Porque pagam os portugueses tanto para andar na estrada?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Bruno, então as estradas. Eu disse duas vezes que achei que eram estrelas. São estradas.
São estradas.
As estradas não caem do céu.
As estradas não caem do céu.
Já o Rivellino dizia: não há estradas no céu.
Não há, então todas cá embaixo caíram todas. Bem, como diz o outro, também pode ser o não há almoços de borla. E foi assim que o ministro Miguel Pinto Luz justificou a decisão de não retirar os pórticos das antigas SCUT, que voltaram a ser SCUT quando o Chega e o PS se uniram para acabar com essas portagens. A retirada dos pórticos tem sido pedida pelas populações locais, também pelas autarquias, mas o ministro considera que devem permanecer ali e não é por razões estéticas, não é pra ficarem muito bem nas estradas, mas porque é preciso contabilizar os veículos que por ali passam para compensar as concessionárias, porque lá está, as estradas não caem do céu e alguém tem de as pagar, mesmo que não sejam os utilizadores das estradas. Mas mesmo reconhecendo que alguém tem de as pagar e que as concessionárias terão o direito a receber, será que não se pode discutir o valor que pagamos de portagens ou os contratos que são feitos com algumas concessionárias? É verdade, o dinheiro, tal como as estradas, não cai do céu. E se há alguém que sabe bem isso, são os portugueses que são lembrados do custo das estradas sempre que pegam no carro e pagam. Pegam e pagam.
Pegam e pagam, pois é. Paulo, agora finalmente há uma decisão judicial que torna tudo mais claro sobre as tendas. E agora?
E agora? Não, isso queríamos nós. Mas isto de decisões judiciais ou decisão judicial e tudo mais claro na mesma frase, é um bocadinho como acreditar no Pai Natal. Bom, sem surpresa, o tribunal manifestou-se sobre o pedido de Renata Cambra e ficou tudo ainda mais confuso. Primeiro, ninguém se entende sobre a amplitude da decisão. O texto diz claramente que a autorização para manifestação durante toda a noite com a instalação de tenda só se aplica à própria e não a um protesto coletivo. Mas logo se consegue interpretar também que o que está dito para uma manifestante pode estender-se a 100, a 200, 500 ou 2 mil manifestantes. Depois, todos acham que o tribunal lhes deu razão, os manifestantes, porque o direito foi reconhecido a uma das suas integrantes, a uma manifestante, e o governo e a PSP, porque a decisão vem colocar condições que eles dizem que já estavam a exigir. Portanto, se o objetivo da juíza era deixar tudo ainda mais confuso, a eficácia aí é total.
Então e sobre o Conselho de Estado, há conclusões, Paulo?
Há uma grande conclusão. Todos concordam que a coesão social deve ser reforçada e, portanto, esta é a grande novidade, ou não é novidade pra ninguém, porque é uma conclusão óbvia. De resto, os três parágrafos da nota informativa do Palácio de Belém só dão conta, de facto, da ocorrência, sem entrar aqui em mais detalhes. O Conselho de Estado é, de facto, um órgão consultivo do Presidente da República. Decerto que aquilo que foi dito à volta da mesa vai ajudar, certamente, a formatar as intervenções futuras de António José Seguro sobre o tema, mas nunca saberemos quem é que contribuiu com o quê. Já agora, uma nota, eu ontem disse aqui que da composição do Conselho de Estado fazia parte o PGR. Não, não é verdade. Queria dizer o presidente do Tribunal Constitucional. Esse, sim. O Procurador-Geral da República, não. Ontem, quando disse, logo o nosso colega Martim Silva, dos pareceres da SIC, foi rápido logo a dar-me conta do erro.
Arrepiou-se, arrepiou-se.
Arrepiou-se, claro. Fica aqui o mea culpa e a correção. Bom, mas agora que depois deste Conselho de Estado está terminado, Seguro tem todas as condições, pelo menos, para intervir publicamente sobre as áreas que o próprio comunicado destaca. E são a desigualdade, a coesão territorial e o acesso a bens essenciais, como a habitação aparece em primeiro lugar, e depois a educação e a saúde. Portanto, a hora do presidente, digamos, está mesmo a chegar.
Olha bem. E como é que é, Bruno? Como é que é? Novidades no mundo real. Vamos lá.
Olha, não são boas as novidades, porque enquanto continuamos aqui entretidos com as acampadas, as manifestações, a discussão sobre quem pode ou não ocupar o espaço público e em cada cabeça dita a sua sentença, do país real chegam de vez em quando aquelas notícias que noutros tempos, apesar de tudo, eram bem mais frequentes. Em Santa Maria da Feira, a multinacional dinamarquesa Ecco vai encerrar definitivamente a fábrica de calçado, que já existe em São João de Ver há mais de 40 anos. E assim vão 632 trabalhadores perder o emprego. A empresa justifica o encerramento como uma reestruturação internacional. Esta empresa tem produção própria, ou seja, não faz o outsourcing da produção do calçado a outras empresas, como outras grandes multinacionais fazem. Portanto, tem uma estrutura fixa de custos que tem um grande peso e como houve uma diminuição da faturação de cerca de 200 milhões de euros no último ano, isto pôs a empresa em dificuldades e por isso mesmo também vai fechar uma fábrica no Vietname e há a possibilidade de eliminar cerca de 400 postos de trabalho noutras estruturas regionais e globais do grupo, incluindo no país sede, na Dinamarca. Ou seja, pra lá de todas as polémicas político, jurídico ou midiáticas, há empresas que fecham, há trabalhadores que ficam sem emprego e há famílias que têm mesmo de fazer contas à vida.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
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