Criolo se emociona ao revisitar ‘Nó na Orelha’ no Tiny Desk Brasil

Episódio estreia nesta terça, às 11h, e marca um dos momentos mais intensos do projeto; artista de rap do Grajaú diz que formato “humaniza quem vem cantar aqui”
Kadu Soares (@kadusoares__)
O Tiny Desk Brasil estreia nesta terça, 6, às 11h, um de seus episódios mais marcantes: Criolo revisita Nó na Orelha (2011) ao vivo, sob direção musical de Daniel Ganjaman e ao lado de músicos que ajudaram a dar forma ao álbum, lançado em 2011. O artista de rap do Grajaú não conteve a emoção durante a gravação. “Em vários momentos aqui, eu não sabia se ia conseguir terminar a música ou começar, porque estava realmente muito emocionado”, contou. O episódio faz parte do ciclo patrocinado pelo Itaú Live, que celebra o primeiro ano do projeto no Brasil.
Lançado em 25 de abril de 2011 pela Oloko Records, Nó na Orelha chegou inicialmente à internet para ser baixado gratuitamente e conquistou rapidamente o público. Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o álbum percorre rap, samba, afrobeat, reggae, soul e brega, reunindo estilos diversos com notável coesão. A Rolling Stone Brasil o elegeu melhor álbum nacional de 2011. No VMB daquele ano, Criolo venceu três prêmios: Disco do Ano, Música do Ano por “Não Existe Amor em SP” e Artista Revelação — um feito incomum para alguém que já somava mais de duas décadas na cena de hip hop paulistana. A canção se tornou hino, mural, palavra de ordem política e referência geracional.
Na mesinha do Tiny Desk Brasil, Criolo se apresenta com uma banda que reúne músicos envolvidos na criação do álbum: DJ Dandan; Daniel Ganjaman, nos teclados; Dyani Primo; Guilherme Held, na guitarra; Jamah; Marcelo Cabral, no contrabaixo; Maurício Badé, na percussão; Thiago França, no saxofone e na flauta; e Vitor Cabral, na bateria. O repertório inclui “Subirusdoistiozin” e “Não Existe Amor em SP”.

Para Criolo, a experiência despertou uma sensação semelhante à que teve ao se ouvir gravado pela primeira vez. “É como me escutar pela primeira vez. Fui gravar uma letra de rap e escutei minha voz estéreo. Eu conheci minha voz”, disse. “Acho que o Tiny Desk Brasil oferece uma oportunidade de humanizar quem vem cantar aqui”.
A apresentação chega em meio a uma celebração mais ampla. Em setembro, Criolo anunciou uma turnê especial pelos 15 anos de Nó na Orelha, que passará pelo Brasil em 2026 e 2027. A estreia será no Coala Festival, em São Paulo, seguida por apresentações no AfroPunk Brasil, em Salvador, em novembro, e no Festival Psica, em Belém, em dezembro, entre outras datas. Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral também assinam a direção artística da turnê.
“Nó na Orelha é um recorte de uma pessoa que nasceu no Brasil, nasceu numa favela e que não deixou de acreditar que a arte pode salvar uma vida”, definiu o artista.
A trajetória que levou Criolo até esse momento começou em 1989, quando, aos onze anos, escreveu seu primeiro rap. Nascido em Santo Amaro e criado no Grajaú, passou décadas na cena paulistana e participou da criação da Rinha dos MCs, espaço fundamental para a formação de várias gerações de artistas. Depois do sucesso de Nó na Orelha, Kleber Gomes ampliou seu legado com álbuns como Convoque Seu Buda (2014), Espiral de Ilusão (2017) e Sobre Viver (2022). Também colaborou com Emicida, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Gal Costa, Tom Zé, Ivete Sangalo e Mano Brown, além de conquistar um Grammy Latino. O episódio do Tiny Desk Brasil fica disponível a partir das 11h desta terça no canal do projeto no YouTube.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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