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Friday, November 6, 2026

SemaClique: EMS lança caneta de semaglutida e amplia disputa pelo mercado de emagrecedores no Brasil

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A Brace Pharma, farmacêutica do Grupo EMS, anunciou nesta sexta-feira, 6, o lançamento do SemaClique, uma caneta de semaglutida com fabricação no Brasil.

A chegada às farmácias está prevista para sexta-feira, com preço de R$ 464,81 por unidade. Na compra de três canetas, o valor será de R$ 333 por unidade, ou R$ 999 pelo conjunto.

Segundo a empresa, o dispositivo de aplicação semanal reúne diferentes possibilidades de dosagem, com ajustes por meio de cliques. A proposta é permitir que o médico adapte a dose ao longo do tratamento sem que o paciente precise comprar outra apresentação do medicamento a cada alteração.

Após Medley, EMS vai às compras no México com cheque de até US$ 100 milhões

O lançamento amplia a presença da companhia no segmento de saúde cardiometabólica. Para Marcelo Neri, diretor executivo do Grupo EMS responsável por Brace Pharma, Ofta e USK, o encerramento da patente da semaglutida criou espaço para a entrada de concorrentes no país.

“O fim da patente da semaglutida abriu um novo ciclo competitivo no mercado brasileiro e criou uma oportunidade estratégica importante para a Brace Pharma”, afirma o executivo.

Custo e adaptação às doses

A estratégia da empresa se concentra em dois fatores que podem comprometer a continuidade do tratamento: o preço e a adaptação às doses. De acordo com a farmacêutica, náuseas e outros desconfortos gastrointestinais durante a titulação, etapa de ajuste gradual da dose, podem levar à interrupção do uso.

Para dimensionar a barreira financeira, a companhia cita um levantamento com 1.067 médicos. Na avaliação dos entrevistados, apenas 28% dos pacientes aptos ao tratamento teriam condições de pagar pela terapia.

“O paciente já lida com rotinas complexas e custos elevados. Nossa preocupação é facilitar essa jornada, tornar a adesão menos confusa e mais viável”, diz Neri.

Novas canetas ampliam disputa entre farmacêuticas

O SemaClique chega ao mercado após uma sequência de lançamentos de canetas de semaglutida em 2026. O fim da patente da molécula no Brasil, em março, abriu espaço para concorrentes dos produtos da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy. Em junho, a EMS iniciou a comercialização do Ozivy, com preço anunciado a partir de R$ 452 por caneta.

Em setembro, foi a vez da Hypera Pharma lançar o Semavy. A companhia adotou uma condição comercial semelhante à oferecida pela EMS em seu programa de fidelidade: três unidades por R$ 999, equivalentes a R$ 333 por caneta. A disputa envolve preço, distribuição nas farmácias e programas de relacionamento com os pacientes.

A entrada do Semavy já apareceu nos resultados da Hypera. Segundo dados da IQVIA divulgados pela companhia, o medicamento vendeu cerca de 93 mil unidades em setembro e conquistou mais de 11% do mercado brasileiro de semaglutida injetável no mês de estreia.

Outros fabricantes também obtiveram registros ao longo do ano. Até o fim de outubro, a Anvisa havia aprovado 20 novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida e liraglutida, entre produtos para diabetes e obesidade. A autorização, porém, não significa disponibilidade imediata nas farmácias. A indicação também depende do registro de cada medicamento: nem toda caneta conhecida como “emagrecedora” tem aprovação para tratar obesidade.

No mercado internacional, a concorrência entre Eli Lilly e Novo Nordisk também passou a incluir medicamentos orais. A Lilly lançou o Foundayo, à base de orforgliprona, nos Estados Unidos no segundo trimestre de 2026. A Novo Nordisk, por sua vez, tem ampliado a distribuição da versão em comprimido do Wegovy.

A disputa tem reflexos na Bolsa, com desempenhos diferentes entre as fabricantes. As ações da Eli Lilly subiram 6,6% no pregão de divulgação de seus resultados trimestrais, no fim de outubro, e fecharam no recorde de US$ 1.373,70, após a empresa elevar suas projeções anuais. Já a Novo Nordisk chegou a avançar 6,6% durante o pregão de quarta-feira, 4 de novembro, após também revisar suas perspectivas para 2026, com vendas do Wegovy oral acima das estimativas.

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