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Tuesday, November 3, 2026

'Crânio' gigante no gelo parece olhar para a Ilha do Diabo em imagem da Nasa

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Uma formação natural que lembra um crânio gigante foi registrada por satélites da Nasa na Antártida. Localizada na Ilha Vega, no Mar de Weddell, a estrutura é formada por rochas e geleiras que, vistas do espaço, criam a aparência de uma caveira.

As imagens, divulgadas pelo Observatório da Terra da Nasa, também revelam mudanças na cobertura de neve da região. Após um inverno excepcionalmente quente em 2026, grandes áreas de gelo ficaram expostas, o que pode acelerar o derretimento das geleiras nos próximos meses.

Os registros foram feitos pelo satélite Landsat 9, em 22 de março de 2025 e 10 de outubro de 2026.

O que se sabe sobre o crânio gigante registrado pela Nasa?

A formação está localizada na Ilha Vega, a leste da Península Antártica. Vista de cima, a paisagem lembra uma caveira sorridente de perfil, voltada para a Ilha do Diabo, nas proximidades.

O formato é resultado da combinação de diferentes estruturas naturais. Um nunatak, pico rochoso que se eleva acima do gelo, forma o que parece ser uma órbita ocular vazia. Já uma morena lateral, formada pelo acúmulo de materiais transportados por uma geleira, delimita a região da boca.

A geleira Bahía del Diablo, por sua vez, cria a aparência da mandíbula inferior. Essas características podem ser observadas nas imagens capturadas pelo instrumento Operational Land Imager (OLI), instalado no Landsat 9.

Veja as imagens do crânio na Antártida

As fotografias de satélite mostram a Ilha Vega em dois momentos diferentes: março de 2025, durante o início do outono antártico, e outubro de 2026, na primavera.

Na primeira imagem, a neve cobre grande parte do terreno. Já no registro mais recente, extensas áreas aparecem sem neve, deixando visível o gelo glacial mais escuro. A diferença está relacionada às condições climáticas registradas durante o inverno de 2026.

Segundo o glaciologista Mauri Pelto, do Nichols College, as temperaturas excepcionalmente elevadas, sobretudo em junho, contribuíram para a exposição de grandes áreas de gelo.

O especialista também apontou o baixo acúmulo de neve durante o inverno, além da perda de cobertura por ventos fortes e sublimação, processo em que o gelo passa diretamente para o estado gasoso.

Para Pelto, as condições registradas durante o inverno foram desfavoráveis à preservação das geleiras da região.

Imagem da Nasa registrada em 22 de março de 2025 mostra a Ilha Vega com maior cobertura de neve sobre o terreno gelado. Foto: Observatório da Terra da Nasa/Lauren Dauphin (Observatório da Terra da Nasa/Lauren Dauphin)

Imagem da Nasa registrada em 10 de outubro de 2026 mostra extensas áreas da Ilha Vega sem neve e com o gelo mais escuro exposto. Foto: Observatório da Terra da Nasa/Lauren Dauphin (Observatório da Terra da Nasa/Lauren Dauphin)

Por que a falta de neve preocupa os cientistas?

A exposição de grandes áreas de gelo pode favorecer o derretimento durante os meses mais quentes na Antártida. Isso ocorre porque a neve fresca reflete boa parte da radiação solar, enquanto o gelo mais escuro absorve mais energia.

Com o aumento da incidência de luz solar e das temperaturas na primavera e no verão, essas superfícies podem aquecer mais rapidamente.

Segundo Pelto, até mesmo uma fina camada de neve fresca durante uma tempestade de primavera poderia ajudar a reduzir temporariamente esse efeito. O recuo das geleiras também pode modificar a aparência do crânio natural.

O glaciologista explica que o derretimento tende a alterar as estruturas que formam a mandíbula e a ampliar a região que lembra uma órbita ocular.

Geleiras da Ilha Vega perdem gelo há décadas

As mudanças observadas nas imagens recentes fazem parte de um processo acompanhado por pesquisadores há várias décadas.

Um estudo publicado em 1982, com base em imagens de satélite, fotografias aéreas e mapas topográficos, identificou 29 geleiras e quatro calotas de gelo na Ilha Vega. Entre elas está a geleira Devil's Bay, monitorada desde o verão antártico de 1998-1999.

Os registros de monitoramento indicam uma redução geral de sua massa ao longo do período analisado. Outras geleiras da ilha também apresentaram perda de gelo, conforme observações de satélite realizadas nas últimas décadas.

Esse processo deixou áreas cada vez maiores de rocha expostas na superfície.

Ilha Vega também foi cenário de expedição histórica

Além das formações naturais, a Ilha Vega teve um papel importante na história da exploração da Antártida. Entre 1901 e 1903, a Expedição Antártica Sueca percorreu a região para estudar sua geografia, geologia, clima e vida selvagem.

Durante a missão, os exploradores acabaram separados em três grupos, obrigados a enfrentar o inverno em locais diferentes. A situação se agravou quando o gelo marinho destruiu o navio da expedição.

Na primavera de 1903, dois dos grupos conseguiram se reencontrar na Ilha Vega, em um local posteriormente chamado de Cabo Well-met.

O ponto fica próximo à região que, nas imagens atuais, lembra a testa do crânio gigante. Pouco tempo depois, uma expedição argentina chegou à região e resgatou os sobreviventes.

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