Black Sabbath original quase gravou um álbum final pouco antes de Ozzy falecer

Tony Iommi, Geezer Butler e o próprio cantor toparam produzir um trabalho de despedida em estúdio; Bill Ward, por sua vez, recusou convite
Igor Miranda (@igormirandasite)
Em 2013, o Black Sabbath lançou o álbum que se tornaria o último de sua carreira: 13. Infelizmente, a obra não contou com a participação do baterista Bill Ward, que havia rompido com os colegas pouco tempo após o anúncio de uma reunião da formação original. Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo) contaram com Brad Wilk (Rage Against the Machine, Audioslave) no instrumento.
No fim das contas, com a morte de Osbourne em 2025, o disco final a contar com a formação que deu origem ao Sabbath acabou por se tornar Never Say Die! (1978). Porém, houve uma tentativa já nos anos finais de vida do cantor para se produzir uma obra de estúdio derradeira com Ozzy, Tony, Geezer e Bill.
Os detalhes foram revelados por Andrew Watt, produtor que trabalhou com Osbourne em seus anos finais, em entrevista ao podcast Lipps Service (via Blabbermouth). Na ocasião, o profissional contou que a ideia surgiu após Ozzy parecer “receptivo” à ideia de gravar novamente com o Sabbath. A história teria se desenrolado “há menos de quatro anos”, ou seja, entre 2022 e 2023.
“O que aconteceu foi o seguinte: tínhamos feito dois álbuns solo do Ozzy, e ele queria fazer mais um. Ele não queria fazer exatamente a mesma coisa que já tínhamos feito antes, então gostou da ideia de fazer um álbum do Sabbath. Então, Sharon [esposa e empresária de Ozzy] e ele disseram que eu deveria ligar e conversar com cada um deles para ver se topavam.”
Iommi e Butler foram contatados e estabeleceram uma condição: só participariam se Ward estivesse envolvido. Ambos expressaram frustração, em anos anteriores, pela ausência do baterista em 13. Watt recorda:
“Liguei para o Tony, conversei com ele, e ele disse que topava, desde que o Bill estivesse junto. Essa era a condição de todos. Ozzy dizia: ‘se o Bill participar, nós fazemos’. E o Geezer falou: ‘se os outros caras entrarem nessa, eu também topo’.”
O problema é que Bill não conseguiria gravar. Então, todo o projeto foi por água abaixo. O produtor narra:
“Tive aquela conversa de 40 minutos com o Bill — uma das ligações mais estranhas e engraçadas de todos os tempos. Os assuntos pessoais discutidos naquela ligação fizeram Ozzy e Sharon caírem na gargalhada. Era algo como uma piada interna. Resumindo: no fim, o Bill não conseguiria participar da gravação. Ele não tinha condições de fazer isso por uma série de motivos diferentes. Foi por isso que não aconteceu. Mas os outros caras estavam super a fim de fazer. Aí o Bill mandou um e-mail enorme para todos nós, e o assunto morreu ali.”
O que diz Tony Iommi
A versão de Tony Iommi para a mesma história é um pouco diferente. Em entrevista à Classic Rock, o guitarrista revelou ter recusado o convite para participar do disco em questão.
“Conheci Andrew Watt quando ele estava produzindo o Ozzy. Ele estava muito interessado e até um pouco empolgado demais. Ele também não sabia como era trabalhar com o Sabbath original, trabalhar com o Bill. Além disso, já tínhamos feito o 13, e eu não gostava da ideia de: ‘bom, aqui está mais um álbum’.”
Sem Bill Ward, o Black Sabbath encerrou atividades de turnê em 2017. A banda se reuniu, com sua formação original, para show único no festival Back to the Beginning, realizado na Inglaterra em 5 de julho de 2025. Ozzy Osbourne faleceu 17 dias depois.
+++ LEIA MAIS: O único cantor autorizado por Ozzy a substitui-lo no Black Sabbath
+++ LEIA MAIS: O clássico do rock que quase foi estragado pelo Black Sabbath
+++ LEIA MAIS: A única pessoa que era ouvida por Ozzy Osbourne e podia criticá-lo, segundo seu filho
+++ LEIA MAIS: Por que o Black Sabbath trazia mafiosos para serem seus empresários
+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram
+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.