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Tuesday, September 22, 2026

Uma nova e gigantesca cratera, formada por meteoro em 2024, foi descoberta na Lua

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Podemos imaginar a Lua como um reino prateado e silencioso. Mas, na verdade, ela é uma zona de guerra. Asteroides e fragmentos de cometas se chocam contra ela o tempo todo, deixando novas cicatrizes na superfície, que se somam à abundância de crateras antigas.

Agora, a Nasa afirma ter encontrado a maior cratera recente observada na Lua desde pelo menos 2009 —uma bacia tão grande que se estima que um impacto como o que a criou ocorra apenas uma vez a cada 132 anos. Um evento desse tipo pode ser raro, mas a descoberta tem implicações importantes para o futuro da humanidade no espaço.

Ao examinar fotografias feitas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, astrônomos identificaram uma cratera lunar até então desconhecida, com impressionantes cerca de 222 metros de diâmetro —mais que o dobro do comprimento de um campo de futebol.

"É uma cratera monstruosa, pelo menos para os padrões modernos", disse Nicholas Schmerr, geofísico planetário da Universidade de Maryland, em College Park.

Ao comparar imagens de satélite mais antigas com outras mais recentes, os cientistas concluíram que um objeto de 9 a 21 metros de diâmetro se chocou contra a Lua em altíssima velocidade em algum momento da primavera de 2024. O impacto teria provocado uma explosão luminosa comparável à detonação de 15.500 toneladas de TNT.

A bacia, batizada de cratera McGetchin em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin, fica próxima à borda do Mar das Crises, uma extensão de lava solidificada com 555 km de comprimento no extremo leste da Lua. Sua descoberta foi relatada em dois estudos publicados na semana passada na revista Science Advances.

Encontrar uma cavidade tão grande na superfície lunar é muito interessante e empolgante, disse Mark Boslough, físico e especialista em eventos de impacto da Universidade do Novo México, que não participou dos estudos.

A Nasa e a China disputam uma corrida para enviar astronautas à Lua. Se mantiverem seus planos, em algum momento da década de 2030 haverá várias bases movidas a energia nuclear no polo sul lunar, cada uma abrigando astronautas por várias semanas —ou até meses— de cada vez.

Determinar com que frequência asteroides e fragmentos de cometas abrem buracos na Lua é, portanto, de suma importância.

A própria Terra também é constantemente bombardeada por pedaços de asteroides e cometas. Mas sua atmosfera desacelera e incinera objetos de até cerca de 9 metros de diâmetro. Qualquer objeto maior que exploda no ar pode desencadear uma intensa onda de pressão, capaz de causar danos tanto a edifícios quanto às pessoas nas proximidades.

A Lua, praticamente desprovida de atmosfera, não tem defesa contra vândalos cósmicos de nenhum tamanho. Às vezes, é atingida por estágios de foguetes já utilizados que caem em sua superfície e, regularmente, leva pancadas de rochas espaciais.

Satélites lunares, telescópios na Terra e até os astronautas da missão Artemis 2 já observaram breves clarões surgindo por toda a Lua. Com base nesses dados, os cientistas estimam que objetos do tamanho dos pneus de caminhões gigantes escavem crateras lunares de 9 metros de diâmetro 140 vezes por ano.

No dia a dia, são pequenas as chances de uma base lunar ser esmagada por um objeto desse tamanho ou perfurada por projéteis rochosos muito menores —todos viajando a velocidades de dezenas a centenas de milhares de milhas por hora. A probabilidade de um objeto maior atingir uma base é ainda menor —mas não é zero.

Uma base lunar sempre pode ter um azar extremo. "Acredito, sem dúvida, que este seja um risco significativo para operações de longo prazo na Lua", disse Boslough.

A nova marca na superfície lunar deixa outra coisa perturbadoramente clara: um asteroide não precisa atingir diretamente um assentamento lunar para provocar uma catástrofe.

Durante um evento de impacto, "a camada de material ejetado será formada por rochas de diversos tamanhos que, por sua vez, criarão suas próprias crateras", disse Elisha Jhoti, doutoranda da Universidade da Califórnia em Los Angeles e autora de um dos dois novos artigos. Mas até onde esses destroços podem chegar?

Como se pode observar ao redor dessa recente depressão lunar, "a maior parte dos destroços é depositada perto da borda da cratera", disse Julie Stopar, pesquisadora do Instituto Lunar e Planetário, em Houston, e também autora de um dos novos estudos.

Mas o abismo também é cercado por um respingo de matéria ejetada que lembra uma pintura de Jackson Pollock, com rastros que se estendem radialmente por mais de 96 km. Esses destroços —compostos por algumas rochas grandes e muitas pedras menores— tornaram acidentadas áreas da Lua extremamente distantes do ponto de impacto.

Ao contrário dos asteroides mais volumosos, objetos com apenas algumas dezenas de metros de diâmetro, como o que criou essa nova cratera, são notoriamente difíceis de detectar antes de um impacto. Isso significa que missões espaciais concebidas para desviar ou vaporizar asteroides talvez não consigam ser mobilizadas a tempo de detê-los.

Em outras palavras, uma base lunar na rota de uma rocha espacial pequena, porém ameaçadora, talvez não saia ilesa do impacto. "O risco representado por objetos menores é muito real", disse Boslough.

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