Os bastidores da exposição da Patek Philippe em Milão
Nas primeiras semanas de outubro, o antigo Palazzo delle Scintille, no bairro de CityLife, em Milão, funcionou como uma extensão da sede da Patek Philippe em Genebra. Rebatizado de CityOval, o pavilhão recebeu a sétima edição da Watch Art Grand Exhibition, mostra itinerante que a manufatura suíça organiza desde 2012 e que já passou por Dubai, Munique, Londres, Nova York, Singapura e Tóquio.
Com cerca de 2,9 mil metros quadrados ocupados e mais de 500 relógios e objetos em exibição, a edição italiana foi a maior já montada pela marca. A estrutura foi pensada para receber até 1,5 mil pessoas por hora e, ao fim das duas semanas e meia, somou 68 mil visitantes, segundo a publicação americana Hodinkee. A entrada era gratuita, mediante reserva, e a própria Patek organizou visitas de escolas da região.
Thierry Stern, presidente da empresa, circulou pela abertura ao lado do filho Adrien, de 24 anos, que trabalha na companhia há 18 meses. Stern o apresentou mais de uma vez como sucessor, junto do filho caçula, e repetiu que a Patek Philippe continuará sob controle da família.
Genebra em escala reduzida

Sala inédita desta edição, o espaço de arquivos da Patek Philippe reuniu documentos de 1839 a 2014, entre eles registros da abertura do museu da marca, em 2001 (Reprodução/Patek Philippe)
O percurso começava por uma réplica do portão do Museu Patek Philippe e seguia para uma sala de artesãos, onde especialistas em esmalte, marchetaria em madeira, guilhochê e cravação de pedras faziam demonstrações para o público. Cada vitrine tinha um QR code com áudio e textos sobre as peças expostas.
Boa parte do acervo histórico viajou de Genebra para a Itália, incluindo o cronógrafo de Duke Ellington, o relógio de bolso de Henry Graves Jr. e um modelo de 1868 vendido a uma condessa húngara, considerado pela marca o primeiro relógio de pulso suíço. Uma sala inédita dedicada aos arquivos mostrava documentos de 1839 a 2014, como a carta do banco dos irmãos Stern sobre a compra da empresa, em 1933, e as fichas técnicas usadas até hoje para emitir certificados de autenticidade de modelos antigos, entre elas as do primeiro Calatrava, a referência 96.
No centro do pavilhão, uma reprodução do endereço histórico da Rue du Rhône, onde hoje funciona o salão de vendas da marca, exibia praticamente todo o catálogo atual.
Peças feitas para a Itália
A mostra também serviu de vitrine comercial. A Patek lançou o cronógrafo com calendário perpétuo 5978P e a nova linha feminina Gondolo Ladies First, além de edições limitadas e 27 peças da coleção Rare Handcrafts, dedicada a técnicas artesanais. Com exceção da Gondolo, os lançamentos foram reservados a colecionadores do mercado italiano.
As referências locais aparecem em quase todas as criações. Dois modelos World Time com repetição de minutos, cada um com cinco unidades, trazem no mostrador um mapa de Milão em esmalte, assinado pela artesã Anita Porchet. Quatro Calatravas, com seis exemplares cada, mostram um Fiat 500 em paisagens como Chianti, a costa amalfitana, o lago de Como e a Puglia. A marca divulgou os preços das peças em seu site, o que costuma ser raro. Um relógio único inspirado nos mosaicos florentinos saiu por US$ 707.074, e um modelo de bolso com retrato de Dante Alighieri, baseado em pintura de Botticelli, ficou próximo de US$ 1 milhão.
Movimento no varejo

Na área dedicada à manufatura, painéis com calibres e etapas de produção levaram ao público parte do processo feito nas oficinas da Patek Philippe (Reprodução/Patek Philippe)
O impacto chegou às lojas da cidade. Federico Verga, da revendedora milanesa Verga 1947, contou à Hodinkee que deixou uma scooter estacionada perto do pavilhão para acompanhar clientes interessados em visitas guiadas. Dois Fiat Topolino com a identidade visual da exposição ficaram à disposição dos revendedores.
Durante a apresentação dos relógios de mesa, Thierry Stern lembrou que o pai, Philippe Stern, manteve por décadas a produção dessas peças mesmo com pouca procura, para preservar os movimentos e o emprego dos artesãos especializados. Um dos exemplares mais comentados da mostra foi justamente um relógio de cúpula em esmalte, com pomares de laranja de Palermo pintados em 49 cores.
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