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Tuesday, October 6, 2026

Disney contrata ex-chefia da HBO Max e dobra a aposta no audiovisual brasileiro

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Os estúdios da Disney no Brasil pretendem lançar uma produção brasileira por mês no Disney+ a partir de maio de 2027, segundo Mônica Albuquerque, nova líder de Conteúdo Local da companhia. A estratégia prioriza mulheres de 25 a 50 anos, prevê séries, filmes, documentários e possíveis novelas e busca ampliar a circulação internacional dos títulos nacionais.

Construir um mercado audiovisual que não viva de picos pontuais, mas de uma produção contínua e com fôlego para viajar o mundo. É esse o objetivo de Mônica Albuquerque para os estúdios da Disney no Brasil a partir de 2027.

A executiva recém-assumiu o cargo de liderança de Conteúdo Local da Disney no Brasil e acumula no currículo sete anos como diretora na TV Globo e três na Warner, onde liderou as novelas Dona Beja e Beleza Fatal para a HBO Max. Já chega ao novo posto com uma meta já ambiciosa: ter uma estreia nacional por mês no catálogo do Disney+ a partir do ano que vem.

A iniciativa faz parte de uma reestruturação mais ampla na oferta da plataforma no Brasil, que começa já nesta sexta-feira, 9, com a estreia da nova temporada de Amor da Minha Vida, estrelada por Bruna Marquezine e Sergio Malheiros. A produção, cujo foco de público é o feminino, foi renovada para a terceira temporada antes mesmo do lançamento da segunda.

"Agora, em outubro, teremos duas séries de ficção que começam a ser gravadas, três documentários já em processo de filmagem. Se tudo der certo, a partir de maio do ano que vem, conseguimos ter show por mês", disse Albuquerque em entrevista à Casual EXAME.

Outros títulos, como a cinebiografia 100 Dias — que narra a travessia de navegação de Amyr Klink — e futuras novelas, também fazem parte da estratégia. "Nosso foco hoje é contribuir para o audiovisual brasileiro, trazer histórias nossas e, principalmente, ampliar nossa oferta de conteúdo para o público feminino", contou a executiva.

A busca pela renovação de títulos originais brasileiros vem alinhada à estratégia de concorrentes do setor, a exemplo do impacto de Donos do Jogo e Caramelo, na Netflix; da repercussão de Tremembé, no Prime Video; e do investimento do HBO Max em novelas como Beleza Fatal e Dona Beja — esses dois últimos, títulos que Albuquerque ajudou a construir.

Novelas, true crime, drama e foco no público feminino

Entre as prioridades desta nova fase da Disney no Brasil está o fortalecimento do catálogo do streaming para o público feminino de 25 a 50 anos. A plataforma já tem audiência consolidada no segmento infantojuvenil e atrai os homens com esportes e ação. Faltava uma estratégia nacional, conta Albuquerque, para a audiência feminina — que desponta como a principal oportunidade de crescimento.

"Os desempenhos de Love Story e Amor da Minha Vida reforçaram que precisávamos de uma oferta maior para o público feminino", comentou Albuquerque à Casual. "A ideia é trabalhar dramas familiares, de empoderamento feminino, românticos. Para a nova temporada de Amor da Minha Vida, por exemplo, decidimos acompanhar o crescimento individual dos personagens e das suas questões. Foi uma escolha desafiadora, mas muito rica."

Não são só as séries e filmes dramáticos, no entanto, que incorporam a estratégia com a audiência feminina. Albuquerque destaca que a Disney também tem mapeado outros gêneros de conteúdo, como true crimes, suspenses psicológicos e documentários.

"Esse público busca um conteúdo diverso: quer aprender, refletir sobre relações e se ver representado. Queremos exatamente abrir essa discussão, com produções que sejam autênticas do Brasil, mas com apelo global."

Para fechar o pacote, com Albuquerque à frente dos conteúdos locais, a Disney também pode incluir novelas no catálogo em um futuro de médio prazo. "É um gênero que nos interessa muito na audiência brasileira, mas não temos nada definido. Estamos pesquisando", contou ela.

Nos três anos em que trabalhou na HBO Max, antes de assumir o cargo da Disney, a executiva obteve recorde de audiência justamente nas novelas. Beleza Fatal ainda detém o marco de título nacional mais assistido do streaming da Warner, com demanda 70 vezes acima da média dos demais conteúdos brasileiros, segundo estudo da Parrot Analytics.

Quando foi lançada, Dona Bêja também ficou semanas como a produção mais assistida da plataforma e alcançou a 8ª posição no ranking global da HBO Max em 22 países.

