquirir e reter novos conhecimentos exige esforço cognitivo para processar informações e construir esquemas mentais.

Quando o estudante terceiriza as etapas de raciocínio para a IA, foge do trabalho indispensável que só ele pode realizar. E não aprende.

IA como tutor

Por outro lado, o levantamento demonstra que a IA Generativa pode ser benéfica quando utilizada como "andaime cognitivo", conforme a expressão dos autores.

Continua após a publicidade

É o caso de quando a ferramenta não dá respostas, mas pistas, feedbacks, questionamentos e reflexões guiadas.

Segundo Bendl, o segredo está em desenhar atividades nas quais os estudantes precisem executar operações mentais ativas sobre o conteúdo gerado.

"O desenho pedagógico das propostas didáticas deve exigir que os alunos avaliem, contestem, justifiquem, comparem, revisem [os resultados da IA] ou usem outras operações cognitivas relevantes por conta própria".

O estudo cita como experiências virtuosas aulas em que os estudantes são chamados a refinar prompts, checar fatos, verificar alucinações e avaliar a confiabilidade de dados.

Danos maiores na Educação Básica

O mapeamento não avalia a educação de maneira unforme. Dos 173 trabalhos analisados, 137 têm como foco o ensino superior. Bendl suspeita que os efeitos podem ser ainda mais complicados no início da escolarização.

Continua após a publicidade

"Universitários já passaram por anos de formação praticando o raciocínio independente antes do surgimento da IA. Os alunos mais jovens do Ensino Fundamental e Médio estão crescendo com essas ferramentas desde o início."

"O risco é que crianças e adolescentes passem a delegar o planejamento, a avaliação e a resolução de problemas antes mesmo de consolidar esses hábitos mentais, que nunca serão desenvolvidos em plenitude."

Um outro estudo da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e da Universidade de Hong Kong fornece pistas mais claras — que corroboram a impressão de Bendl.

A pesquisa examinou o desempenho de 26 mil estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio na China ao longo de 30 meses, de setembro de 2022 a junho de 2025. Cruzou entregas de deveres de casa semanais com notas de provas mensais sem consulta em nove disciplinas.

Os autores constataram que o uso da IA por conta própria gera uma "ilusão inicial de produtividade". Após seis meses de uso, a nota do dever de casa de quem recorreu aos chatbots subiu 18%. O tempo gasto para concluir a lição caiu de mais de uma hora para 45 minutos.

A conta veio nas nas provas presenciais sem consulta. As notas desabaram 20% em relação aos estudantes que não usavam a ferramenta. Nos vestibulares para Ensino Médio e universidades, o desempenho de quem terceirizou lições por dois anos caiu até 18%.

Continua após a publicidade

"Nossa pesquisa mostra que o uso autodirigido [por conta própria] de IA é claramente negativo para a aprendizagem", diz o pesquisador David Strömberg, professor de Economia da Universidade de Estocolmo, em entrevista à coluna.

"Os benefícios de produtividade de curto prazo, com notas mais altas nos deveres de casa e menos tempo gasto, ocorrem a um custo substancial de aprendizagem. A maioria dos alunos parece deixar a IA generativa fazer suas tarefas escolares por eles, e aprende muito menos".

Strömberg também faz coro de que a tecnologia pode ser útil quando usada sob a forma de um "tutor" que guie a aprendizagem. Mas pondera que o X do problema é comportamental: diante de chatbots que entregam a resposta pronta em segundos, os estudantes tendem a ignorar tutores virtuais e optar pela terceirização direta do dever de casa.

Diante do avanço descontrolado, Strömberg sugere que a nova escola deve ter uma cara mais parecida com a velha escola. "[É preciso] retornar à aprendizagem genuína: dar mais peso ao desempenho presencial e sem consulta, monitorar o esforço de estudo em vez dos resultados de deveres de casa inflados pela IA, informar os alunos sobre os custos de terceirizar tarefas e associar o acesso à IA a estruturas que preservem o engajamento cognitivo ativo."

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.