Repercussão internacional e poder de exportação

Público feminino à parte, a chegada de Albuquerque também busca consolidar as produções brasileiras da Disney no exterior. O movimento acompanha um momento favorável em que narrativas produzidas fora do eixo Hollywood-Europa — como as produções sul-coreanas, espanholas e turcas — demonstram apelo de audiência global, quando aliadas à escala do streaming.

Para garantir que o conteúdo brasileiro ganhe tração em outros territórios, uma das frentes da estratégia é posicionar os títulos de prestígio em circuitos e festivais internacionais de cinema e TV. Paralelamente, a plataforma trabalha a distribuição otimizada dessas produções dentro do próprio ecossistema do Disney+, que hoje atinge mais de 100 países e territórios.

"O Brasil tem uma diversidade de olhares e uma qualidade de talentos impressionante, criados em um mercado que sempre batalhou bastante. Esse polo criativo precisa ser potencializado. Temos o diferencial de investir em histórias locais potentes, mas construídas de forma que o público internacional consiga se impactar emocionalmente. E conseguimos distribuí-las para muitos países", acrescentou a executiva.

Todo esse avanço na produção e distribuição de originais ocorre sob o pano de fundo da discussão sobre a regulamentação do streaming no país. Projetos como os PLs 2.331/2022 e 8.889/2017 propõem cotas de catálogo e obrigações diretas de investimento para as plataformas, pauta ainda em tramitação no Congresso. Atualmente, o vídeo sob demanda não se submete às obrigações da Lei da TV Paga (SeAC).

Antecipando-se tanto às transformações regulatórias quanto à demanda direta da audiência por representatividade, plataformas como o Disney+ vêm acelerando suas encomendas locais. Para viabilizar essa esteira de lançamentos com padrão competitivo internacional, a companhia também estruturou programas de aproximação com a comunidade criativa nacional. As iniciativas abrangem projetos de capacitação técnica, programas de treinamento focado em arquitetura narrativa e a abertura de salas de roteiro para novas vozes. Essa movimentação injeta fôlego em um setor que vive ritmo recorde.

Dados do balanço da Ancine apontam que, em 2025, o Brasil registrou a marca histórica de 3.981 obras brasileiras não publicitárias (destas, 2.500 independentes) e atingiu 33,4 milhões de lares via VOD (44,4% dos domicílios com TV). Consolidado como o quarto maior mercado de streaming do mundo, com mais de 75 milhões de contas ativas, o país movimenta cerca de R$ 69,7 bilhões por ano no setor.

'Perguntas frequentes'

Qual é a meta de lançamentos brasileiros do Disney+ para 2027? +

A meta é ter uma produção nacional por mês no catálogo do Disney+ a partir de maio de 2027, caso o cronograma avance como previsto, segundo Mônica Albuquerque. Em outubro de 2026, a Disney iniciaria as gravações de duas séries de ficção e já filmava três documentários.

Qual público a Disney pretende alcançar com as novas produções brasileiras? +

A Disney pretende ampliar sua oferta para mulheres de 25 a 50 anos. Segundo Mônica Albuquerque, esse segmento representa a principal oportunidade de crescimento da plataforma no Brasil.

Quais gêneros terão prioridade no Disney+ Brasil? +

A estratégia inclui dramas familiares, romances, histórias de empoderamento feminino, true crime, suspense psicológico e documentários, segundo Mônica Albuquerque. Entre os títulos citados estão Amor da Minha Vida e a cinebiografia 100 Dias, sobre a travessia de Amyr Klink.

A Disney pretende produzir novelas brasileiras? +

A Disney avalia incluir novelas no catálogo em médio prazo, mas ainda não definiu projetos. Mônica Albuquerque afirma que o gênero interessa à companhia por sua relevância para a audiência brasileira e permanece em fase de pesquisa.

Como a Disney pretende levar produções brasileiras ao exterior? +

A estratégia prevê apresentar títulos de prestígio em festivais internacionais de cinema e televisão e ampliar sua distribuição no Disney+. A plataforma alcança mais de 100 países e territórios.

Qual é o tamanho do mercado de streaming no Brasil? +

O Brasil é o quarto maior mercado de streaming do mundo, com mais de 75 milhões de contas ativas e movimentação anual de cerca de R$ 69,7 bilhões. Segundo balanço da Ancine, o país registrou 3.981 obras brasileiras não publicitárias em 2025 e o vídeo sob demanda alcançou 33,4 milhões de lares.

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